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1º lugar em Medicina na UFSCar abre mão do curso para estudar música

Aos 18 anos, Paulo Arnaldo Duarte passou no vestibular para Medicina na UFsCar (Universidade Federal de São Carlos), uma das graduações mais concorridas do país, mas optou pelo bacharelado em Piano, na Universidade de São Paulo. Natural de São José do Rio Preto (SP), a decisão por estudar música não foi impulsiva. O jovem já havia demonstrado seu alto nível técnico ao liderar também os processos seletivos de Música na USP e na Unesp.

A aprovação em Medicina, surgiu através da nota obtida no Enem, no entanto os cursos de música que ele almejava possuem provas de habilidades específicas e não utilizam o exame nacional como critério principal. Paulo decidiu então utilizar a nota como um “teste”, e seguir com sua grande paixão: a música.

Filho do multi-instrumentista Frederico Duarte e da cantora Fabiana Colturato Duarte, o estudante se interessou por violino aos três anos, mais tarde por saxofone, mas foi no piano que priorizou os estudos. Com o olhar voltado para os próximos anos, ele projeta uma carreira como solista e deseja colaborar com grandes orquestras. Confira, a seguir, a entrevista para o Portal Pulsar Notícias.

Bom, você passou em primeiro lugar em medicina, mas optou pela música. Na sua opinião, como a música te ajudou no proesso de estudo para os vestibulares?

Acredito que o estudo da música proporciona uma série de benefícios. Desde os meus três anos de idade, eu tinha contato com o universo musical, e certamente esse estudo foi fundamental para que eu desenvolvesse, por exemplo, uma melhor capacidade de raciocínio e de memorização, além de uma melhor concentração. Com certeza isso me auxiliou fora da música, nas disciplinas regulares do ensino médio.

Você teve influências para este interesse?

Meus pais são músicos, atuaram por muito tempo profissionalmente, embora hoje tenham outras profissões. Lembro-me que, uma vez, em uma loja de instrumentos musicais, um violino chamou a minha atenção. Foi o primeiro instrumento que comecei a estudar, com apenas três anos de idade. Anos depois, estudei saxofone, e, em 2020, me interessei pelo piano. Na pandemia, passei a estudar cada vez mais ele, até que deixei os outros instrumentos.

No começo, quando eu tinha 12 anos, o interesse surgiu pelo repertório. Comecei a ouvir obras de Chopin, Liszt, e achei tudo aquilo muito interessante. Meu pai tinha um piano digital, e comecei a experimentar com as partituras. Fui percebendo, então, que tinha uma facilidade com o instrumento, e passei a me dedicar cada vez mais ao piano. Em 2022, participei de concursos e nessa época surgiu a ideia de seguir essa carreira. Desde então, essa ideia vem se consolidando.

No seu ponto de vista, a acessibilidade ao estudo musical contribui com a Educação a outros conteúdos?

Infelizmente o mundo da música ainda é de acesso restrito, especialmente quando se pensa em aprender um instrumento. Acredito que as plataformas online [como a Musixe] são um grande avanço na popularização da música e do ensino, e são fundamentais para democratizar a música, que idealmente deveria estar presente na vida de todos.

Para quem pretende prestar vestibular de música, o que você recomenda como base de estudo?

Acredito que seja muito importante buscar materiais de estudo complementares. Nos editais de cada vestibular, há uma bibliografia do que pode ser cobrado nas provas específicas, e é essencial estar atento a isso. Tão importante quanto, é praticar exercícios.

E a experiência na Polônia, foi indicação de um dos seus professores?

O curso que fiz na Polônia foi uma indicação do meu atual professor, Luiz Guilherme Pozzi, que havia conhecido o curso no ano anterior. Organizado pelo Instituto Chopin, de Varsóvia, foi uma oportunidade única para conhecer outros pianistas e grandes professores.

Nas horas de lazer, o que geralmente gosta de ouvir?

Gosto bastante de música clássica, seja obras para piano, obras para orquestra ou música de câmara. Além de MPB, jazz e até pop ou rock.

Para encerrarmos, mas não menos importante, qual dica você dá para quem quer estudar música? Seja por hobby ou vida acadêmcia.

Ter dedicação e paciência, pois é um caminho longo, mas muito recompensador.

Da Redação
Fotos: Arquivo Pessoal

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