A música faz parte da vida de Dani Oliveira desde a infância, mas com o passar dos anos, deixou de ter tempo para se dedicar aos estudos. Inspirada pela própria dor, ela fundou a Musixe, plataforma de ensino musical de longo prazo que soma 124 mil alunos cadastrados e faturou R$ 5,6 milhões em 2025. Conforme publicou Pequenas Empresas Grandes Negócios, do Grupo Globo.
A empreendedora conta que sempre sonhou em ser cantora e ter uma banda. Aos 13 anos, começou a estudar música. Cinco anos mais tarde, empreendeu com uma indústria de alimentos, seguindo os passos da mãe, que era dona de uma indústria panificadora. Apesar de reconhecer que aprendeu muito sobre gestão financeira e de pessoas, Oliveira precisou se afastar do estudo musical – ela fazia aulas de guitarra e canto.
“Um dia, nessa loucura de estudar e estar cansada do trabalho, eu falei que queria que tudo estivesse em uma plataforma só, onde eu pudesse aprender tudo sem precisar me locomover”, relembra. O desabafo foi feito para João Batista Neto, que também é músico e engenheiro de software. Ele topou o desafio de desenvolver a plataforma.
A dupla ficou entre 2018 e 2020 construindo o negócio, criando os primeiros cursos e contatando professores.
“Ninguém entendia o que eu queria passar. Alguns professores que eu convidei falaram que não daria certo, mas a gente acreditava que seria o futuro”, comenta Oliveira.
Apesar dos esforços e do investimento, a startup não tracionava. Em 2020, a empreendedora viu um anúncio sobre a mentoria do guitarrista Kiko Loureiro (Megadeth, Angra) para músicos. Ela decidiu tentar a sorte e contar a história da Musixe. O artista topou ajudar o casal e, depois de dois meses de mentoria, tornou-se sócio.
A pandemia de covid-19 também deu um empurrãozinho no negócio. Quando todos tiveram de digitalizar o ensino para atender os alunos durante a fase de quarentena, a Musixe já tinha um produto pronto. Para aproveitar a vantagem, derrubou o valor cobrado de R$ 30 para R$ 4,99 mensais. A startup iniciou 2020 com 300 alunos e, ao fim do ano, saltou para 30 mil, e todo o lucro foi reinvestido na plataforma.
Atualmente, a Musixe trabalha com quatro planos: mensal (R$ 199), anual (R$ 374,85), 3 anos (R$ 661,25) e vitalício (R$ 869). O tíquete médio gira em torno de R$ 375. O valor da assinatura dá direito a todas as 6 mil aulas de 70 cursos – violão, canto, teclado e teoria musical são os mais procurados. O conteúdo é feito a partir da metodologia da edtech, criada por um coordenador pedagógico.
“Notamos que a percepção do conhecimento é diferente no computador. As pessoas assistem de seis a sete minutos de aula antes do primeiro pause, para estudar, praticar. Todas as nossas aulas gravadas são pensadas nisso”, explica Neto.
A startup acaba de investir R$ 1,5 milhão na construção de um novo estúdio em Franca, no interior de São Paulo, para a gravação das aulas, com iluminação profissional, equipamentos musicais e isolamento acústico.
“No início, as aulas eram gravadas por uma empresa terceirizada, mas perderam o material depois de três dias de gravação com uma professora. Decidimos assumir, de forma improvisada, em casa, sem tratamento acústico, até construir o primeiro estúdio”, conta Neto.
A plataforma atende a partir dos 8 anos, com o público concentrado entre os 25 e 35 anos. 124 mil alunos estão cadastrados e, com as iniciativas de inclusão – navegação clara, compatibilidade com leitores de tela, organização lógica de conteúdos –, o conteúdo consegue ser acessado por pessoas com deficiência visual, cognitiva e motora.
Os sócios começaram a ter salário em 2024, quando a Musixe faturou R$ 2,3 milhões – até então, toda a receita era reinvestida na startup, que segue bootstrapping.
“Não dependemos de dinheiro de terceiros. Eu não traria um investidor hoje para escalar, não há necessidade”, opina Oliveira. No ano passado, o faturamento saltou para R$ 5,6 milhões.
Em 2026, a meta é chegar aos R$ 10 milhões. Para isso, a startup aposta em parcerias com influenciadores e na realização de eventos, como concursos culturais – estratégia iniciada em 2025, que trouxe frutos. De acordo com os sócios, as iniciativas tornam a marca mais conhecida e qualifica os leads.
A Musixe também vai começar o processo de internacionalização para a América Latina, aproveitando as conexões de Loureiro.
“As conversas iniciaram no Peru. Já temos alunos brasileiros em outros países, mas incluiremos cursos em instrumentos locais, além da tradução do site, para acessar esse mercado latino”, conclui Neto.
Rebeca Silva/Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios
Foto: Divulgação
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