Em cinco meses, Hapvida perde 91 mil clientes
Relatório do Santander, com base em dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), mostra que a Hapvida, maior operadora de saúde do país, perdeu em cinco meses cerca de 91 mil clientes, um claro sinal de que a disputa por preço, produto e canal de venda segue pressionando a companhia.
A Hapvida perdeu 9,3 mil beneficiários em maio. A maior parte da queda veio da GNDI, operação incorporada pela companhia, que registrou perda de 8,6 mil clientes.
No acumulado de abril e maio, a Hapvida perdeu 48,2 mil beneficiários. O número veio pior do que a estimativa do Santander, que projetava queda de 15 mil clientes para a operadora.
Situação chama a atenção

A situação da Hapvida chama a atenção do mercado, uma vez que a queda da operadora ocorreu em um momento em que o setor está em um momento de retomada da saúde suplementar. Enquanto a maior operadora do país reduziu sua base de clientes, concorrentes como Amil, Bradesco Saúde e Porto Saúde registraram crescimento, levando bancos a manter uma postura mais cautelosa sobre a recuperação da companhia.
A expectativa para os resultados do segundo trimestre continua moderada entre os analistas.
O Citi projeta que a companhia registre crescimento de receita de 5% na comparação anual, mas ainda apresente perda de 38 mil beneficiários no trimestre. O banco estima EBITDA normalizado de R$ 614 milhões, prejuízo de R$ 250 milhões e R$ 350 milhões em despesas judiciais e multas da ANS.
Concorrentes aceleram enquanto a Hapvida recua
O desempenho da Hapvida destoou das demais grandes operadoras. A Amil liderou o crescimento em maio, com 42 mil novos beneficiários, acumulando 270 mil vidas nos últimos 12 meses. A Bradesco Saúde adicionou 33 mil clientes e passou a crescer 10,2% na comparação anual. Já a Porto Saúde expandiu sua base em 20,8%, o ritmo mais forte entre as principais empresas do setor.
| Operadora | Saldo de beneficiários em maio |
|---|---|
| Amil | +42 mil |
| Bradesco Saúde | +33 mil |
| Sistema Unimed | +20 mil |
| Porto Saúde | +15 mil |
| SulAmérica | +4 mil |
| Hapvida | -9 mil |
Segundo o Bank of America, a maior parte das perdas da Hapvida ficou concentrada na Notre Dame Intermédica (NDI), responsável pelas operações no Sul e Sudeste, que perdeu 8,6 mil beneficiários em maio. No Nordeste, a base permaneceu praticamente estável.
Hapvida
Hapvida atua no setor de saúde privada, oferecendo principalmente planos de saúde e planos odontológicos para pessoas físicas, famílias e empresas.
Na prática, quem contrata um plano da Hapvida paga uma mensalidade para ter acesso a consultas médicas, exames, atendimentos de urgência e emergência, internações e procedimentos hospitalares, conforme a cobertura contratada. A empresa possui uma rede própria e credenciada de atendimento, que pode incluir hospitais, clínicas, laboratórios e centros médicos. A disponibilidade desses serviços varia conforme a cidade, o tipo de plano e a rede assistencial prevista no contrato.
A Hapvida surgiu em Fortaleza (CE), e foi fundada em 1979, inicialmente como uma clínica. Em 2022, concluiu a combinação de negócios com a NotreDame Intermédica, ampliando sua presença no mercado brasileiro. Atualmente, é uma das grandes operadoras de saúde privada do país.
Em Franca (SP), a empresa que administrava o Hospital Regional de Franca foi incorporada à estrutura da operadora São Francisco, que passou a integrar o Grupo Hapvida em 2019. Um documento societário registra a incorporação do Hospital Regional de Franca em 31 de julho de 2019, e outro informa que a operadora São Francisco passou a ser subsidiária do Grupo Hapvida em 1º de novembro daquele ano.
A decisão que barrou a aquisição do Hospital Regional pela Unimed Franca foi tomada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O motivo central foi o risco de concentração excessiva do mercado de planos de saúde e de serviços hospitalares na cidade. Segundo o Cade, a operação pretendida pela Unimed Franca envolvia a aquisição do controle do Hospital Regional e do plano Regional Saúde. A análise identificou os seguintes problemas concorrenciais:
- Concentração de mercado: a operação resultaria em participação superior a 80% em mercados de serviços médico-hospitalares e de planos de saúde individuais e coletivos; em algumas estimativas da análise, a concentração chegava a mais de 90%.
- Menos concorrência: a união de dois grupos relevantes poderia reduzir as alternativas disponíveis aos consumidores e enfraquecer a pressão competitiva sobre preços e serviços.
- Barreiras à entrada: o Cade considerou elevadas as dificuldades para novos concorrentes entrarem no mercado regional.
- Falta de solução negociada: houve tentativa de negociar compromissos para reduzir os riscos concorrenciais, mas não se chegou a um acordo considerado satisfatório. O tribunal do Cade rejeitou a operação por unanimidade.
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