Evangelho (Jo 3,16-18)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.
16 Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18 Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Homilia
Santa Joana d’Arc disse, certa vez: “Deus é tão grande que ultrapassa nossa ciência”. E estas palavras da santa são plenamente apropriadas, pois o mistério do Deus Uno e Trino realmente vai além da nossa capacidade de compreensão. Como aprendemos no Catecismo, o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Um só Deus em três pessoas distintas.
São Patrício, como missionário, levou a Palavra de Cristo à Irlanda e, para explicar esse mistério da nossa fé, usou o trevo. Dizia que cada folha do trevo é diferente, mas que, juntas, formam o trevo. Não poderíamos chamá-lo de trevo se uma das folhas estivesse faltando. Aliás, existe uma outra planta muitíssimo parecida, composta de quatro folhas, que as pessoas chamam de “trevo de quatro folhas”. Bem, se é trevo, não pode ser de quatro folhas; e, se é de quatro folhas, não pode ser trevo. O mesmo acontece com a Trindade: cada Pessoa da Trindade é diferente, cada Pessoa é Deus e, ainda assim, as três juntas formam o que chamamos de Santíssima Trindade. Mesmo que os maiores sábios de todos os tempos se reunissem, não conseguiriam nos fazer compreender plenamente esse mistério.
Conta-se que, um dia, Santo Agostinho caminhava pela praia e viu uma criança cavando um buraco na areia. Curioso, Santo Agostinho perguntou: “O que você pretende fazer?”. O menino respondeu: “Pretendo colocar toda a água do mar neste buraco”. “Mas você não percebe que isso é impossível?!”, argumentou Santo Agostinho. Então, o menino replicou: “É mais fácil colocar toda a água do mar neste buraco do que encaixar o mistério da Trindade em tua cabeça.”
A Santíssima Trindade é o mistério do amor de Deus; o amor mais puro e belo do universo. Além do mais, é a revelação de um Deus que é Amor em Pessoa, conforme a maravilhosa definição que nos foi dada por São João: “Deus é amor” (1Jo 4,8). Sempre que nos fala de si mesmo, Deus se expressa com a bela linguagem do amor humano. Todo o Antigo e o Novo Testamentos testemunham isso. Deus compara-se ao amor de um bom pai e à ternura da mais amorosa das mães; ao amor de um esposo, amigo ou irmão afetuoso e fiel. E, no Evangelho, Jesus revela-nos um Pai infinitamente amoroso e misericordioso.
Apresenta-se como o Bom Pastor que carrega a ovelha perdida nos ombros; é o bom Pai que faz nascer o sol sobre justos e injustos, que veste as flores do campo com esplendor e alimenta as aves do céu; é o Rei que dá o seu Filho unigênito e o entrega à morte para salvar o seu povo. Não podemos esquecer aquela maravilhosa parábola do filho pródigo, que nos revela o Pai das misericórdias, “o pai com coração de mãe”, como escreveu um autor contemporâneo. Deus é um Pai dotado de profunda e infinita ternura e delicadeza.
Podemos não compreender esse mistério, mas temos a fé, capaz de nos ajudar a aceitar essa grandeza divina que ultrapassa todo o nosso entendimento. Como disse um certo santo, cujo nome não recordo: “Não compreendemos a Deus, mas o aceitamos”.
Com base na fé desse santo anônimo, aceitemos a grandeza do nosso Criador, pois, assim, este Evangelho de hoje nos ajudará a reconhecer-nos como filhos de Deus cada vez que dissermos: “Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

Frei Ademir João Garcia, OAR
É vigário da Paróquia Nossa Senhora das Graças da Diocese de Franca.
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