Se me amais, guardareis os meus mandamentos
Evangelho (Jo 14,15-21)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Quem me ama realmente guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Homilia
No Evangelho de hoje, Cristo nos diz que, se o amarmos, guardaremos os seus mandamentos. Certa vez, quando um jovem Lhe perguntou o que era preciso fazer para entrar na vida eterna, Cristo respondeu: “Guarda os mandamentos”.
Há um provérbio espanhol que, traduzido para o português, diz: “As ações falam mais alto que as palavras”. Por isso, é absurda a ideia de “católicos não praticantes”. Ser católico demonstra-se por meio de ações; ou se pratica, ou não se é católico. O que diríamos de alguém que afirmasse: “Sou escritor, mas nunca escrevi nada”? Ou de outro que dissesse: “Sou jogador de futebol, mas nunca chutei uma bola”? Certamente ficaríamos olhando para o indivíduo pensando: “Ou é débil mental, ou está gozando com a minha cara”. É preciso que haja coerência.
Os protestantes dizem que a fé, por si só, basta para a salvação. Mas nós, católicos, afirmamos que, além da fé, as boas obras são necessárias. Jesus Cristo diz isso no Evangelho de hoje, e o apóstolo Tiago também o confirma em sua carta (2, 26): “A fé sem obras é morta”. Afinal, até o diabo crê em Deus e está no inferno.
Por outro lado, boas obras por si só, sem fé, não bastam. Existem ateus que são boas pessoas, mas não acreditam em Deus; portanto, suas boas obras são insuficientes — a menos, é claro, que a falta de fé não seja culpa deles. Contudo, é improvável que haja pessoas que nunca tenham tido a oportunidade de aprender algo sobre a fé. Aqueles que não creem por falta de interesse em aprender são responsáveis por sua incredulidade.
Os mandamentos não são imposições arbitrárias, mas uma expressão da lei natural. Se todos os seguissem, não haveria necessidade de prisões. Assim como as rodas ajudam a mover uma pesada carroça — que sem elas só teria utilidade como depósito de quinquilharias —, guardar os mandamentos também nos conduz. Pode haver um preço a pagar, mas cumpri-los aperfeiçoa a pessoa.
Com a ajuda de Deus, eles não são impossíveis de cumprir. Santo Agostinho disse: “Deus não pede o impossível; faça o que você puder, peça a Deus o que não puder, e Ele ajudará para que você seja capaz”. Há também uma oração de Santo Agostinho que podemos adotar como nossa: “Senhor, dá-me forças para realizar o que me pedes e pede-me o que quiseres”.
Assim, baseados na experiência de tantas pessoas de fé, vivamos os mandamentos do Senhor para que também nós sejamos agraciados pelo Espírito Santo, o Defensor.

Frei Ademir João Garcia, OAR
É vigário da Paróquia Nossa Senhora das Graças da Diocese de Franca.
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