A experiência de vida como vetor da realidade

Existe uma diferença abismal entre o que nos acontece e o que fazemos com o que nos acontece. Muitas pessoas passam a vida colecionando fatos. Mudam de emprego, viajam, enfrentam perdas, acumulam conquistas, mas parecem continuar no mesmo lugar interno. Entram e saem das situações de forma passiva, como quem apenas assiste à própria história passar pela tela de um celular.

Isso acontece porque acumular vivências não significa, necessariamente, ter experiência.
A verdadeira experiência é uma assimilação ativa da realidade. Ela funciona como um vetor: na física, um vetor é aquilo que dá grandeza, direção e sentido a uma força. Sem isso, a força se dispersas no espaço.

Na nossa vida, a mente funciona igual. Se não digerimos o que se passa ao nosso redor, os dias se tornam apenas um amontoado de ruídos e eventos aleatórios.
Quando a dor bate à porta, quando o trágico nos visita ou quando o belo nos surpreende, somos intimados a tomar uma postura. Ignorar a dor ou se anestesiar contra ela é o equivalente a fechar as janelas e fingir que o mundo lá fora não existe. O resultado disso é o vazio existencial.

Assimilar ativamente a realidade significa encarar o fato de frente e perguntar: “O que essa situação está esculpindo em mi?”.
Uma perda pode nos tornar amargurados ou pode nos ensinar a valorizar o essencial. Uma injustiça sofrida pode nos transformar em eternas vítimas ou pode forjar em nós uma firmeza inabalável. Quem decide a direção do vetor é a nossa resposta interna. A realidade nos dá a matéria-prima, seja ela dura ou suave, mas somos nós que damos a ela um Norte e um Sentido. Não seja um mero depósito de acontecimentos. Seja o autor que digere a vida e a transforma em maturidade.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática. Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas-Cartaxo-2-Divulgacao-682x1024 A experiência de vida como vetor da realidade

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

As opiniões defendidas pelos colunistas colaboradores e publicadas no Portal Pulsar Notícias não, necessariamente, refletem às opiniões do portal.

1 comentário

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Jorge Costa

É muito bom acompanhar um profissional tão talentoso quanto Lucas, em um “ambiente” em que se pode dar mais profundidade a temas relevantes. Obrigado por compartilhar seu conhecimento.

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