Eu sou o bom pastor!

Evangelho (Jo 10,1-10)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 1 “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4 E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5 Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6 Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7 Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9 Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Homilia

Infelizmente, os MCS escondem de nós as estatísticas alarmantes de famílias desestruturadas, incompletas e em situação de vulnerabilidade. Mapas da pobreza e da marginalização, de rotas migratórias, crianças de rua, a violência que destruiu inúmeros lares… São números cruéis, pois por trás de cada dado estatístico há uma criança, uma mulher ou um homem, com o coração partido e que perdeu a razão de viver. Cada qual carrega em seu coração uma dura realidade familiar.

Hoje, temos duas imagens, ambas profundamente significativas, mas sinto que ambas possam parecer deslocadas em nossa sociedade moderna. A Carta de São João nos apresenta Deus como o Pai que ama ternamente seus filhos e desperta em nós o anseio de sermos como Ele. Como alguém que foi vítima de violência ou abandono pode se sentir amado por Deus? Como pode experimentar o amor se não for no seio de sua família?

O Evangelho oferece a terna imagem do Bom Pastor que conhece suas ovelhas, sonha em tê-las todas reunidas em um só rebanho; ele é reconhecido por elas e elas lhe ouvem a voz. É uma combinação peculiar de elementos, pois, nesta parábola, vemos também o amor eterno do Pai, a união com o seu Filho e a necessidade urgente de uma vida de comunhão e fraternidade para cumprir a missão confiada ao Filho. Como podemos viver essa experiência de um Deus que nos ama acima de todas as coisas, nos olha como filhos do seu próprio coração e que jamais nos afasta do seu amor? Como podemos sentir essa proteção e o cuidado que as culturas rurais expressam na imagem do pastor que está disposto a dar a vida por suas ovelhas? Muitas pessoas nasceram e viveram apensas em grandes centros urbanos e não têm nenhuma ideia de como é a vida rural.

Mas além das imagens usadas pelo escritor sagrado está a realidade que elas nos revelam: um Deus amoroso que não hesita em nos chamar de filhos, que nos olha com grande ternura, pois não há experiência maior do que a de um pai ou mãe que vê um filho brotar de sua vida, de seu sangue e de seu próprio ser. Da mesma forma, não há amor mais belo do que ser e sentir-se filho amado, recebendo, gratuitamente, vida, vigor físico e agilidade intelectual. Esta é a grande lição de Jesus ao nos mostrar Deus, seu Pai e nosso Pai, que nos une no amor. Todos temos o direito de viver, em família, a experiência da generosidade, do amor e aceitação incondicional, a oportunidade de crescer, o dom da reciprocidade e da fraternidade. Uma tarefa grandiosa e difícil? Sim, mas de riqueza profunda que preenche o coração. Contemplando Deus como Pai/Mãe, voltemos nosso olhar para nossas famílias e renovemos nosso desejo de fazer de cada lar um lugar de encontro de amor, compreensão, aceitação e generosidade. Cada família deve ser a expressão concreta do amor de Deus.

Quando Jesus se apresenta a nós como o Bom Pastor, ele não diz simplesmente que é um pastor, mas o Bom Pastor. Jesus, portanto, vai mais longe. Não se limita a arriscar a vida, ele morre pelo seu rebanho. “Eu dou a minha vida pelas ovelhas”, diz ele. Na realidade, quando nasceu, ele já dava a sua vida pela humanidade, oferecendo dia após dia a sua existência para ajudar os outros, até ser completamente consumido na Cruz. Mas aquele momento não foi o fim. Poderíamos dizer que foi, antes, o começo, o início de uma nova era, a era messiânica. É por isso que o Senhor nos diz agora novamente que dá a sua vida por nós, que continua a nos procurar, que nos ama e nos protege dos lobos. Permitamo-nos ser amados, cuidados e protegidos por Jesus, mas que cada um de nós também examine a sua missão como pastores e reflita se estamos sendo fiéis a esta tarefa e vocação que o Senhor nos confiou. Sejamos especialmente atentos em nossas famílias: estamos dando vida, estamos conhecendo nossos filhos pelo nome, estamos reconhecendo suas vozes e somos capazes de preservar e nutrir o amor? Pensemos nisso.

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Frei Ademir João Garcia, OAR (Ordem Agostiniano Recoleto)
É vigário da Paróquia Nossa Senhora das Graças da Diocese de Franca.

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1 comentário

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vorbelutr ioperbir

Hello, you used to write magnificent, but the last several posts have been kinda boring… I miss your super writings. Past few posts are just a little bit out of track! come on!

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