Sabia que Beethoven inspirou a “Musiquinha do Gás”?
Você já reparou que alguns sons conseguem fazer a gente saber exatamente o que está acontecendo sem precisarmos olhar pela janela? O exemplo mais famoso no Brasil é aquela musiquinha que avisa que o caminhão de gás está chegando. Esse fenômeno é o que os especialistas chamam de identidade auditiva. Basicamente, é quando uma marca ou empresa escolhe um som ou uma melodia específica para que as pessoas se lembrem dela instantaneamente, criando uma espécie de marca registrada que entra pelos nossos ouvidos.
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Antigamente, os entregadores de gás gritavam utilizavam sinos para avisarem que estavam passando. Eles tinham muita dificuldade para atraírem a atenção, ainda mais em uma cidade grande como São Paulo, em que o barulho de carros se mistura com muitos outros. Foi então que, em 1989, a Ultragaz decidiu mudar essa estratégia e contratou, em 1989, o compositor brasileiro Hélio Ziskind para criar algo novo. Ziskind, formado em composição erudita pela Universidade de São Paulo (USP), teve a ideia de buscar inspiração em um dos maiores músicos de todos os tempos: o alemão Ludwig van Beethoven.
A obra, ‘Sinos das Ruas’, usa elementos de sonoridade de botijões batendo, associando sons de violino e flauta. A melodia que ouvimos todos os dias é, na verdade, inspirada em um trecho de uma obra gigantesca chamada Nona Sinfonia, de Beethoven. O músico a criou para ser um hino de alegria e união entre as pessoas. O compositor brasileiro escolheu esse trecho justamente por ser uma melodia simples, fácil de assobiar e que transmite uma sensação de tranquilidade, o que era perfeito para substituir o som irritante dos antigos sinos e chamar a atenção em meio ao caos de uma cidade grande.
A melodia é baseada em “Para Elisa” (Für Elise), uma das peças para piano mais famosas de Beethoven, composta em 1810. Para transformar uma música de orquestra em algo que pudesse ser tocado nos alto-falantes dos caminhões.
Na versão original que ele preparou para a empresa, o som é limpo e eletrônico, o que ajuda a música a se destacar no meio do barulho do trânsito e das conversas na rua. Ele planejou cada nota para que, mesmo de longe, qualquer pessoa conseguisse identificar que o gás estava por perto.
Essa escolha foi tão certeira que hoje em dia quase ninguém associa essa melodia ao compositor clássico Beethoven, mas sim ao botijão azul. Isso mostra como a música tem o poder de se transformar ao longo do tempo. O que começou como uma peça sofisticada tocada em grandes teatros da Europa acabou por se tornar parte da rotina das cidades brasileiras, provando que um som bem escolhido pode virar uma identidade auditiva, que todo mundo conhece e entende.
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