Opeth e Deep Purple trazem diferentes vertentes do rock
Alguns dos nomes mais importantes da história do heavy metal e do hard rock mundial passam pelo Brasil em 2026. Opeth e Deep Purple representam gerações diferentes do rock pesado e chegam ao país com repertrios que combinam clássicos de suas carreiras e trabalhos mais recentes.
As bandas carregam histórias marcadas por mudanças de formação, transformações musicais e episódios que provocaram debates entre fãs. Do power metal ao metal progressivo e hard rock, os shows permitem acompanhar diferentes caminhos percorridos pelo rock pesado ao longo de décadas.
Em novembro, será a vez do Opeth. A banda sueca apresenta a turnê The Last Will & Testament em 5 de novembro, na Ópera de Arame, em Curitiba, e em 6 de novembro, no Espaço Unimed, em São Paulo.
Formado em Estocolmo em 1990, o Opeth construiu uma identidade própria ao combinar elementos do death metal, rock progressivo, folk, jazz e música acústica. A banda passou por diversas mudanças de formação, mas tem no guitarrista e vocalista Mikael Åkerfeldt sua principal referência criativa.
O grupo ganhou projeção internacional com discos como Still Life (1999) e, principalmente, Blackwater Park (2001), produzido em parceria com Steven Wilson, do Porcupine Tree. Na sequência vieram trabalhos como Deliverance, Damnation, Ghost Reveries e Watershed.
Momento controverso
Um dos momentos mais controversos da carreira aconteceu em 2011, com o lançamento de Heritage. O álbum abandonou praticamente por completo os vocais guturais e boa parte da sonoridade de death metal que havia marcado os trabalhos anteriores.
A mudança dividiu os fãs. Enquanto parte do público esperava a continuidade do metal extremo, Åkerfeldt passou a explorar de maneira mais intensa o rock progressivo dos anos 1970, com teclados, passagens instrumentais e estruturas mais próximas de bandas clássicas do gênero.
A transformação, entretanto, não significou o fim do Opeth. O grupo continuou lançando álbuns como Pale Communion, Sorceress, In Cauda Venenum e, mais recentemente, The Last Will & Testament.
Um álbum conceitual para a nova turnê
Lançado em 2024, The Last Will & Testament é o 14º álbum de estúdio do Opeth. O trabalho apresenta uma narrativa conceitual centrada em uma família, seus segredos, conflitos e relações marcadas por revelações.
O disco também representa uma aproximação com características de diferentes fases da banda. Os elementos progressivos continuam presentes, mas os vocais extremos voltam a aparecer depois de mais de uma década de ausência.
O álbum conta ainda com participações especiais. Ian Anderson, líder do Jethro Tull, participa com flauta e voz falada, enquanto Joey Tempest, vocalista do Europe, aparece nos vocais de apoio. A presença dos dois músicos estabelece uma ligação entre o Opeth e diferentes gerações do rock europeu.
Deep Purple encerra sequência em dezembro
A programação internacional termina com o Deep Purple, que faz uma apresentação única no Brasil em 5 de dezembro, na Suhai Music Hall, em São Paulo.
Com mais de 100 milhões de álbuns vendidos, o grupo inglês está entre os nomes fundamentais para a formação do hard rock. A banda foi criada no fim dos anos 1960 e alcançou uma de suas fases mais influentes com a formação conhecida como Mark II, que reunia Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Jon Lord, Roger Glover e Ian Paice.
Foi essa formação que gravou alguns dos trabalhos mais importantes da carreira, como Deep Purple in Rock (1970), Fireball (1971), Machine Head (1972) e o clássico álbum ao vivo Made in Japan (1972).
Machine Head trouxe “Smoke on the Water”, uma das músicas mais conhecidas da história do rock. Já “Highway Star” tornou-se referência pela combinação de velocidade, guitarra e teclado, enquanto “Child in Time” mostrou a potência vocal de Gillan.
As brigas também fazem parte da história
A trajetória do Deep Purple é marcada por constantes mudanças de formação. As relações entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore, em particular, passaram por períodos de tensão, contribuindo para diferentes rupturas e reformulações do grupo.
A formação clássica voltou a se reunir em 1984 para o álbum Perfect Strangers, mas a estabilidade não durou indefinidamente. Blackmore deixou definitivamente o Deep Purple em 1993, abrindo espaço para outras formações.
Apesar das divergências, a relação entre os músicos também teve momentos de reaproximação. Em 2026, Blackmore chegou a participar de uma apresentação do Deep Purple nos Estados Unidos, tocando “Smoke on the Water” ao lado de antigos companheiros. O episódio foi descrito por Ian Gillan como uma demonstração pública de amizade e de boas lembranças, sem anúncio de uma nova reunião permanente.
A atual formação do Deep Purple reúne Ian Gillan nos vocais, Roger Glover no baixo, Ian Paice na bateria, Don Airey nos teclados e Simon McBride na guitarra.
O repertório da apresentação brasileira deve reunir clássicos como “Smoke on the Water”, “Highway Star” e “Perfect Strangers”, além de músicas do álbum mais recente, =1, lançado em 2024.
A programação também ganhou a websérie Por Dentro do Rock, produzida pela Mercury Concerts, com histórias, informações e curiosidades sobre Helloween, Opeth e Deep Purple.
Para o público brasileiro, a sequência de apresentações reúne três diferentes capítulos da história do rock pesado: a velocidade e a melodia do power metal, a experimentação do metal progressivo e os riffs que ajudaram a definir o hard rock.
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