Tratamento do câncer de mama evolui no país

O tratamento do câncer de mama tem avançado no Brasil com técnicas cirúrgicas menos agressivas, exames mais precisos e medicamentos capazes de atuar sobre características específicas dos tumores. As mudanças permitem que parte das pacientes seja submetida a procedimentos que preservam mais tecido mamário, enquanto novas terapias ampliam as opções para diferentes estágios da doença.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a escolha do tratamento depende do estágio do tumor, de suas características biológicas e das condições clínicas de cada paciente.

O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres no Brasil e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados mais de 70 mil novos casos em 2025. A boa notícia é que a taxa de sobrevida tem aumentado, impulsionada por diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes.

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Entre os avanços, destacam-se a terapia alvo, que age especificamente nas células doentes, e a imunoterapia, que fortalece o sistema imunológico do paciente para combater o câncer. Além disso, novas técnicas cirúrgicas, como a mastectomia poupadora de pele e o uso de reconstrução mamária imediata, têm reduzido o impacto físico e emocional do tratamento.

Recuperação é mais rápida com tratamento precoce – Foto: Freepik

Uma das principais mudanças está na possibilidade de retirar apenas o tumor e uma margem de tecido ao redor, preservando o restante da mama quando as condições clínicas permitem. Essa abordagem, conhecida como cirurgia conservadora, pode ser indicada principalmente em casos diagnosticados em estágios iniciais. A mastectomia, que consiste na retirada de toda a mama, continua necessária em determinadas situações, como quando a extensão da doença impede uma cirurgia conservadora segura.

Outra evolução é a cirurgia oncoplástica, que combina a retirada do tumor com técnicas de cirurgia plástica para reconstruir ou remodelar a mama. Quando há indicação de mastectomia, a reconstrução mamária também pode ser considerada, inclusive no mesmo procedimento cirúrgico, conforme as condições da paciente e a avaliação da equipe médica. O objetivo é tratar a doença com segurança e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos físicos e emocionais associados à cirurgia.

Exames e medicamentos ajudam a personalizar a terapia

Os avanços também começam antes da cirurgia. A biópsia por agulha, guiada por exames de imagem quando necessário, permite obter amostras do tecido suspeito sem recorrer inicialmente a uma operação para retirar a lesão. A análise do material ajuda a identificar o tipo de tumor e marcadores biológicos que orientam a escolha terapêutica.

Em determinados casos, medicamentos são utilizados antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor e aumentar a possibilidade de preservar a mama. Esse tratamento pré-operatório, chamado de neoadjuvante, pode envolver quimioterapia, hormonioterapia ou terapias direcionadas, dependendo do subtipo da doença. A decisão é individualizada: nem todas as pacientes precisam dos mesmos medicamentos, e a redução do tumor não elimina automaticamente a necessidade de cirurgia ou radioterapia.

As terapias-alvo representam outra frente de evolução. Elas atuam sobre características específicas das células tumorais, como a proteína HER2, presente em determinados subtipos de câncer de mama. Em maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação do trastuzumabe deruxtecana, em combinação com pertuzumabe, para determinados pacientes adultos com câncer de mama HER2-positivo avançado ou metastático.

Ilustração explica como são as células cancerígenas – Foto: Reprodução

Em setembro, a agência também aprovou novas indicações do medicamento camizestranto para um grupo específico de pacientes com doença avançada ou metastática e mutação no gene ESR1. Essas decisões ampliam as opções terapêuticas, mas não significam que os medicamentos estejam automaticamente disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

A médica oncologista Carla Mendes, do Hospital A.C. Camargo, ressalta que a humanização no atendimento também tem feito a diferença. “Hoje, conseguimos tratar o câncer de mama com menos sofrimento, mais acolhimento e resultados cada vez melhores.”

O diagnóstico precoce ainda é a principal arma contra a doença. Campanhas como o Outubro Rosa têm contribuído para a conscientização da população sobre a importância do autoexame e da mamografia anual, especialmente após os 40 anos.

Com os avanços, a expectativa é que mais pacientes consigam manter uma vida plena mesmo durante o tratamento.

“É possível viver com qualidade mesmo após o diagnóstico de câncer. Com o apoio da família, acesso a bons profissionais e informação correta, o caminho é menos doloroso e muito mais esperançoso”, conclui a oncologista.

Diagnóstico precoce continua sendo decisivo

Apesar dos avanços, o momento em que a doença é identificada continua sendo determinante para as possibilidades de tratamento. O INCA estima cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama no Brasil em 2025, conforme levantamento divulgado naquele ano. A instituição ressalta que o diagnóstico em fases iniciais aumenta o potencial de tratamento curativo.

O acesso aos exames e à assistência especializada, porém, ainda representa um desafio. O relatório do INCA publicado em 2025 identificou desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além da necessidade de aprimorar a organização da rede de atendimento. Portanto, a evolução das técnicas médicas precisa caminhar junto com a oferta de mamografias, a investigação rápida de alterações suspeitas e o início oportuno da terapia.

Menos invasivo não significa ausência de riscos ou de efeitos colaterais. A melhor estratégia depende do diagnóstico, das características do tumor e das condições de cada pessoa. Por isso, a avaliação por uma equipe especializada é essencial para definir a combinação mais adequada de cirurgia, medicamentos e radioterapia, com atenção tanto ao controle da doença quanto à qualidade de vida.

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