– Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus.
– Eu vos dou este novo Mandamento, nova ordem agora vos dou, que, também, vos ameis uns aos outros, como eu vos amei, diz o Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
– Glória a vós, Senhor.
1 Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4 levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” bRespondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. 8 Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9 Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10 Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. 11 Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. 12 Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13 Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14 Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Homilia
A Quinta-feira Santa, segundo uma tradição castelhana, é uma das três quintas-feiras do ano que brilham mais que o sol.
E não é para menos: na véspera de dar a sua vida por nós, Jesus nos dá três preciosos dons do seu amor, que são partes constitutivas e essenciais da sua Igreja:
1) Ele lava os pés dos seus apóstolos, dando-nos o “novo mandamento” do Amor.
2) Ele institui a Eucaristia, o “Amor dos amores”.
3) Ele institui o Sacerdócio, dando aos Apóstolos e aos seus sucessores poderes verdadeiramente extraordinários: especialmente o de consagrar a Eucaristia e absolver os pecados.
Para não me estender, quero me concentrar hoje na instituição do sacerdócio.
O Sacerdócio ministerial é instituído por Jesus no mesmo contexto da instituição da Eucaristia e do gesto do lava-pés, tendo como base, como elemento essencial o amor, pois o sacerdote é alguém especialmente chamado a dar a sua vida. Ao dar aos seus irmãos o Corpo e o Sangue de Cristo, ele deixa ali o seu sangue gota a gota, e a sua vida, dia após dia.
É uma tarefa bela e difícil: se custou a vida de Cristo, não pode custar menos para aqueles que foram chamados para segui-lo neste caminho.
Muitas vezes o sacerdote (sobretudo o diocesano) está sozinho, enfrentando imensas responsabilidades e decisões delicadas; por amor ao Senhor, ele renuncia a ter sua própria família, para fazer parte da família de todos. E ele, inevitavelmente, vive criando raízes onde quer que vá, sabendo que a qualquer momento pode ser “transplantado” sabe-se Deus pra onde, tendo que recomeçar tudo de novo.
E no coração de cada sacerdote, o maior amor do mundo e o amor pelo irmão ferido pelo pecado, travam uma luta diária. Este amor permanece vivo dentro sacerdote até o dia de sua morte, e tenta trazê-lo de volta e recuperar o que ele entregou para sempre a Cristo e às demais pessoas.
O sacerdote é chamado a uma vida heroica de santidade e doação de si. Mas com um heroísmo que não é reconhecido, nem divulgado, mas é frequentemente incompreendido e subestimado, até mesmo pelos cristãos mais comprometidos que, às vezes, são seus primeiros críticos mordazes.
O maior amor, o que trouxe Deus ao mundo como um de nós e se entregou à morte para nossa salvação, é o que move o sacerdote em sua jornada, uma jornada que se torna o próprio amor, que vem de qualquer lugar, de perto ou de longe; e que parte para qualquer que deva partir, perto ou longe.
Amor que se aproxima, em quem podemos confiar nossos pecados mais íntimos e secretos, e receber nada menos que o perdão do próprio Deus.
Sacerdote: um homem como qualquer outro, mas que tem algo diferente, pois por amor aceita ser uma “paliçada” na qual seus irmãos podem se apoiar quando o sofrimento pesa.
Por muito tempo, o sacerdote foi visto como alguém de quem se devia manter um respeito distante.
Graças a Deus, os tempos mudaram, e essa reaproximação levou a uma maior confiança em nossas interações, o que, no entanto, também nos faz enxergar com mais clareza as falhas e limitações do sacerdócio.
É por isso que hoje a Igreja celebra com imensa alegria a instituição do ministério sacerdotal, mas nos pede que rezemos pelos sacerdotes e que não nos esqueçamos de que, em certo sentido, temos diante de Deus e deles a responsabilidade da oração, da compreensão e do amor. O amor de Cristo que, tendo amado os seus que estavam no mundo, os amou até o fim.
Assim, peço que não deixem de rezar por nós. As pessoas sempre pedem nossas orações, mas ouço poucas pessoas dizendo que rezam por nós.
E, no entanto, caríssimos, nós precisamos mais do que vocês imaginam. Deus lhes pague.

Frei Ademir João Garcia, OAR (Ordem Agostiniano Recoleto)
É vigário da Paróquia Nossa Senhora das Graças da Diocese de Franca.
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