Passamos cerca de um terço da vida dormindo. Embora o sono ainda guarde muitos mistérios, pesquisadores e profissionais da saúde indicam que a forma como cada pessoa dorme pode desenvolver ansiedade, revelar características da personalidade e até sinais importantes sobre o estado físico de cada um.
Especialistas costumam classificar as posições de sono em três grandes grupos: quem dorme de lado, de barriga para cima e de barriga para baixo. Cada uma delas está associada a padrões comportamentais e, em alguns casos, a impactos diretos na saúde.
Entre as posições mais comuns está dormir de lado, especialmente na chamada posição fetal. Pessoas que adotam essa postura tendem a buscar segurança e conforto, mantendo braços e pernas próximos ao corpo. Estudos comportamentais associam essa posição a indivíduos sensíveis, reservados e emocionalmente profundos, embora muitas vezes passem uma imagem de rigidez para o mundo exterior. Dentro desse grupo, há variações, como a posição “tronco”, em que braços e pernas ficam estendidos. Nesse caso, o perfil costuma ser mais sociável, confiante e aberto a novas experiências. Já os chamados “sonhadores ardentes”, que dormem de lado com os braços projetados à frente, combinam sociabilidade com maior cautela e desconfiança inicial.
Dormir de barriga para cima é menos comum, mas chama atenção por seus efeitos físicos. Essa posição reduz a pressão sobre o rosto, diminuindo a formação de marcas na pele e rugas precoces. Por outro lado, pode favorecer o ronco ao longo do tempo. Quem dorme com braços e pernas estendidos, na chamada posição “soldado”, costuma ser associado a pessoas disciplinadas, reservadas e exigentes consigo mesmas. Já aqueles que dormem nessa posição com um joelho dobrado demonstram maior flexibilidade emocional e facilidade de adaptação. Quando a pessoa dorme com braços elevados acima da cabeça, na posição conhecida como “estrela-do-mar”, o comportamento costuma ser mais não convencional, com forte valorização das relações pessoais e alto grau de lealdade.
Dormir de barriga para baixo, apesar de adotado por parte da população, é geralmente desaconselhado por especialistas. A posição pode sobrecarregar o pescoço e a coluna, especialmente se o colchão for inadequado. Pessoas que dormem dessa forma, abraçando o travesseiro, costumam ser descritas como ousadas, determinadas e pouco tolerantes a críticas.
Além da personalidade, a postura durante o sono também pode indicar níveis elevados de estresse. Dormir excessivamente curvado na posição fetal, cerrar os punhos ou a mandíbula, mudar de posição constantemente ou apresentar espasmos frequentes durante a noite podem ser sinais de tensão prolongada. A médica Sara Marín explica que essas manifestações podem estar relacionadas à superprodução de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse.
Segundo a especialista, níveis elevados de cortisol durante a noite podem fragmentar o sono, provocar microdespertares e gerar sensação de cansaço ao acordar. “A tensão muscular constante impede que o sistema nervoso relaxe adequadamente, comprometendo a qualidade do descanso”, alerta.
Para melhorar o sono, Marín recomenda atenção à alimentação e ao ambiente. Alimentos ricos em magnésio, como bananas, nozes e chocolate amargo, podem contribuir para o relaxamento do sistema nervoso e para a produção de melatonina, hormônio essencial para regular o ciclo do sono. Manter o quarto em temperatura entre 18°C e 20°C, reduzir a exposição a telas antes de dormir e criar um ambiente escuro e silencioso também são medidas apontadas como fundamentais para um descanso mais profundo e reparador.
Especialistas reforçam que, apesar das interpretações comportamentais, o mais importante é dormir em uma posição confortável e que não provoque dores ou prejuízos à saúde. O corpo, afinal, costuma dar sinais claros quando algo não vai bem durante a noite.
Da Redação
Foto: Freepik
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