O espelho do campo: o que a derrota da seleção nos ensina

A seleção brasileira nos convida, mais uma vez, ao divã coletivo. Para quem, como eu, acompanha o futebol de perto há 28 anos, desde o fatídico trauma de 1998, o roteiro atual traz uma sensação incômoda de déjà vu. A expectativa do torcedor é sempre mística, quase infantil: acreditamos que o talento bruto e o improviso genial serão suficientes para vencer o mundo. A realidade, contudo, é implacável.

O que vimos em campo nesta Copa não foi um acidente de percurso, mas o resultado previsível de um processo desordenado. Como exigir maturidade emocional de um elenco quando os bastidores da CBF são marcados por uma bagunça política crônica? Ninguém colhe estabilidade onde semeou o caos administrativo. O futebol moderno mudou, mas a nossa gestão estrutural e psíquica continua presa ao passado.

É no fator psicológico que o jogo verdadeiramente se decide. A técnica ganha partidas isoladas, mas é a estrutura interior que sustenta campeonatos. Quando a pressão aumenta e o sofrimento da adversidade bate à porta, o time sem eixo desmorona. O colapso não é por falta de pernas, mas por falta de um sentido claro e de resiliência coletiva.

Diante do tombo, entra em cena o comportamento típico do brasileiro emocional: a busca incessante por um bode expiatório. Elegemos um culpado único, seja o técnico, o zagueiro ou o juiz, para aliviar o peso da nossa frustração. Essa terceirização da culpa é um mecanismo de defesa primitivo; usamos o erro do outro como escudo para não encarar a complexidade do problema.

Mas a crônica esportiva só ganha valor quando se torna um espelho para a nossa própria existência. A vida imita o campo. Quando os seus planos fracassam e você enfrenta o seu próprio “7 a 1”, qual é a sua postura? Você consome seus dias procurando culpados externos ou assume a responsabilidade de ordenar o caos da sua própria história?

Amadurecer exige suportar a frustração e transformar o sofrimento da perda em autoconhecimento. A derrota só se torna um desperdício definitivo se você se recusar a aprender com ela. Não use os seus tropeços como desculpa para parar, mas como um chamado urgente para construir uma estrutura interna mais forte e orientada ao sentido.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática. Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo.

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Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

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