Franca terá Centro de Referência do Autismo
A Fundação Allan Kardec, em Franca (SP), recebe até esta segunda-feira (15) currículos de profissionais interessados em compor a equipe do Centro de Referência do Autismo (CRA), que inicia suas atividades em outubro. As oportunidades abrangem várias áreas, entre elas terapia ocupacional, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, psicopedagogia, medicina e assistência social.
Os candidatos devem enviar o currículo para o e-mail selecao@kardec.org.br, com a sigla CRA-2025 no assunto. A triagem de perfis e as entrevistas começam nos próximos dias. O centro terá como foco o atendimento multidisciplinar de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estimulando comunicação, autonomia, independência e inclusão social.

Foto: Reprodução / Redes Sociais
Especialista na área dos direitos das pessoas com autismo, o advogado Dr. Fabrício Barcelos Vieira, que também é autista e pai de uma criança com TEA, celebrou a notícia como um avanço importante, mas fez ponderações sobre a necessidade de estruturação real e efetiva da política pública.
“Posso afirmar com segurança que a ausência de serviços especializados na rede pública tem gerado uma verdadeira exclusão silenciosa de centenas de famílias francanas. Como resultado, muitas mães solo e famílias de baixa renda, veem seus filhos sem acesso ao mínimo necessário para se desenvolverem com dignidade”, explica.
O tratamento do autismo exige uma equipe interdisciplinar altamente qualificada, com psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicopedagogos, entre outros profissionais, além de uma carga horária que ultrapassa 10 horas semanais. É essencial que haja articulação com os serviços da saúde, educação e assistência social, além da construção de um plano terapêutico individualizado.
“Tenho viajado por todo o país ministrando cursos, palestras e orientações às famílias atípicas sobre seus direitos. Essa vivência me permite afirmar que a criação de um Centro de Referência pode, sim, ser um divisor de águas — mas somente se funcionar com regularidade, qualidade técnica e sobretudo, escuta ativa das famílias atendidas”, explica Dr. Fabrício Vieira, especialista em Transtorno do Espectro Autista e autor do livro “Perspectivas Legais: Autismo e a Busca pela Justiça”.
A contratação de profissionais já anunciada deve vir acompanhada de formação continuada, protocolos baseados em evidências científicas e metas de acompanhamento concreto, avalia o advogado.
“Não se trata apenas de um prédio novo ou de uma meta numérica de atendimentos mensais, mas de um compromisso real com a inclusão. Como pai, como autista e como defensor da causa, celebro esse avanço — mas também estarei atento e atuante para que essa política pública saia do papel com toda a dignidade e responsabilidade que nossas famílias merecem”, diz.
O acesso ao serviço será feito por meio de protocolo específico da Secretaria Municipal de Saúde, assegurando integração com a rede pública. Atualmente, muitas famílias não conseguem garantir tratamento adequado para seus filhos, devido à alta carga horária exigida e à falta de profissionais especializados disponíveis gratuitamente na rede pública local.
Para o advogado Dr. Fabrício, o Centro tem potencial de ser um divisor de águas, mas precisa ser implantado com seriedade, escuta ativa das famílias e protocolos terapêuticos baseados em evidências científicas. Advogado, autista e pai de uma criança com autismo, Dr. Fabrício é referência nacional na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. É co-autor do livro “Perspectivas Legais: Autismo e a Busca pela Justiça”, ministra cursos e palestras por todo o país, além de atuar diariamente com orientação jurídica e social às famílias atípicas. Também é professor em programas de pós-graduação voltados ao Direito da Pessoa com Deficiência e atua como presidente da Comissão do Idoso e das Pessoas com Deficiência da OAB de Franca.
Da Redação
Fotos: Divugação e Reprodução/Redes Sociais
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