Insônia está diretamente ligada à sua condição física e mental
Pesquisadores da Escola de Medicina da NYU Langone Health alertam que muitas crenças populares sobre o sono não têm base científica e podem, inclusive, prejudicar a saúde. O estudo, publicado na revista Sleep Health, analisou cerca de oito mil sites e confrontou as informações mais difundidas com a avaliação de especialistas em medicina do sono.
Segundo a pesquisadora Rebecca Robbins, líder do estudo, existe uma relação direta entre dormir bem e o desempenho físico, mental e emocional durante o dia. Ainda assim, mitos seguem sendo repetidos por amigos, familiares, pacientes e até profissionais, dificultando a adoção de hábitos realmente saudáveis.
Um dos equívocos mais graves identificados é a ideia de que adultos conseguem funcionar bem dormindo cinco horas ou menos por noite. A ciência mostra que o ideal é dormir entre sete e dez horas, dependendo da idade. Dormir pouco de forma contínua aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, depressão, enfraquecimento do sistema imunológico e até mortalidade precoce.
Outro mito comum é acreditar que adormecer em qualquer lugar ou situação é sinal de boa saúde. Na prática, isso indica privação de sono. Quando o corpo está exausto, entra em episódios de “microsono”, tentando compensar a dívida acumulada ao longo dos dias.
O estudo também derruba a crença de que o organismo se adapta a dormir menos. O sono é composto por diferentes fases, incluindo o sono profundo e o sono REM, fundamentais para memória, aprendizado, equilíbrio emocional, regeneração muscular e fortalecimento do sistema imunológico. Reduzir essas etapas compromete diretamente o funcionamento do corpo e da mente.
O consumo de álcool antes de dormir, apesar de facilitar o início do sono, prejudica sua qualidade. A bebida impede que o organismo atinja as fases mais profundas e restauradoras, fazendo com que a pessoa acorde cansada, mesmo após várias horas na cama.
Especialistas também orientam que, ao não conseguir dormir após cerca de 15 minutos, o ideal é sair da cama e realizar uma atividade relaxante, com pouca luz. Permanecer deitado tentando forçar o sono pode associar a cama à insônia.
Outro ponto destacado é a importância de manter horários regulares para dormir e acordar. O ritmo circadiano regula hormônios, temperatura corporal e metabolismo. Alterações frequentes, como as enfrentadas por trabalhadores em turnos, estão associadas a maior risco de doenças e acidentes.
O uso de telas antes de dormir também merece atenção. A luz azul emitida por celulares, televisões e computadores reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para o sono, dificultando o adormecer e diminuindo o descanso profundo.
Por fim, o hábito de apertar o botão “soneca” pode parecer inofensivo, mas fragmenta o sono e aumenta a sensação de cansaço ao acordar. O corpo inicia um novo ciclo de sono leve, que é interrompido poucos minutos depois, gerando mais fadiga.
O estudo reforça que dormir bem não é luxo, mas necessidade básica para a saúde física e mental. Combater mitos e adotar hábitos corretos pode fazer toda a diferença na qualidade de vida.
Da Redação
Foto: Freepik
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