Com protesto de “maconheiros”, governador é recebido para inauguração de hospital

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), inaugurou oficialmente em Franca (SP), o Hospital Estadual Três Colinas “Dom Diógenes Silva Matthes”. A entrega põe fim a um dos maiores e mais prorrogados projetos da infraestrutura de saúde no interior paulista. Foram cerca de 30 meses de obras estruturais desde a assinatura de sua ordem de serviço, no fim de novembro de 2022. O complexo recebeu um investimento aproximado de R$ 200 milhões em sua construção.

O objetivo do Hospital Estadual é reduzir de forma expressiva a sobrecarga no atendimento público da região com 18.246 consultas em especialidades médicas, 10.500 consultas em áreas não médicas, 3.800 atendimentos de urgência e 12.839 exames de apoio diagnóstico e terapêutico. O hospital passa a ser referência em cardiologia, neurologia, psiquiatria e traumato-ortopedia a cerca de 750 mil pessoas.

Nesta primeira fase foram entregues 115 leitos dos 220 prometidos. Inicialmente, entrarão em funcionamento 105 leitos de internação e dez, de recuperação anestésica. O restante está previsto para o fim do ano.

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Unidade hospitalar custou cerca de R$ 200 milhões – Foto: João Valério/Governo do Estado de São Paulo

Apesar do aporte, Tarcísio de Freitas adotou uma postura realista em relação à alta demanda. “Vai diminuir essa pressão. Estamos satisfeitos? Nunca, porque sabemos que a pressão é muito grande”, ponderou o governador na manhã desta quinta-feira ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi.

Ainda em entrevista à Jr, Tarcísio rechaçou com veemência os rumores de que a nova estrutura pública provocaria um estrangulamento financeiro no principal braço filantrópico da cidade.

“De maneira nenhuma. É uma ampliação – não é uma substituição. A Santa Casa hoje está no guarda-chuva da Tabela SUS Paulista”, asseverou o governador, detalhando que o novo hospital estadual atuará como um amortecedor de demandas de média e alta complexidade, sem canibalizar os convênios preexistentes

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A engrenagem política por trás do canteiro de obras

A entrega do Hospital Estadual Três Colinas é o resultado de uma mobilização suprapartidária e intermunicipal de longo curso. A carência crônica de leitos hospitalares na região — que frequentemente culminava em episódios de superlotação e no uso de pronto-atendimentos municipais como UTIs improvisadas durante picos sazonais de doenças respiratórias — unificou prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais da região em torno da cobrança de investimentos.

A ação envolveu diversas frentes. Entre elas, a do Deputado Federal Arnaldo Jardim (Cidadania) junto ao Governo do Estado de São Paulo para destravar os processos e garantir a construção; do vereador Daniel Bassi (PSD), que mobilizou 22 Câmaras de Vereadores da região de Franca; da empresária e empreendedora social Flávia Lancha (PSD) que viabilizou o acesso de Bassi ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu vice Felicio Ramuth (MDB); além da Deputada Estadual Delegada Graciela (PL). Bassi é pré-candidato a Deputado Federal. Flávia e Graciela são pré-candidatas a Deputadas Estaduais.

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Projeto de Delegada Graciela dá nome ao Hospital Estadual – Foto: Divulgação

Durante o período de construção, a Delegada Graciela (PL) e o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, visitaram as obras do Hospital Estadual. A unidade deve atender cerca de 750 mil pessoas residentes na área de abrangência da DRS VIII (Departamento Regional de Saúde) de Franca.

O prédio físico foi concluído estruturalmente e entregue no final de novembro de 2025, abrindo caminho para o complexo processo de chamamento público e definição da Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela administração, além do início da contratação de mais de 1,3 mil profissionais do setor.

Durante a agenda no município, Tarcísio de Freitas também detalhou os planos de expansão orçamentária para a atenção básica local e regional. Ao citar que Franca destina cerca de R$ 440 milhões de seu orçamento anual de R$ 1,7 bilhão para a área da saúde, o governador anunciou que o Estado alterou os repasses per capita aos municípios. O valor anterior, que era fixado em R$ 4, passou a oscilar em uma faixa entre R$ 10 e R$ 40 por habitante.

Essa nova matriz de financiamento conta com uma parcela variável atrelada ao cumprimento de metas rigorosas em indicadores de saúde pública, como o monitoramento de doenças crônicas, índices de cobertura vacinal e acompanhamento pré-natal. Além disso, o governador se comprometeu publicamente a enviar verbas estaduais para o custeio de um futuro ambulatório de especialidades idealizado pelo prefeito Alexandre Ferreira (MDB).

