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CONFIRA!

Aquilo pelo qual VALE A PENA MORRER

Há um momento inevitável na vida em que a pergunta deixa de ser “o que eu quero fazer?” e passa a ser “para que eu fui feito?”. Essa mudança de eixo marca a passagem da curiosidade juvenil e vale uma reflexão para a seriedade da vocação.

Não se trata mais de escolher apenas uma profissão com base nas simples preferências, mas de discernir um chamado verdadeiro.

Olavo de Carvalho dizia, com a franqueza que lhe era própria, que “a vocação é a coisa principal na vida, porque a maior parte do nosso tempo será gasta trabalhando”. Se não há sentido no trabalho, dificilmente haverá sentido no restante. Mas ele próprio fazia a correção necessária: “realizar-se não é sentir prazer o tempo todo”.

A vocação não é um spa emocional, onde nossas forças são restauradas, pelo contrário é o local onde nos doamos, nos gastamos. Ela é o eixo de vida. O homem moderno foi educado a buscar satisfação.
Entretanto nem sempre fora assim.

Para os antigos, viver bem era ordenar a própria existência a um bem maior do que si mesmo. Depois com o surgimento e evolução da prática e pensamento cristão, isso se torna ainda mais radical. A medida da vocação não é o prazer, nem o dinheiro, nem o reconhecimento: mas o amor por aquilo que vale mais do que a própria vida.

O ápice dessa verdade está na figura de Jesus Cristo. Pregado na cruz, Ele não estava ali por prazer, tampouco por interesse. Estava por amor. E é precisamente por isso que a cruz se torna o símbolo mais profundo da vocação: doar-se por aquilo que é maior do que a si mesmo.

A vocação autêntica sempre terá algo de sacrificial, não no sentido mórbido, ou suicida, mas no sentido de oferecer a própria vida a um bem que a transcende, com a intenção reta e única em servir, ou seja, se dispor para outros usufrua.

Como uma mãe em puerpério, que mesmo diante de suas inúmeras dores – físicas, emocionais e psicológicas – escolhe durante todo o dia amar e zelar pela pequena vida que gerastes. E o bebê recém-nascido é beneficiado pelo sacrifício silencioso e inigualável daquela que lhe deu a vida, no seu sentido mais verdadeiro.

Essa mesma compreensão ecoa na tradição filosófica e espiritual de diversas maneiras. Agostinho de Hipona, ao narrar sua inquietude interior, conclui que o coração humano só se acalmará quando repousar em Deus. Quando o homem encontrar aquilo para o qual fora criado e chamado, o trabalho deixa de ser apenas esforço punitivo, e torna-se expressão de amor ordenado. Porque o trabalho, em última instância, é o local por excelência de transformação do mundo e de si mesmo.

A vocação, portanto, não é sinônimo de conforto. É sinônimo de sentido. É aquilo que organiza o sofrimento, disciplina o tempo e confere unidade à vida real.

Quem a encontra não necessariamente trabalha menos, mas trabalha com mais inteireza. Como já dizia São Josemaria Escriva: “Insisto, na simplicidade do teu trabalho habitual, nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor”. No fundo, a pergunta vocacional é simples e terrível: o que há de tão valioso que você aceitaria sofrer por isso? O que há de tão verdadeiro que você não abandonaria, mesmo que custasse prestígio, dinheiro ou segurança? Aquilo pelo qual você estaria disposto a gastar a vida — e, se preciso, perdê-la — é a pista mais segura do seu chamado.

Num mundo que oferece mil possibilidades e poucas direções, redescobrir a vocação é redescobrir a hierarquia dos amores. E, como sabiam os antigos e os santos, a vida só encontra unidade quando se ordena a algo que a supera, que a ultrapassa. A vocação começa quando o homem deixa de perguntar apenas “o que me agrada?” e passa a perguntar, com seriedade: o que me foi confiado?

Sem Filtros

É onde a filosofia desce do pedestal e pisa no chão duro da vida. Aqui, razão e emoção se encaram sem maquiagem: decisões difíceis, tensões internas, verdades reais e cotidianas. Esta coluna investiga a realidade como ela é — porque pensar, no fundo, sempre foi uma terapia radical para quem tem coragem de se olhar de frente. Publicada todos os sábados no Pulsar Notícias.

Quanto mais FÁCIL sua vida, mais FRACO você fica!- Will insert post title.

Gabriel Pinheiro
É esposo, pai, psicoterapeuta e professor de filosofia. Comprometido com a formação integral do ser humano e apaixonado pelos dilemas, contradições e grandezas que compõem a experiência humana. Seu trabalho une três forças: rigor filosófico, sensibilidade clínica e vivência real.“Enfim, trabalho ajudando pessoas a entender que fugir não resolve NADA”. Conheça mais sobre ele clicando aqui.

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