A enfermeira Carolina Camilo Correia utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores de Franca (SP) para cobrar das autoridades políticas públicas que auxiliem o tratamento e combata o preconceito contra a epilepsia. Atualmente, a doença atinge mais de 3 milhões de brasileiros.
“A epilepsia não é uma doença mental, mas uma disfunção cerebral que provoca descargas elétricas excessivas”. Além disso, uma grande dificuldade das famílias é o acesso aos medicamentos, em especial na farmácia de alto custo. Muitas vezes estão em falta. As famílias com crianças pequenas têm dificuldade para chegar até a farmácia. Quando esses medicamentos não estão disponíveis, as famílias não têm condições de comprar, pois os valores geralmente ultrapassam R$ 900 e podem chegar a R$ 1 mil ou R$ 2 mil conforme a quantidade e especificidade”.

Existem diferentes tipos de crises. Desde as de ausência, em que a pessoa parece desligada por segundos, até as crises tônico-clônicas generalizadas, que envolvem convulsões. A enfermeira Carolina Correia ressaltou que a condição pode surgir em qualquer fase da vida, sendo comum após paralisias cerebrais em bebês ou como sequela de acidentes vasculares cerebrais (AVC) em adultos.
Carolina Correia ainda explicou sobre o implante de estimulação do nervo vago (VNS), procedimento neurocirúrgico que insere um dispositivo similar a um marca-passo, sob a pele no tórax, conectado por fios ao nervo vago no pescoço.
“Este tipo de tratamento é indicado para epilepsia refratária e casos de depressão/dor crônica. É enviado pulsos elétricos para reduzir a frequência e intensidade das crises”, disse.
Um dos pontos mais críticos abordados durante a fala da enfermeira na Câmara, foi o alto custo do tratamento. Embora existam medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), a falta de itens nas farmácias de alto custo obriga famílias a buscarem recursos próprios para remédios que chegam a R$ 2 mil. Alternativas avançadas, como o implante de estimulador do nervo vago (VNS) ou neurocirurgias especializadas — que podem custar R$ 200 mil na rede particular —, são fundamentais, mas de difícil acesso para a maioria da população.
“As mães que têm crianças com epilepsia precisam sair do trabalho para levar essas crianças aos serviços de saúde, ou pessoas que têm epilepsia precisam acessar esses serviços e são muito discriminadas. Elas perdem seus trabalhos, ficam desempregadas e essa complexidade do tratamento aumenta”, denunciou a enfermeira.
Ações concretas
No plenário, vereadores cobraram ações concretas da Prefeitura de Franca para o próximo dia 26 de março, data de conscientização da doença. O vereador Gilson Pelizaro (PT) solicitou informações sobre o que tem sido feito nos últimos dois anos e quais eventos estão planejados para a data.
Para a presidente da ABE (Associação Brasileira de Epilepsia), Maria Alice Susmihl, a campanha Março Roxo “tem o papel importante de mostrar que a pessoa com epilepsia sofre mais com o preconceito do que com a própria doença”. A proposta da campanha é mobilizar milhares de pessoas em todos os pontos do Brasil e reforçar a relevância da informação para aniquilar o preconceito.
Neste sentido, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC) e Belo Horizonte (MG) estarão sincronizadas com diversas palestras no próximo dia 29 de março, que visam multiplicar o conhecimento acerca do que é a epilepsia e como deve ser tratada,
O “Março Roxo” acontece em todo o mundo. A Escócia é um bom exemplo de quando o transporte público vira uma importante plataforma de multiplicação de conhecimento. Alertas em escadas rolantes, trilhos dos trens e a #TalkEpilepsy (Fale Sobre Epilepsia) ajudam a fixar o que é correto sobre a doença.
O que causa a epilepsia?
A epilepsia pode começar em qualquer idade, mas é mais comumente diagnosticada em pessoas com menos de 20 anos e pessoas com mais de 65 anos. Isso ocorre porque algumas causas são mais comuns em jovens (como dificuldades no nascimento, infecções ou acidentes infantis) e em pessoas mais velhas (como AVC´s que levam à epilepsia).
A epilepsia é uma condição neurológica complexa e as crises podem variar significativamente de uma pessoa para outra. Por outro lado, a doença também pode “desaparecer” com medicação correta e vida saudável. Isso é chamado de Remissão Espontânea.
Crises
As crises parciais simples, estas ocorrem em uma parte do cérebro e a pessoa permanece consciente durante a crise. Pode haver alterações sensoriais, motoras ou psíquicas, mas a consciência não é perdida. Já as crises focais com alteração da consciência, ocorrem quando há uma perda de consciência, mesmo que parcial. A pessoa pode parecer confusa ou realizar movimentos automáticos e repetitivos.
As crises generalizadas resultam em perda de consciência. A pessoa não se lembra do que aconteceu durante a crise. E nas ausências, a pessoa pode parecer “distante” ou “sonhando acordada” por alguns segundos, sem responder a estímulos externos. Essas crises são breves (alguns segundos) e podem ocorrer várias vezes ao dia, interferindo nas atividades diárias sem que haja convulsões evidentes.
O diagnóstico e o tratamento adequados são essenciais para ajudar quem enfrenta essas crises a ter uma melhor qualidade de vida.
Thiago Rocioli/Da Redação
Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Franca
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