Nas livrarias e nas redes sociais, a cobrança é quase sempre a mesma: “Você precisa criar um propósito para a sua vida”. Essa frase, que deveria trazer motivação, costuma gerar um peso enorme. Ficamos parados, olhando para o teto, tentando inventar do zero uma missão grandiosa que dê significado aos nossos dias. É uma pressão injusta e, no fundo, errada.
O médico e psiquiatra Viktor Frankl trazia uma perspectiva muito mais realista e libertadora: nós não inventamos o sentido da vida; nós o encontramos.
Isso muda completamente o jogo. Significa que o sentido da vida não é uma ideia abstrata que você precisa fabricar na sua cabeça em um momento de pura inspiração. Ele não está no futuro, esperando que você se torne uma pessoa perfeita. Ele está no presente, nas pequenas e grandes convocações que a realidade faz a você agora.
A vida não é um monólogo onde você dita as regras. Ela é um diálogo. No dia a dia, ela nos faz perguntas o tempo todo através dos fatos: um trabalho acumulado na mesa, um filho que precisa de atenção, um amigo que passa por uma dificuldade, ou até mesmo uma crise financeira que bate à porta.
A pergunta correta nunca é “O que eu quero da vida?”, mas sim “O que a vida está exigindo de mim neste exato momento?”.
O sentido é a resposta concreta que você dá a essas situações. Ele se esconde nos detalhes. Quando você decide fazer o seu trabalho bem-feito mesmo estando cansado, você encontrou um sentido. Quando escolhe ouvir alguém com paciência em vez de reagir com grosseria, você deu uma resposta com direção.
Você não precisa de uma vida sem problemas para ter uma vida com propósito. Precisa apenas de atenção para escutar o que a realidade está lhe pedindo e de coragem para agir. Se você quer calibrar a sua bússola interna, pare de tentar criar um destino perfeito. Olhe para o seu dia de hoje, encare o que está na sua frente e responda com maturidade. O sentido já está aí. Você só precisa parar de inventar e começar a procurar.
Bússola do Sentido
É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática. Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.
Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.
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