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Filha é presa em flagrante após matar mãe com cadeirada

Um crime chocou a pequena Rifaina (SP), a 70 km de Franca (SP) na tarde de ontem (31). Uma mulher de 38 anos foi presa em flagrante após agredir a própria mãe com uma cadeirada. A vítima de 63 anos morreu na manhã de hoje (1º) com suspeita de traumatismo craniano.

O crime aconteceu na Vila Industrial. A vítima, de 63 anos, foi socorrida desacordada, com ferimentos graves na cabeça. Os agentes afirmaram a gravidade do estado de saúde e encaminharam a idosa ao hospital de Pedregulho (SP), mas ela não resistiu aos ferimentos. A suspeita – e isso será confirmado posteriormente – é que, com o impacto, a mãe teria sofrido traumatismo craniano.

De acordo com a Guarda Civil Municipal de Rifaina, ao chegarem à residência, encontraram a filha, que admitiu ter discutido com a mãe, mas alegou tê-la apenas empurrado. No entanto, não foi o que disse uma testemunha. Segundo ela, sobrinha da vítima, a filha teria atingiu a mãe com uma cadeira, o que a fez desmaiar. A Polícia Civil confirmou o flagrante e determinou a prisão da mulher, que foi levada à cadeia de Franca (SP), onde até o momento permanece à disposição da Justiça.

Parricídio

O parricídio — assassinato de um ou ambos os pais pelo próprio filho — é um fenômeno raro, porém de alto impacto social e psicológico. No Brasil, ele não possui uma tipificação penal específica, sendo enquadrado como homicídio qualificado, conforme o artigo 121 do Código Penal, que prevê aumento de pena quando a vítima é ascendente.

Segundo estudos de criminologia e psicologia forense, esse tipo de crime representa uma parcela mínima dos homicídios registrados anualmente, mas costuma gerar ampla repercussão pública. A ausência de uma categoria estatística oficial dificulta o levantamento preciso de casos, mas análises de tribunais e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que eles geralmente envolvem contextos familiares marcados por violência doméstica, transtornos mentais graves ou conflitos de herança. Ainda assim, pesquisadores da USP e da PUC-SP destacam que o parricídio pode ocorrer tanto em famílias de alta vulnerabilidade social quanto em lares aparentemente estáveis, sendo resultado de uma combinação de fatores psicológicos, emocionais e circunstanciais.

Entre as motivações mais comuns estão distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia e psicose, além de histórico de abuso físico ou emocional prolongado. Especialistas ressaltam que, em muitos casos, o crime é precedido por anos de tensão familiar e deterioração das relações afetivas. Casos emblemáticos, como o de Suzane von Richthofen (2002), o de Gil Rugai (2004) e o de Marcelo Pesseghini (2013), exemplificam a diversidade de causas e perfis envolvidos — variando entre interesses financeiros, impulsividade, transtornos mentais e dinâmicas familiares complexas.

Embora esses episódios representem exceções dentro do panorama criminal brasileiro, eles despertam atenção por evidenciarem falhas nos mecanismos de prevenção e acompanhamento psicológico familiar. Pesquisadores alertam que a detecção precoce de conflitos graves e o acesso a serviços de saúde mental são fatores essenciais para reduzir a incidência de tragédias dessa natureza.

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