Exportações de milho perdem força e desafiam mercado
O Brasil enfrenta um cenário de desaceleração nas exportações de milho em 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o país embarcou aproximadamente 19,7 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, volume 15,5% inferior às 23,31 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2025. A perda de ritmo aumenta o desafio para o cumprimento das projeções do setor e pode ampliar a disponibilidade do cereal no mercado interno.
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A retração ficou mais evidente no terceiro trimestre, período em que normalmente ganha força o escoamento da segunda safra brasileira. Entre julho e setembro, foram exportadas 11,81 milhões de toneladas, ante 16,85 milhões no mesmo intervalo do ano anterior. A diferença ultrapassa cinco milhões de toneladas, uma redução próxima de 30%.
Exportações de milho recuam em setembro
O resultado de setembro reforçou a tendência de queda. Segundo os dados da Secex, o Brasil exportou 5,21 milhões de toneladas no mês, contra 7,56 milhões em setembro de 2025, recuo de 31,08%.
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A receita obtida com os embarques também diminuiu. As vendas externas renderam US$ 1,24 bilhão, ante US$ 1,50 bilhão no mesmo mês do ano passado, queda de 17,04%. A redução do faturamento foi menor que a do volume porque o preço médio da tonelada avançou de US$ 198,45 para US$ 238,88, alta de 20,37%.
O comportamento indica que, embora o país tenha embarcado menos milho, a valorização do produto no mercado internacional ajudou a compensar parte da perda de volume.
Outubro mantém ritmo abaixo do ano passado
Os dados parciais de outubro apontaram continuidade da diferença em relação a 2025. Nos primeiros 16 dias úteis do mês, o Brasil exportou aproximadamente 4,15 milhões de toneladas de milho, conforme atualização da Secex divulgada em 26 de outubro.
A média diária ficou em torno de 259,6 mil toneladas, 12,1% abaixo das 295,5 mil toneladas registradas por dia em outubro do ano passado. O ritmo apresentou estabilidade na quarta semana do mês, mas ainda não indicava recuperação suficiente para eliminar a diferença.
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Apesar do volume menor, o preço médio da tonelada exportada estava cerca de 14,8% acima do registrado no mesmo período de 2025. Com isso, a receita média diária das exportações permanecia aproximadamente 0,9% superior à do ano anterior.
Os números de outubro são parciais e não representam o resultado fechado do mês. A programação de embarques divulgada pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) também deve ser interpretada separadamente, pois considera cargas previstas para embarque, que podem sofrer alterações operacionais.
Mercado interno pode sentir aumento da oferta

A desaceleração das exportações de milho também tem reflexos sobre o mercado doméstico. Quando uma parcela menor da produção é direcionada ao exterior, aumenta a disponibilidade do cereal no país, o que pode pressionar os preços e reduzir a liquidez em determinadas regiões produtoras.
Esse efeito, entretanto, não ocorre de maneira uniforme. A demanda das indústrias de ração, dos setores de processamento e das usinas de etanol de milho varia conforme a localização, a capacidade de consumo e as condições logísticas de cada região.
Para produtores, cooperativas e comerciantes, o ritmo das exportações é um dos fatores acompanhados na formação dos preços. A capacidade de armazenagem, o custo do transporte e a distância dos portos também influenciam a decisão entre vender no mercado interno ou aguardar oportunidades de comercialização.
Dados do Governo Federal indicam que o país vendeu para o exterior cerca de US$ 8,5 bilhões em mercadorias, 5% a mais que no ano anterior. O avanço foi puxado pelos aumentos do preço médio e também do volume embarcado, que se aproximou de 41 milhões de toneladas.
Meta de exportação exige aceleração nos próximos meses
O desempenho dos embarques aumenta a pressão sobre o programa exportador brasileiro. Para alcançar uma movimentação de aproximadamente 38 milhões de toneladas no ciclo, o país precisaria exportar cerca de 17 milhões de toneladas entre novembro, dezembro e janeiro.
A estimativa apresentada pelo analista de mercado Eduardo Vanin considera embarques próximos de seis milhões de toneladas em novembro, outros seis milhões em dezembro e aproximadamente cinco milhões em janeiro.
O cumprimento dessa projeção dependerá da demanda internacional, da competitividade do milho brasileiro e das condições de transporte e embarque nos portos. As próximas atualizações da Secex deverão indicar se o país conseguirá recuperar parte do volume perdido ao longo do segundo semestre.
Para o agronegócio, o cenário exige atenção tanto ao mercado externo quanto à comercialização interna. A evolução das exportações de milho será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda, especialmente em um período de planejamento da próxima safra e de definição das estratégias de venda pelos produtores.
Soja

A exportação de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa, fechou o ano passado em um recorde de 108,68 milhões de toneladas, com crescimento de 11,7% na comparação com 2024, de acordo com dados da agência marítima Cargonave.
As exportações de farelo de soja também atingiram um patamar recorde acima de 23,07 milhões de toneladas em 2025, versus 22,84 milhões da máxima histórica anterior, registrada em 2024. O Brasil é um dos maiores exportadores globais de farelo de soja e milho.
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