Mulheres são maioria entre consumidores endividados

Os dados mais recentes mostram que as mulheres já são maioria entre os brasileiros inadimplentes.

De acordo com a Serasa, em maio de 2026, as mulheres representavam 50,5% das pessoas inadimplentes no país. Na comparação com maio de 2025, a inadimplência feminina cresceu 9,2%, ante 7,8% entre os homens. Uma pesquisa complementar da instituição, divulgada em julho de 2026, apontou que 81% das mulheres não tinham reserva de emergência, contra 68% dos homens, e que apenas 17% delas conseguiam pagar todas as contas e ainda guardar dinheiro.

Na região de Ribeirão Preto (SP), as mulheres são maioria entre os consumidores endividados ouvidos pela Acordo Certo que apostam em bets: representam 50,6% da amostra, índice 8 pontos percentuais acima da média nacional, divulgada pelo relatório “Mulheres e Bets”. O levantamento também aponta uma presença expressiva de pessoas com 55 anos ou mais, que correspondem a 35,4% dos entrevistados que afirmaram ter utilizado esse tipo de serviço recentemente.

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De acordo com a Serasa, em maio de 2026, as mulheres representavam 50,5% das pessoas inadimplentes no país – Foto: Freepik

As plataformas também passaram a disputar espaço com outras prioridades do orçamento. Para 14% dos entrevistados, o jogo é uma forma de obter recursos, enquanto 63,6% afirmam que, caso tivessem ganhos, usariam o valor para pagar dívidas. A faixa de renda familiar entre dois e quatro salários mínimos concentra 32,9% dos participantes. Um terço está negativado e 43,9% estimam ter mais de R$ 5 mil em dívidas.

Quando a aposta aparece como uma saída para pagar uma dívida ou fechar as contas do mês, ela deixa de ser apenas uma decisão de consumo e passa a concorrer diretamente com o dinheiro destinado às necessidades da família. O problema é que a promessa de ganho rápido pode fazer com que a pessoa coloque ainda mais recursos em uma situação financeira que já está fragilizada”, afirma Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Acordo Certo.

O impacto aparece de forma concreta. Nos últimos 12 meses, 9,7% dos entrevistados afirmaram ter deixado de pagar uma conta ou recorrido a empréstimo, cheque especial ou cartão para colocar dinheiro nas plataformas. Em um mês ruim, 37% disseram que atrasam dívidas ou contas básicas. Entre os que tentaram reduzir ou parar de apostar, 22,6% afirmam que não conseguiram.

Segundo Cavalheiro, a presença de mulheres e pessoas com mais de 55 anos amplia o debate sobre os diferentes públicos que passaram a acessar as plataformas.

“Talvez o dado mais importante seja justamente mostrar que não existe um único perfil. São pessoas que podem chegar às apostas por razões diferentes, mas que estão sujeitas ao mesmo risco de transformar uma expectativa de ganho em mais uma fonte de pressão sobre o orçamento. Quando o jogo passa a disputar espaço com despesas básicas ou com o pagamento de dívidas, os reflexos podem alcançar toda a família”, explica.

Os cassinos online são a modalidade mais citada entre os entrevistados. Jogos como Tigrinho, Dragão e similares foram mencionados por 58,1% dos participantes, enquanto as apostas em resultados esportivos representam menos de 1%. A entrada nesse universo também é recente para boa parte do público. Entre os participantes, 61,3% afirmam apostar há menos de seis meses, 54,8% jogam algumas vezes por mês e 67,7% gastam até R$ 50 mensais.

A experiência com as plataformas também envolve outros tipos de problemas. Quase metade (48,1%) dos entrevistados que já apostaram afirma ter se sentido enganada por uma plataforma ou influenciador. Entre as situações relatadas estão não receber o ganho, ter a conta bloqueada ou cair em golpes.

A pesquisa ouviu 237 pessoas entre 31 de julho e 28 de setembro de 2026, em 21 municípios da região de Ribeirão Preto: Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho, Araraquara, Barretos, Bebedouro, Jaboticabal, Batatais, Pontal, São Joaquim da Barra, Taquaritinga, Monte Alto, Jardinópolis, Serrana, Orlândia, Ituverava, Guaíra, Guariba, Pitangueiras, Cravinhos e Barrinha.

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