Antes de existir na realidade, existe dentro de nós
Olá músico! Antes de existir na realidade, existe dentro de nós. Quando pensamos em realização, normalmente pensamos no resultado.
A empresa que deu certo. O projeto concluído. A casa comprada. A viagem realizada. A mudança de carreira. A conquista que, depois de acontecer, parece quase óbvia.
Mas existe uma parte da realização que raramente enxergamos: o momento em que aquilo ainda não existia.
Antes de qualquer resultado concreto, existe uma ideia. Existe uma imagem mental de algo que ainda não aconteceu, mas que já ocupa algum espaço dentro de nós.
E talvez seja justamente aí que toda realização comece. O desejo como ponto de partida
Freud dedicou grande parte de sua obra à compreensão do desejo e da vida psíquica. Para a psicanálise, o desejo não é simplesmente uma vontade passageira. Ele está relacionado àquilo que nos movimenta internamente e à maneira como nos relacionamos com a realidade.
Isso nos leva a uma constatação bastante simples: é difícil construir aquilo que sequer conseguimos imaginar.
Antes de existir uma realidade externa, frequentemente existe uma representação interna dela. Alguém precisa imaginar uma empresa antes de fundá-la, visualizar uma mudança antes de iniciá-la ou conceber uma possibilidade antes de decidir persegui-la.
Isso, evidentemente, não significa que pensar em alguma coisa seja suficiente para realizá-la. Entre desejar e conquistar existe um longo processo.
Sonho não é realização. Existe uma diferença importante entre sonhar e construir. O sonho apresenta uma possibilidade; a realidade exige ação.
Napoleon Hill, em A Filosofia do Sucesso, coloca o desejo definido como um dos pontos fundamentais para a realização. A ideia é que um desejo claro pode se transformar em propósito e, a partir daí, orientar decisões e esforços.
Essa diferença é fundamental. Querer alguma coisa é diferente de decidir persegui-la. Quando um desejo ganha clareza, ele começa a influenciar nossas escolhas. Passamos a identificar oportunidades que antes talvez não percebêssemos, procuramos adquirir conhecimento, reorganizamos prioridades e, muitas vezes, aceitamos abrir mão de algumas coisas para alcançar outras.
O desejo deixa de ser apenas uma vontade e passa a funcionar como direção.
O desejo aponta para onde queremos ir. A disciplina determina o quanto estamos dispostos a caminhar.
A parte que ninguém vê. Existe ainda outro aspecto das realizações que costuma ser ignorado: o processo quase nunca é linear. Quando vemos alguém conquistando alguma coisa, enxergamos o momento da chegada. Não enxergamos todas as vezes em que aquela pessoa precisou começar novamente, rever decisões, lidar com erros ou continuar mesmo quando o resultado parecia distante.
A realidade tem uma característica curiosa: ela costuma mostrar o resultado de um processo, mas esconde boa parte do processo que produziu aquele resultado.
Por isso, comparar a nossa realidade atual com a realidade pronta de outra pessoa pode ser uma comparação bastante injusta. Estamos olhando para o nosso caminho enquanto enxergamos apenas o ponto de chegada do outro.
É preciso lutar pelo que realmente importa. Falar sobre realização também significa falar sobre esforço. Não existe garantia de que todo sonho será realizado. A vida é atravessada por circunstâncias que não controlamos, por limitações, imprevistos e acontecimentos capazes de alterar nossos planos.
Mas existe uma parte que nos pertence: a decisão de tentar, a disposição de aprender, a capacidade de insistir e a coragem de mudar de estratégia quando a primeira tentativa não funciona.
É preciso dar o nosso máximo por aquilo que realmente desejamos.
Não porque o esforço seja uma garantia de sucesso, mas porque nenhuma grande realização acontece sem que, em algum momento, alguém tenha decidido levar aquele desejo a sério.
Talvez seja justamente isso que dê tanto valor a determinadas conquistas. Não necessariamente o tamanho delas aos olhos dos outros, mas a quantidade de esforço, tempo e persistência que sabemos ter colocado para que elas se tornassem possíveis.
Toda realidade já foi uma possibilidade
Se olharmos para a nossa própria história, provavelmente encontraremos coisas que hoje fazem parte da nossa vida e que, em algum momento, pareciam distantes.
Talvez tenham começado com uma conversa, uma decisão, uma oportunidade ou simplesmente com a percepção de que queríamos alguma coisa diferente.
Com o tempo, aquilo que antes existia apenas como possibilidade foi ganhando forma por meio das nossas escolhas.
É interessante perceber que aquilo que hoje chamamos de realidade já foi, um dia, apenas uma possibilidade.
E isso muda a maneira como olhamos para o futuro.
Algumas das coisas que desejamos ainda não fazem parte da nossa realidade porque ainda estão no começo de um processo que depende de nós para avançar. Não sabemos se todas chegarão ao destino que imaginamos, mas sabemos que nenhuma delas chegará se nunca decidirmos começar.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “o que eu quero conquistar?”
Talvez seja: “O que eu estou disposta a fazer para transformar aquilo que desejo em realidade?”
Porque sonhar é importante. Desejar é importante. Imaginar uma vida diferente é importante. Mas chega um momento em que o sonho precisa encontrar a realidade.
E é justamente nesse encontro entre aquilo que imaginamos e aquilo que estamos dispostos a fazer que muitas das nossas maiores realizações começam a nascer.
Antes de existir no mundo, toda realização precisa existir em algum lugar dentro de nós.
Reflexões da Dani
Tem como objetivo retratar o cotidiano do músico de forma verdadeira e leve, compartilhando experiências e inquietações que surgem entre ensaios, palcos, estudos e silêncios…

Dani Oliveira
Graduada em Gestão Financeira, especialista em Tráfego Pago, apaixonada por Marketing e COO da Musixe. Ela trabalha para aproximar alunos da música de forma acessível, humana e prática, valorizando tanto a técnica quanto a vivência artística.
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