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O vereador Daniel Bassi, vice-governador Felício Ramuth e a empresária Flávia Lancha – Foto: Divulgação

Sob protestos

A Unesp de Franca está em greve desde o último dia 20, com paralisações conjuntas de professores e servidores técnico-administrativos. O movimento faz parte de uma mobilização estadual das universidades paulistas. O movimento acompanha paralisações em outras unidades como o da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Desde o último dia 11, os estudantes da Unesp Franca também estão paralisados.

Indignado com os protestos dos grevistas em frente ao Hospital Estadual, na manhã de hoje, um senhor de 65 anos que preferiu não ser identificado, nomeou como “bando de maconheiros” membros do movimento grevista.

“Ao invés de todo mundo agradecer porque finalmente temos agora um hospital aguardado há décadas, esse bando de maconheiros aproveita da situação que governador está na cidade para berrarem igual animais. É lamentável”, disse. Outro munícipe, o enfermeiro Everton Carlos Medeiros de Lima, enalteceu a importância do hospital.”A expectativa é de que finalmente agora as pessoas tenham o tratamento digno que tanto merecem”.

Entre as principais reivindicações dos grevistas, estão reajuste salarial, ampliação das políticas de permanência estudantil e mudanças no modelo de financiamento das instituições. Hoje as universidades estaduais recebem 9,57% da arrecadação do ICMS. O percentual está congelado há 30 anos.

A comitiva que acompanha Tarcísio de Freitas em Franca é composta por Policiais Militares, responsáveis pelo serviço de “batedores” (escolta com motocicletas para abrir caminho e agilizar o trânsito da comitiva); Casa Militar que coordena toda a logística de movimentação e a proteção imediata do governador; Polícia Civil, que atua de forma velada (à paisana) com agentes de inteligência, entre outros membros de Defesa.

3 comments

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Thaís

Que título é esse? Sensacionalismo barato deslegitimando um movimento de trabalhadores e alunos pela educação superior de qualidade. Aliás, não vi nenhum repórter abordar os manifestantes! O movimento grevista nunca foi contra o hospital, ao contrario do Tarcísio que, diga-se de passagem, nem queria que ele fosse construído. Agora ele se aproveita para fazer campanha política e vocês acham bonito. Iludidos do jeito que ele gosta. Vergonha desse jornalismo vendido.

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    Da Redação

    NOTA DA REDAÇÃO

    Thaís Vianna, antes de mais nada, saiba que respeitamos o seu ponto de vista, embora dele discordemos veementemente. Pedimos vênia para esclarecer alguns pontos expostos de em seu comentário. Você leu a reportagem na íntegra ou se atentou exclusivamente ao título? Em algum momento do texto afirmamos que os “trabalhadores e alunos” — expressão utilizada por você mesma — são “maconheiros”? Há alguma afirmação nesse sentido feita pela reportagem? O termo ao qual você se refere foi utilizado por um entrevistado e, justamente por essa razão, aparece entre aspas. Da mesma maneira em que outros também foram ouvidos e o texto também os traz. A liberdade de expressão, assegurada pela Constituição de 1988, garante o livre direito de pensamento. Isto [também] é democracia ou estamos em um regime de exceção? Ainda que você discorde da declaração do entrevistado, trata-se exclusivamente da opinião dele. Da mesma forma, sua indignação representa apenas a sua opinião. Ao nosso ver, a manifestação dos grevistas da Unesp é legítima. A própria Constituição Federal assegura tal direito. Para nós, os manifestantes da Unesp aproveitaram a presença do governador Tarcísio de Freitas na cidade, durante a inauguração do Hospital Estadual, para chamar a atenção das autoridades e da sociedade para demandas relacionadas à educação superior. Agora, o fato de você não ter visto “nenhum repórter abordar os manifestantes” não quer dizer que isso não ocorreu. Basta ler todo o texto Thaís. Nele são expostos os motivos da paralisação e as principais reivindicações. Por fim, a Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de imprensa, o que inclui, entre outros aspectos, a autonomia editorial. No Pulsar Notícias, pautamos nosso trabalho pela ética, pelo compromisso com a informação, pelo respeito à pluralidade de opiniões e pelo direito ao livre pensamento — prova disso é que seu comentário foi publicado integralmente, sem qualquer censura. A definição de um título de uma reportagem, Thaís Vianna, cabe ao repórter subordinado pelo editor-chefe. Dito isso, consideramos não ser “de bom tom” classificar nosso trabalho como “sensacionalismo barato”. Não cabe a este veículo determinar o que é bonito ou feio, certo ou errado. Quando se referiu a “vergonha deste jornalismo vendido”, foi a nossa forma de reportar? Se sim, você precisa acessar mais o Pulsar Notícias. Nossa função é informar os fatos, ouvir os diferentes lados envolvidos e apresentá-los ao público de forma transparente para que cada um tire suas próprias conclusões. E foi exatamente isso que fizemos.