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Eu sei por que a SUA CASA nunca está em PAZ!

Não venha me dizer que é porque seu esposo extremamente orgulhoso e que vive bagunçando a casa nunca te escuta, ou você senhor casado, não venha afirmar que é porque sua esposa passa o dia calculando a próxima reclamação que jogará sobre seus ombros; ou ainda, você “jovem” de 40 anos que mora com os pais, querer vir afirmar com todos argumentos racionais e possíveis que o problema de tudo é porque aqueles que te criaram ainda vivem no século anterior.

Talvez você carregue alguma dessas figuras em sua vida e se caracteriza como vítima da situação, aliás, eu sou uma maravilha de pessoa: fácil de lidar, agradável, inocente nas atitudes, nunca firo as pessoas, e minhas expressões e formas de ser são sempre gentis e amorosas, e mesmo assim quando ajo com algum tom grosseiro tive motivo e estava sendo justo… Enfim, a fatídica frase de efeito do homem moderno: “o mundo é o problema” ou então como refletimos em uns artigos anteriores “o ser humano precisa acabar”.

Reparem, é esse tipo de mentalidade que acaba por forjar o comportamento mais infeccioso tanto da sociedade como para o próprio individuo; a ideia de que todos e qualquer pessoa a minha volta carregam problemas e defeitos amedrontadores, mas eu sou só uma vítima. A vítima que carrega a missão heroica de salvar a humanidade de si mesmo.

Sabe aquelas pessoas insuportáveis que você precisa lidar no trabalho, na igreja, na escola, na sua casa? Pois é, saiba que você é a pessoa insuportável de alguém. Você faz coisas chatas, estar com você pode é a penitência de alguém.

Muitas raízes de diagnósticos de depressão e ansiedade que vemos por aí, não parte da postura de exclusão e antissociabilidade, mas da mania contínua de se colocar no centro de tal modo, que tudo e todos precisam necessariamente servi-lo como a rainha Elizabeth da Inglaterra, e por repetidas frustrações em contraponto das expectativas criadas, o indivíduo vai dia após dia afundando no vitimismo, na amargura, no esvaziamento de sentido, senso de responsabilidade e desamor.

Atenção, vejam caros leitores, minhas palavras não estão em função do desmerecimento daqueles que sofrem com a doença devastadora que é a depressão e ansiedade, mas meu objetivo aqui é praticar uma reflexão menos idealista possível sobre a postura de vítima.

Não trazer ele aqui seria crime — um dos homens mais lúcidos do nosso tempo — o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, coloca a responsabilidade no centro da existência humana. Para ele, a liberdade humana só é autêntica quando acompanhada de responsabilidade. Sem isso, a liberdade se transforma em arbitrariedade ou vazio existencial.

Frankl escreve em sua obra mais conhecida, Em Busca de Sentido, uma frase que sintetiza muito bem sua visão:

“A liberdade é apenas uma parte da história e metade da verdade.
A liberdade é apenas o aspecto negativo de todo o fenômeno cujo aspecto positivo é a responsabilidade.”

Ele explica que o ser humano não é simplesmente um produto das circunstâncias, nem apenas um conjunto de impulsos biológicos ou psicológicos. Mesmo diante de condições extremas — como as vividas por ele nos campos de concentração nazistas — permanece no homem a capacidade de escolher sua atitude diante da realidade.

Como uma pessoa com câncer, que não é livre para escolher em TER essa doença ou não, mas é livre para escolher COMO irá viver essa situação.

Frankl afirma:

“Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher a própria atitude em qualquer circunstância.”

Essa liberdade interior implica necessariamente responsabilidade. O homem é responsável por responder à vida, porque a vida constantemente faz perguntas a ele. Em outra formulação famosa de Frankl, ele escreve:

“Não é o homem que deve perguntar pelo sentido da vida; é a vida que o interroga.”

Assim, cada pessoa é chamada a responder com responsabilidade à situação concreta em que se encontra, diante dos problemas, desafios e pessoas que convive. Para Frankl, cada momento apresenta uma possibilidade única de sentido, e a pessoa é responsável por realizá-la ou desperdiçá-la.

Você pode amar aqueles que estão próximos a você, ou fazer-se vítima da circunstância e das pessoas. É obvio que não estou falando aqui que você sendo mulher deve suportar violência ou algum tipo de agressão do parceiro… Mas você sendo homem ou mulher assuma a vida, os erros, os acertos, qualidades e defeitos do seu esposo ou esposa, mãe ou pai, filho ou filha, para que estes possam ser livres para serem quem são assim como você é livre para observar e apontar suas falhas.

Aliás, se realmente você quer algo ou alguém diferente — para melhor — mude você primeiro, seja você o primeiro passo da mudança daqueles que estão próximos, assuma a responsabilidade.
Nunca a força do braço ou os gritos serão suficientes, só o amor constrange de verdade.

Sem Filtros

É onde a filosofia desce do pedestal e pisa no chão duro da vida. Aqui, razão e emoção se encaram sem maquiagem: decisões difíceis, tensões internas, verdades reais e cotidianas. Esta coluna investiga a realidade como ela é — porque pensar, no fundo, sempre foi uma terapia radical para quem tem coragem de se olhar de frente. Publicada todos os sábados no Pulsar Notícias.

Quanto mais FÁCIL sua vida, mais FRACO você fica!- Will insert post title.

Gabriel Pinheiro
É esposo, pai, psicoterapeuta e professor de filosofia. Comprometido com a formação integral do ser humano e apaixonado pelos dilemas, contradições e grandezas que compõem a experiência humana. Seu trabalho une três forças: rigor filosófico, sensibilidade clínica e vivência real.“Enfim, trabalho ajudando pessoas a entender que fugir não resolve NADA”. Conheça mais sobre ele clicando aqui.

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