A virtude da temperança contra o excesso moderno

A sociedade hiperconectada transformou o estímulo contínuo em regra e o limite em ofensa.

Cercados por apelos viscerais à satisfação imediata dos apetites, tornamo-nos escravos dos próprios impulsos sob o pretexto de viver intensamente.

A psicologia tomista adverte que quando o apetite concupiscível se emancipa da tutela da reta razão, a personalidade perde a sua harmonia interior e cai na desordem, tornando o sujeito fragmentado e refém do momento presente.

A temperança não deve ser confundida com frieza ou repressão estéril; ela é a guardiã da verdadeira liberdade interior.

Na perspectiva do desenvolvimento da personalidade proposta por Allport, o indivíduo maduro possui um direcionamento consciente que unifica sua conduta, impedindo que impulsos isolados assumam o controle da ação.

A temperança é essa medida justa que modera os desejos, permitindo que a vontade preserve sua dignidade e não se deixe arrastar pelo excesso que embota a inteligência.

Restaurar o domínio de si é o único caminho para reencontrar a clareza e a serenidade existencial.

Quem não sabe dizer “não” às inclinações imediatas é incapaz de sustentar um “sim” duradouro a uma vocação ou a um chamado autêntico. A sobriedade não nos empobrece; ela limpa o terreno da alma para que o ser humano consiga discernir, com lucidez e firmeza, aquilo que realmente possui valor perene.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática.

Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas-Cartaxo-2-Divulgacao-682x1024 Dignidade nas ruínas e a força humana

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

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