Jéssica Falchi critica a sexualização das mulheres no rock
A história do Rock n’ Roll é indissociável da presença feminina, embora essa narrativa tenha sido, por décadas, silenciada. Desde o pioneirismo de Sister Rosetta Tharpe, a verdadeira “mãe” do gênero que já fritava solos de guitarra nos anos 40, até ícones como Joan Jett e a técnica apurada de Lita Ford, as mulheres sempre estiveram na vanguarda da execução instrumental.
Atualmente, o virtuosismo não conhece fronteiras: no exterior, nomes como Nita Strauss e Orianthi ocupam os maiores palcos do mundo com precisão cirúrgica. Contudo, paralelamente a essa evolução técnica, um obstáculo antigo persiste: a sexualização da mulher na música.
Recentemente, o debate ganhou força com as declarações da guitarrista Jessica Falchi ao canal Amplifica. Em uma análise lúcida sobre o cenário atual, a musicista que possui mais de 380 mil seguidores no Instagram criticou a forma como a imagem feminina é frequentemente explorada nas redes sociais, alertando que a hipersexualização pode abafar o talento real.
“Eu acho que as pessoas confundem muito esse lance de ‘meu corpo, minhas regras’ com a forma como você se apresenta tocando guitarra”, pontuou Falchi. Para ela, quando a estética é colocada como o produto principal, a música torna-se secundária. “Se você coloca uma menina sexualizada tocando, os caras nem vão ver se você está tocando bem ou não”, afirmou.
“Às vezes eu gravo vídeo sem maquiagem. Sou eu. Se você quer me ver de biquíni tocando guitarra, não vai ver. Não vou colaborar com esse tipo de conduta”, disse. Para muitas jovens que estão começando a estudar o instrumento, cria-se a falsa percepção de que, para pertencer à cena do Rock ou do Metal, é necessário seguir um padrão visual específico.
“Vejo várias meninas super novas achando que para tocar guitarra, para ser ‘metal’, você precisa estar sexualizada”, comentou. Essa pressão estética pode desencorajar aquelas que desejam ser avaliadas apenas pela sua proficiência técnica e dedicação ao estudo da guitarra.
Embora defenda a liberdade individual de cada artista se expressar como desejar — “Se a pessoa se sente bem fazendo isso, ela é livre” —, a guitarrista sublinha que essa exposição, no contexto atual, acaba por alimentar preconceitos.
Para o mercado musical, o recado de Falchi é claro: o que define uma guitarrista é o seu domínio das cordas!
Thiago Rocioli/Da Redação
Foto: César Ovalle
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