Depois de uma década, é o fim para Dom Orlando Brandes junto a Arquiodiocese de Aparecida (SP). Ele deixa o posto e em seu lugar assume Dom Mário Antônio da Silva. O papa Leão XIV oficializou nesta segunda-feira (2) a mudança.
O novo arcebispo, que tem 59 anos, comandará uma das principais arquidioceses do Brasil por abrigar o Santuário Nacional de Aparecida. Dom Mário será o sexto arcebispo de Aparecida. Ele tem dois meses para assumir a arquidiocese. Este período serve como preparação para a transição no cargo.
Dom Mário Antônio da Silva
Mário Antônio da Silva cresceu em uma família católica, o que despertou sua vocação pela religião. Ele iniciou a formação no Seminário Maior Divino Mestre, na Diocese de Jacarezinho, no Paraná. Tem mestrado em Teologia Moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália, e alcançou a ordenação sacerdotal em 1991. Em 2022, o papa Francisco nomeou Mário Antônio como arcebispo Metropolitano de Cuiabá.
“Transferido na data de hoje, Dom Mário Antônio da Silva deixa a Arquidiocese de Cuiabá, para assumir a Arquidiocese de Aparecida. Formada por cinco municípios – Aparecida, Guaratinguetá, Lagoinha, Potim e Roseira – a Arquidiocese de Aparecida é composta por 18 paróquias e uma capelania militar. Em seu território também está o Santuário Nacional de Aparecida, Catedral Arquidiocesana. Em mais de 60 anos de história, foi governada por dois bispos auxiliares e cinco arcebispos, sendo o último deles Dom Orlando Brandes, agora emérito”, publicou o Santuário Nacional de Aparecida.
Polêmicas de Dom Orlando
Durante o episcopado de Dom Orlando Brandes à frente da Arquidiocese de Aparecida (SP), que começou em 2017 e se encerra em 2026 com sua renúncia aceita pelo papa, algumas atitudes e falas dele geraram debate e polêmicas entre fiéis, setores da Igreja e a opinião pública. Aqui estão as principais:
🟠 1. Críticas a “direita” e ao tradicionalismo em missa solene
Em uma homilia no Dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro de 2019), Dom Orlando Brandes criticou o que chamou de “dragão do tradicionalismo” e disse que “a direita é violenta e injusta”. Essa fala, proferida diante de milhares de fiéis na Basílica Nacional, foi vista por muitos como uma crítica política clara a setores mais conservadores da sociedade, provocando reações fortes nas redes sociais e na imprensa, inclusive com interpretações de que ele teria usado um momento religioso para falar de temas ideológicos.
🟠 2. Declarações sobre temas sociais e políticos
Ao longo dos anos à frente de Aparecida, ele se manifestou publicamente sobre temas como armas, meio ambiente, vacinação e direitos humanos — sem citar nomes diretamente, mas em tom interpretado por muitos como comentários relacionados ao governo e à sociedade brasileira.
Por exemplo:
- Em 2021, ele disse que o Brasil “para ser pátria amada não pode ser pátria armada”, frase lida como indireta ao posicionamento sobre armas defendida pelo então presidente Jair Bolsonaro.
- Defendeu a vacina e a ciência durante a pandemia de Covid-19, pedindo inclusive uma “forcinha” para que a imunização infantil chegasse ao Brasil.
Esses posicionamentos provocaram debates entre fiéis sobre até que ponto um líder religioso deve comentar questões de política pública e sociedade, especialmente durante cerimônias ou em contexto de Igreja.
🟠 3. Discussões internas sobre o papel da Igreja
Os posicionamentos de Dom Orlando também alimentaram debates dentro da própria comunidade católica sobre a relação entre fé e política. Alguns fiéis apoiaram suas falas sobre justiça social, meio ambiente e dignidade humana, enquanto outros criticaram a interpretação de que ele teria misturado liturgia com política partidária — uma tensão recorrente em diversas dioceses do Brasil
Thiago Rocioli/Da Redação
Foto: Divulgação/Arquiodiocese de Cuiabá
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