Compras pela Internet de forma impulsiva, aliada a falta de acesso a informações de qualidade sobre educação financeira representam 59% dos brasileiros endividados. O dado, reportado pela Infomoney, faz parte de um estudo divulgado pelo Instituto Locomotiva, que analisou os efeitos do endividamento no cotidiano e no comportamento financeiro da população.
Além da informação, 41% dos entrevistados avaliam que o acesso a serviços públicos gratuitos — como creches com horário estendido e localizadas próximas à residência ou ao local de trabalho — teria impacto positivo relevante na vida financeira, ao reduzir gastos e facilitar a rotina familiar.
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O levantamento também identificou mudanças na percepção sobre a influência do círculo social nas decisões financeiras. As redes sociais passaram a ser vistas como a principal “má influência” nesse aspecto. Entre os endividados, 23% apontaram as plataformas digitais como responsáveis por incentivar comportamentos financeiros inadequados, ante 16% no ano anterior.
Na sequência aparecem os programas de televisão, citados por 13% dos entrevistados, e os amigos, mencionados por 11%. Em contrapartida, quando o tema é o incentivo a boas práticas financeiras, o cônjuge surge como a principal influência positiva, com 27% das respostas. As redes sociais aparecem novamente, desta vez em segundo lugar, com 17% das menções.
Impactos na vida pessoal
O estudo revela ainda que a inadimplência provoca efeitos profundos na vida pessoal dos brasileiros. Entre os entrevistados, 92% afirmam que a situação de dívida atrasada impacta negativamente a vida de forma geral. O sono é prejudicado para 86% dos endividados, e 98% acreditam que estar endividado afeta negativamente ao menos um aspecto da vida.
Outros reflexos também foram destacados: 88% dizem que o endividamento compromete a felicidade, 80% relatam piora na convivência com amigos, 75% mencionam alterações no apetite e 78% admitem impactos negativos na vida amorosa.
Críticas
Parte desses efeitos, segundo a pesquisa, está relacionada à forma como a cobrança das dívidas é realizada. Cresceu o número de pessoas que relatam se sentir desrespeitadas durante o processo de cobrança por parte dos credores.
Em entrevista coletiva, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, destacou que empresas que adotarem uma postura mais acolhedora na cobrança e renegociação tendem a obter vantagens no futuro.
“As empresas que souberem acolher esses brasileiros durante o processo de cobrança e renegociação vão se favorecer quando esses inadimplentes recuperarem a condição de tomadores de crédito”, afirmou.
Da Redação
Foto: Reprodução
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