Advogado do caso Matsunaga estará em Franca
O professor e advogado criminalista Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso, notório em casos de repercussão nacional — como o emblemático Elize Matsunaga —, estará em evento promovido pela OAB Franca, no próximo dia 17 de setembro, às 19 horas, no Salão Nobre da Casa da Advocacia. D’Urso trará a perspectiva de quem viveu na prática os desdobramentos de uma ostensiva cobertura de imprensa.
A palestra “Imprensa e Justiça: limites e responsabilidades na cobertura criminal” propõe um diálogo aprofundado sobre a ética do advogado e o papel transformador que o jornalismo investigativo e policial exercem na opinião pública.
O debate ganha relevância ao abordar o delicado equilíbrio entre a transparência da informação e o direito ao devido processo legal.
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Casos de grande comoção social demonstram que a intensa repercussão midiática tem o poder de influenciar a opinião pública e, por vezes, criar pressões capazes de impactar o andamento e as próprias decisões judiciais.
Por outro lado, o encontro colocará em pauta as rotineiras barreiras enfrentadas pelos profissionais de imprensa, como o acesso restrito a dados públicos, o sigilo de justiça e a urgência do tempo jornalístico diante da burocracia dos processos.
Além de Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso, que também foi presidente da OAB/SP, o painel contará com a visão do jornalismo, através de Kaique de Castro, que é produtor de jornalismo da EPTV, afiliada à Rede Globo, Castro trará o olhar das redações, a dinâmica do dia a dia da notícia e os obstáculos reais de acesso às informações policiais e judiciais sob o ritmo do jornalismo diário.
Complementa o ciclo o Juiz Diretor do Fórum de Franca, Dr. José Rodrigues Arimatéa, que vai apresentar a visão do Judiciário sobre a preservação da imparcialidade dos julgamentos em meio à espetacularização e como a magistratura lida com a pressão social e midiática

A mediação ficará a cargo do advogado e ex-presidente da OAB Franca, Dr. Acir de Matos Gomes, que conduzirá o painel partindo do reconhecimento do papel essencial da imprensa na garantia do Estado Democrático de Direito e na fiscalização dos atos públicos, mediando o diálogo com a advocacia e o magistrado.
A presidente da OAB Franca, Dra. Luiza Gomes Gouvêa, destaca a relevância deste alinhamento entre as categorias para a sociedade.
“A informação precisa e responsável é um pilar da democracia, mas a cobertura de casos criminais exige um equilíbrio muito delicado entre a liberdade de imprensa, o direito de resposta e as garantias fundamentais do cidadão, como a presunção de inocência. Alinhar esses limites e compreender as dificuldades tanto do jornalista que busca a notícia quanto do operador do Direito atende ao compromisso da OAB em fortalecer o diálogo social, garantindo que a busca pela verdade caminhe sempre lado a lado com a ética e a Justiça”, afirma.
O evento é aberto aos jornalistas, advogados e estudantes de direito.
Elize hoje

Elize Araújo Giacomini (ex-Elize Mastunaga), atualmente com 44 anos, vive em regime aberto (liberdade condicional), em Franca (SP), desde 2022, após deixar a Penitenciária de Tremembé. Elize já atuou como motorista de aplicativo usando o nome de solteira e trabalhou com confecção de roupas para pets.

Ela foi condenada pelo homicídio de Marcos Matsunaga, em 19 de maio de 2012. Marcos era herdeiro e diretor executivo da Yoki. O crime ocorreu no apartamento de luxo onde moravam ele com a esposa e a filha do casal, na capital paulista.
A Netflix possui duas produções principais sobre o caso de Elize Matsunaga: a série documental “Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime” (lançada em 2021) e o filme de ficção “Elize: Sombras de Uma Mulher” (lançado em julho de 2026).
De acordo com reportagem realizada pelo Portal G1 sobre o caso, o relacionamento atravessava um período de desgaste e suspeitas de infidelidade. Naquela noite, após o empresário retornar com uma pizza, o casal discutiu intensamente. Elize afirmou ter levado um tapa no rosto, sentido-se ameaçada e efetuado um disparo de arma de fogo contra o marido.
Após o disparo, o corpo foi esquartejado e as partes foram acondicionadas em malas e sacos plásticos, posteriormente abandonados em diferentes pontos da Grande São Paulo e na região de Cotia.
Presa semanas depois, Elize confessou o homicídio e a ocultação de cadáver, alegando ter agido sob desespero durante a briga. A acusação, contudo, sustentou a tese de crime planejado por vingança e motivação financeira, destacando o depoimento de uma babá que relatou a compra de uma serra elétrica pela ré na véspera do ato.

Serviço
Evento: Palestra “Imprensa e Justiça: Limites e Responsabilidades na Cobertura Criminal”
Data: 17 de setembro
Horário: 19h
Local: Salão Nobre da Casa da Advocacia Francana
Endereço: Av. Major Nicácio, 2401, Bairro São José.
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