Nova configuração do legislativo deixa veteranos de fora
Os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 reconfiguraram o Congresso Nacional, deixando veteranos de fora. A apuração oficial revela acentuada expansão das bancadas de direita e de centro-direita — puxada pelo Partido Liberal (PL).
Na Câmara dos Deputados, a federação formada por PT, PCdoB e PV obteve 88 cadeiras para a legislatura que se inicia em 2027. O resultado representa um acréscimo de 6 vagas em relação às 82 conquistas obtidas pelo bloco nas eleições de 2022. Isoladamente, o PT assegurou 70 parlamentares, mantendo-se como o segundo maior partido da Casa.
Já a Federação PSOL–Rede sofreu retração, encolhendo em comparação ao pleito anterior e somando 12 cadeiras. Quando somados todos os partidos do espectro progressista e de centro-esquerda — incluindo PSB e PDT —, são aproximadamente 125 deputados federais.
O volume representa menos de 25% da totalidade dos 513 assentos da Câmara, o que restringe substancialmente a capacidade de barrar propostas do campo conservador sem uma ampla composição ao centro.
Por outro lado, o Partido Liberal consolidou a maior bancada da Câmara dos Deputados ao eleger 121 parlamentares, ante os 97 eleitos em 2022. A expansão do PL, aliada ao desempenho de blocos de centro e da direita tradicional — como o União Progressista (fusão estratégica ou bloco entre União Brasil e PP, com 87 cadeiras), além de PSD (43), Republicanos (41) e MDB (36) —, assegurou uma hegemonia expressiva do espectro conservador.
A oposição ao campo progressista e os partidos de centro somam juntos mais de três quintos da Casa, margem suficiente para aprovar Projetos de Lei Complementar e Pessoas Emendadas à Constituição (PECs) sem depender do apoio de legendas da esquerda.
Senado

No Senado Federal, onde dois terços das 81 cadeiras estavam em disputa (54 vagas), o redesenho político mostrou-se ainda mais favorável à oposição. O PT elegeu 6 senadores nas urnas e passará a contar com uma bancada de 9 parlamentares a partir de 2027.
Embora o partido tenha mantido o tamanho total do seu grupo na Casa Alta por conta dos mandatos remanescentes, o crescimento do PL superou as estimativas mais otimistas. A legenda do candidato Flávio Bolsonaro conquistou 19 das 54 vagas em disputa, alçando o partido a uma bancada histórica de 28 senadores em 2027 — a maior bancada partidária desde a promulgação da Constituição de 1988.
A junção do PL com outros partidos da direita e de centro-direita (como Novo, PP e parcelas do União Brasil e do PSD) garante um bloco de oposição ou de alinhamento conservador que supera com facilidade a maioria simples (41 senadores) e se aproxima da maioria qualificada de três quintos (49 senadores) necessária para aprovar mudanças constitucionais e pautar sabatinas de indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), agências reguladoras e postos diplomáticos.
Não foram reeleitos
Entre os parlamentares que tentaram a renovação do mandato por mais oito anos mas foram derrotados estão Sergio Petecão (PSD-AC), Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Angelo Coronel (Republicanos-BA), Leila do Vôlei (PDT-DF), Fabiano Contarato (PT-ES), Marcos do Val (Avante-ES), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Weverton Rocha (PDT-MA), Eliziane Gama (PT-MA), Carlos Viana (PSD-MG), Soraya Thronicke (PSB-MS), Carlos Fávaro (PSD-MT), Zequinha Marinho (Podemos-PA), Ciro Nogueira (PP-PI), Zenaide Maia (PSD-RN), Chico Rodrigues (PSB-RR) e Esperidião Amin (PP-SC).
Foram eleitos ou reeleitos
Márcio Bittar (PL-AC), Mara Rocha (Republicanos-AC), Arthur Lira (PP-AL), Marina JHC (PSDB-AL), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Lucas Barreto (PSD-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Rui Costa (PT-BA), Jaques Wagner (PT-BA), Cid Gomes (PSB-CE), Luizianne Lins (Rede-CE), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Renato Casagrande (PSB-ES), Gustavo Gayer (PL-GO), Gracinha Caiado (União Brasil-GO), Lahesio Bonfim (Novo-MA) e André Fufuca (PP-MA).
A configuração do Senado para 2027 ainda terá Mauro Mendes (União Brasil-MT), Zé Medeiros (PL-MT), Reinaldo Azambuja (PL-MS), Capitão Contar (PL-MS), Domingos Sálvio (PL-MG), Marília Campos (PT-MG), Helder Barbalho (MDB-PA), Delegado Éder Mauro (PL-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Filipe Barros (PL-PR), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Humberto Costa (PT-PE), Marília Arraes (PDT-PE), Marcelo Castro (MDB-PI), Júlio César (PSD-PI), Carlos Portinho (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ).
Styvenson Valentim (Podemos-RN), Samanda Alves (PT-RN), Sanderson (PL-RS), Marcel van Hattem (Novo-RS), Dr. Fernando Máximo (PL-RO), Bruno Scheid (PL-RO), Nicoletti (PL-RR), Helena da Asatur (PSD-RR), Carol de Toni (PL-SC), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE), Delegado Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Gomes (PL-TO) e Alexandre Guimarães (MDB-TO) completam o legislativo.
O impacto no Executivo

As consequências desse desenho orçamentário e político sobre quem assumirá a Presidência da República a partir de 2027 são profundas. Caso o candidato de oposição vença o segundo turno, o novo Chefe do Executivo iniciará o mandato com uma base aliada pré-formada bastante robusta tanto na Câmara quanto no Senado. Essa configuração facilita a aprovação de reformas liberais na economia, agendas de segurança pública e pautas de costumes, além de reduzir drasticamente o custo político tradicionalmente exigido nas negociações de cargos de primeiro escalão e liberação de emendas parlamentares.
Por outro lado, caso o atual governo seja reeleito, o cenário de governabilidade exigirá concessões operacionais e negociações institucionais de alta complexidade. Sem maioria própria e com uma oposição fortalecida no comando de comissões temáticas estratégicas e no controle de relatorias de matérias econômicas, o Executivo dependerá integralmente da adesão das cúpulas do “Centrão” (PSD, MDB, União Progressista e Republicanos) para aprovar leis ordinárias, vetar matérias contrárias ao seu programa e garantir o cumprimento das metas fiscais. A margem para promover pautas progressistas no âmbito de direitos humanos ou reformas estruturais focadas na ampliação do Estado ficará fortemente limitada.
Em suma, as eleições de 2026 desenharam um Poder Legislativo mais ideologizado, pragmático e autônomo em relação ao Palácio do Planalto. A perda de espaço relativo da esquerda em comparação ao avanço expressivo da direita consolidou um parlamento conservador que exercerá papel de filtro e contenção decisivo sobre os atos do Executivo ao longo dos próximos quatro anos.
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