Golpe do falso advogado ganha novas formas em Franca
Clientes de escritórios de advocacia de Franca (SP) e de outras cidades estão sendo alvo de uma fraude em que criminosos se passam por advogados, funcionários de escritórios ou até representantes do Poder Judiciário para solicitar dinheiro. A prática, conhecida como golpe do falso advogado, utiliza informações verdadeiras de processos judiciais para dar aparência de legitimidade às abordagens. O alerta é da OAB SP.
A fraude costuma começar por WhatsApp.. O criminoso utiliza nome, fotografia, logotipo do escritório, número do processo, nomes das partes e informações sobre a ação judicial. Em seguida, informa que houve uma decisão favorável ou que determinado valor está disponível para recebimento, mas exige um pagamento antecipado para supostas custas, taxas, impostos ou liberação do dinheiro.
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A sofisticação aumentou. Em Franca, a OAB passou a alertar inclusive para o spoofing, técnica que permite falsificar a identificação de uma chamada telefônica. Assim, o celular do cliente pode mostrar o próprio número e até o nome do advogado salvo na agenda, embora a ligação esteja sendo feita por um criminoso.
A presidente da OAB Franca, Luiza Gôuvea, alerta que a nova forma de abordagem exige atenção de clientes e advogados. “Identificamos esse novo golpe e Franca e outras subseções estão em alerta. Estamos organizando uma divulgação ampla sobre os diferentes tipos de golpes para alertar a comunidade e os advogados. O golpe do falso advogado está cada vez mais sofisticado e, por isso, é importante que qualquer pedido de pagamento seja confirmado por outro canal oficial antes de qualquer transferência”, afirma.
Em alguns casos, os criminosos também utilizam chamadas de vídeo, documentos com aparência oficial, falsos alvarás e até tecnologia para reproduzir a voz do profissional. Em uma operação realizada em maio de 2026, a OAB SP e a Polícia Civil identificaram uma organização que, segundo as investigações, utilizava tecnologia para reproduzir a voz de advogados.
OAB SP cria força-tarefa

A OAB SP criou uma força-tarefa específica para enfrentar a fraude. A entidade informou que já havia catalogado mais de 4.700 denúncias em mais de um ano de atuação até março de 2026. O trabalho envolve prevenção, orientação, documentação dos casos, cooperação com autoridades policiais e tribunais e acompanhamento das denúncias.
A atuação começou a ganhar estrutura a partir de 2024. Em janeiro de 2025, a OAB SP anunciou a criação formal da força-tarefa depois de receber mais de 400 denúncias somente em 2024.
Em dezembro de 2025, a entidade informou ter recebido 3.977 denúncias entre fevereiro e setembro daquele ano, relacionadas ao uso indevido de credenciais de advogados em golpes pelo WhatsApp. Segundo a OAB SP, 76,3% dessas denúncias resultaram em perdas financeiras dos clientes abordados. Na ocasião, a Ordem ajuizou ação civil pública contra Meta, Anatel e operadoras de telefonia, pedindo medidas para dificultar a criação e utilização de perfis fraudulentos.
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Também foi levada à Polícia Federal uma denúncia sobre acessos automatizados aos sistemas judiciais. Segundo a entidade, foram identificadas mais de 200 mil consultas automatizadas a processos em apenas dois dia.
Em maio de 2026, a parceria entre a entidade e a Polícia Civil resultou na Operação SP Advocacia Mais Segura. Segundo a Ordem, a organização investigada teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em seis meses. Foram expedidos dez mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão; oito pessoas haviam sido presas até a manhã da operação.
Em alerta permanente

Em Franca (SP), a OAB Franca também criou uma frente específica de combate à fraude. A subseção mantém uma Comissão de Combate ao Falso Advogado e disponibiliza cartilha com orientações para advogados e clientes.
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A entidade chegou até a realizar uma live aberta ao público com o conselheiro estadual Eduardo Ferrari para explicar o funcionamento da fraude e as formas de prevenção. No perfil do advogado, no Instagram, há o alerta sobre o golpe logo na foto principal.

Em seguida, a subseção reforçou a divulgação da cartilha do Falso Advogado. Entre as orientações estavam desconfiar de pedidos urgentes, não confiar apenas na fotografia do perfil, confirmar a identidade do profissional por outro canal e não realizar pagamentos solicitados de maneira suspeita.
Advogados também são vítimas da fraude
O golpe não é de hoje e também não atinge somente os clientes. Os próprios advogados têm nome, fotografia, número de inscrição profissional e informações de seus processos utilizados pelos criminosos.
A advogada Vanessa Guilherme alertou seus clientes, em publicação nas redes sociais, para “não fornecerem dados pessoais, senhas, códigos ou documentos e não realizarem pagamentos, depósitos, transferências ou Pix sem confirmar a informação pelos canais oficiais do escritório”.
A previdenciária Érika Valim, relatou em março de 2025 que um de seus clientes perdeu R$ 10 mil depois de receber contato de pessoas que se apresentaram como advogados. Outros dois clientes chegaram a procurar pessoalmente o escritório para confirmar a cobrança e evitaram prejuízos. Érika registrou boletim de ocorrência.
“Nosso escritório não solicita pagamentos por WhatsApp (Pix) relacionados a guias de processos judiciais. Um cliente foi ao nosso escritório com R$ 4 mil para realizar o pagamento, momento em que descobrimos o golpe. Outro cliente perdeu R$ 10 mil: ele fez um pagamento de R$ 7 mil via Pix e, em seguida, o restante do valor,” disse a advogada em entrevista a Nilson Fradique, do Portal GCN, preservando os nomes dos clientes.
Outro caso documentado envolve o advogado Rodrigo Luz. Em fevereiro de 2025, uma cliente dele recebeu mensagem de um número diferente do utilizado pelo profissional, com pedido de R$ 1.998,97 para suposto pagamento de certidões. O criminoso usou o nome e uma fotografia do advogado. A cliente desconfiou, confirmou a informação diretamente com Luz e não teve prejuízo financeiro. O advogado e a cliente registraram a ocorrência.
Em Mirassol (SP), a advogada Geovana Costa da Silva teve nome e imagem utilizados por criminosos que procuravam clientes de seu escritório para solicitar depósitos. Depois de tentar solucionar o problema administrativamente, ela recorreu à Justiça. O caso terminou com decisão determinando indenização de R$ 10 mil contra a empresa responsável pela plataforma, segundo reportagem especializada que acompanhou o processo.
O que o cliente deve fazer para evitar o golpe

A principal recomendação é não agir sob pressão. Se surgir uma mensagem dizendo que existe dinheiro a receber e que é necessário pagar uma taxa imediatamente, a conversa deve ser interrompida até que a informação seja confirmada.
O cliente deve ligar para o número que já possui do advogado ou do escritório, e não para o telefone fornecido na mensagem suspeita. Também pode confirmar a informação pessoalmente.
A OAB recomenda ainda utilizar a plataforma ConfirmADV, criada pela OAB Nacional. A ferramenta permite verificar a identidade de um advogado por meio do número de inscrição na OAB, Estado e e-mail profissional cadastrado.
Quem realizou um pagamento deve preservar imediatamente prints das conversas, números de telefone, documentos enviados pelos criminosos, comprovantes de Pix, dados das contas destinatárias, áudios e demais informações. A OAB Franca orienta a registrar boletim de ocorrência e procurar orientação jurídica. Em relação ao Pix, a cartilha da subseção também recomenda procurar o banco para solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e comunicar a instituição financeira que recebeu os valores.
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