A forte carga emocional que acompanha os jogos da Copa do Mundo – sobretudo os da Seleção Brasileira – pode representar um verdadeiro teste para cardíaco, como literalmente afirma em suas narrrações o icônico Galvão Bueno. E segundo a medicina, ele tem razão. Durante os 90 minutos de uma partida decisiva, a tensão e a expectativa disparam respostas físicas automáticas, como a elevação brusca da pressão arterial, o aumento dos batimentos cardíacos e a liberação massiva de hormônios do estresse, a exemplo da adrenalina.
Segundo a cardiologista Adrielle Naves, embora essas reações fisiológicas sejam naturais diante da paixão pelo futebol, elas exigem cuidado redobrado de pessoas que já possuem fatores de risco ou convivem com doenças cardiovasculares prévias.
“Em momentos de intensa tensão emocional, há aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, elevando o esforço do coração”, explica.
O alerta médico ganha urgência para torcedores com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão, arritmias, diabetes ou colesterol elevado. Pessoas que se enquadram em quadros de obesidade, tabagismo, sedentarismo ou que possuem parentes de primeiro grau com doenças cardíacas precoces também lideram o grupo de atenção.
A especialista detalha que o perigo é potencializado por hábitos comuns nos dias de jogos, como o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a ingestão de petiscos excessivamente gordurosos e ricos em sódio. Esses fatores combinados funcionam como um gatilho para descompensar a pressão e favorecer eventos agudos.
“Dor torácica que pode irradiar para os membros superiores, pescoço, mandíbula ou costas, falta de ar, palpitações, tontura, sudorese e desmaio são sinais de alarme e podem indicar um evento cardiovascular agudo. Além da carga emocional dos jogos, alguns hábitos comuns entre os torcedores também podem aumentar os riscos”, afirma Adrielle.
Reconhecer os sinais de socorro emitidos pelo organismo durante a comemoração ou o sofrimento no dial ou na TV é vital para salvar vidas. Os principais sintomas de alarme que exigem atendimento médico imediato são dores ou opressão no peito — que podem irradiar para os braços, pescoço, mandíbula ou costas —, além de falta de ar, palpitações fortes, tontura, suor frio excessivo e desmaios. A cardiologista lembra que atrasos na busca por ajuda podem agravar o prognóstico do paciente. “Na cardiologia, tempo é vida e faz diferença na recuperação”, pontua Adrielle.
O acompanhamento preventivo com exames de rotina antes dos períodos de grandes competições esportivas segue sendo a melhor estratégia para garantir que a única preocupação do torcedor seja o placar dentro de campo.
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