Emissoras AMs que migraram para FM têm dificuldade de audiência
Independente da grade de programação, da plástica adotada, se promovem ou não eventos, sorteiam prêmios e até do estilo definido, as antigas emissoras AMs que migraram para o FM atendendo uma exigência do Ministério das Comunicações têm encontrado dificuldade para garantirem audiência. Trata-se de um processo natural para que o ouvinte se acostume com a nova sintonia.
Em vários centros urbanos, o dial FM convencional (88,1 a 107,9 MHz) já estava saturado, forçando algumas estações a ocupar a faixa estendida (FM 76 a 88 MHz), que nem todos os aparelhos captam. Além disso, o alto custo para a migração exige aquisição de novos transmissores, antenas e, em alguns casos, mudança de torre. Outro problema grave é o alcance reduzido. O sinal AM cobre grandes distãncias – daí a sigla para Amplitude Modulada. Já o FM (Frequencia Modulada) possui menor raio de sintonia, no entanto apresenta maior concorrência.
Muitas rádios AM tinham foco em jornalismo ou esporte e agora entram em um mercado FM dominado por música e entretenimento. Em Franca (SP), a ex-Rádio Imperador AM 920 kHz iniciou suas operações em caráter experimental na nova frequência em abril de 2024. Na migração para FM 88,7 MHz, passou a se identificar como Rádio Zebu FM Franca e se uniu a Zebu FM de Uberaba (MG). Agora a emissora busca conscientizar os ouvintes – a maioria formada até então por idosos – da nova sintonia e atrair uma nova parcela de público. Para isto, painéis distribuidos na cidade e anúncios em muros divulgam o novo dial.
Outro exemplo é a tentativa de fixar a nova sintonia da Hertz AM (970 Khz), que passou a se identificar como FM 101,7. No entanto, a mais antiga emissora do Sistema Hertz de Rádio – que acumula a Hertz FM (96,5 Mhz) e a Estúdio 1 (91,1 Mhz) – optou por manter a essência com um jornalismo combativo e com prestação de serviço. Ela foi a primeira emissora em migrar na cidade. Já a Difusora (AM 1030 kHz), do Grupo GCN de Comunicação, resiste se mantendo AM e não há previsão de migração.
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A transição do AM para o FM no Brasil iniciou em 2009. Segundo dados oficiais, até setembro de 2023, último período divulgado, 1.133 emissoras de AM migraram para o FM. A Rádio Progresso FM de Juazeiro do Norte (CE), inicialmente AM 1310 kHz, foi a primeira a mudar de faixa no país, indo ao ar em FM em março de 2016.
Faturamento maior
Uma pesquisa encomendada pela ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) sobre a satisfação das rádios no processo de migração de AM para FM, no Brasil, aponta que 95% delas consideram positiva a mudança.
O grau de satisfação com a faixa FM chega a 81%: 33% das rádios disseram que estão satisfeitas e 48% se dizem muito satisfeitas. 54% das emissoras entrevistadas relataram algum tipo de dificuldade durante a migração e a burocracia no processo foi apontada como a principal causa.
Das 100 emissoras ouvidas, 57% relataram que houve aumento da receita após o funcionamento na nova faixa, o que pode ser explicado de uma maior qualidade na áudio por não haver mais o tradicional ruído das emissoras AMs. De acordo com a pesquisa ABERT/DataCenso, o aumento médio da receita foi de 51%.
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