25ª FIL ocupa Ribeirão com literatura e arte

Durante sete dias, quem passou pelo centro de Ribeirão Preto (SP) encontrou uma cidade redesenhada pelos livros. Praças, ruas, prédios históricos e espaços culturais tornaram-se locais de convivência entre leitores, escritores, artistas, educadores e estudantes.

As palavras chegaram aos palcos e às tendas; a música, o teatro, o cinema e as artes visuais transformaram a paisagem urbana. Encerrada neste sábado (5), a 25ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto deixa marcas que ultrapassam o período de sua realização.

A Feira se estendeu por cerca de 15 mil m² e articulou suas atividades em torno do tema “X, Y, Z, Alpha, Beta – Gerações Literárias”.

Crianças, jovens, adultos e idosos compartilharam um território dedicado à cultura e à convivência. Mais do que nomear faixas etárias, a proposta ganhou forma no contato entre diferentes maneiras de ler, produzir, compartilhar e se relacionar com a literatura.

Para Adriana Silva, presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e curadora da FIL, a edição comemorativa cumpriu o objetivo de oferecer uma programação plural, com projetos permanentes e atividades voltadas à reflexão e ao entretenimento.

“O tema desta edição foi debatido com profundidade nas falas, nas conversas, nos encontros”, afirma.

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Segundo Adriana, a resposta do público trouxe à organização manifestações de reconhecimento.

“As pessoas que passaram pela feira se mostraram impactadas – tivemos essa devolutiva. Recebemos agradecimentos, elogios que nos deixam muito animados”, destaca. Para ela, esse retorno deve ser compartilhado com todos os profissionais e instituições envolvidos na realização do evento.

CULTURA EM CIRCULAÇÃO

Das mais de 350 atividades gratuitas promovidas pela FIL, mais de 300 integraram a programação artística. Quarenta autores e autoras participaram de conversas, palestras e outras ações literárias. O evento também recebeu 85 lançamentos de livros e abriu espaço para a produção de Ribeirão Preto e da região, com 120 obras de escritores locais em exposição.

Palcos, tendas, áreas de convivência e ambientes de leitura aproximaram moradores e visitantes de equipamentos culturais e locais históricos.

“Mais do que servir como cenário, esses espaços passaram a compor a experiência do público e sua relação com as manifestações artísticas”, acrescenta a curadora.

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UMA FEIRA QUE FORMA LEITORES

Um dos principais percursos educativos da FIL, o projeto Combinando Palavras aproxima estudantes, obras e escritores a partir de atividades desenvolvidas previamente nas escolas.

Nesta edição, 9.500 alunos participaram da iniciativa, que reuniu nove escritores. O trabalho estimulou interpretações, produções artísticas e apresentações criadas pelos próprios jovens, levando a literatura para além da leitura individual.

O processo culminou nas conversas promovidas durante a Feira. Diante dos autores dos livros estudados em sala de aula, os alunos apresentaram suas leituras por meio de teatro, música, dança, ilustrações e outras formas de expressão.

“Os grupos apresentados assumiram um papel ativo e estabeleceram novas relações com os textos”, mostra Adriana Silva.

Ao avaliar as ações educativas, a curadora destacou a renovação do Combinando Palavras a cada edição. Neste ano, Mia Couto, Thalita Rebouças, Sérgio Vaz e outros escritores estiveram diante dos estudantes. No último dia da FIL, Sérgio Vaz participou de uma conversa marcada pelas perguntas e reflexões dos alunos.

“Os jovens questionaram e refletiram a partir dos poemas do poeta da comunidade”, afirma a curadora.

Outro momento reuniu Mia Couto e alunos do Ensino Médio que, desde o início do ano letivo, leram e estudaram sua produção.

“Não há nada que se compare a essa iniciativa, que movimenta escolas e estudantes. Fiquei muito tocado com a produção de artes apresentada pelos alunos”, declarou Mia Couto.

Os grupos escolares também percorreram praças, tendas, teatros, bibliotecas e equipamentos culturais, associando a formação leitora ao contato com o patrimônio de Ribeirão Preto.

REDE

Para que livros, autores e leitores se encontrassem, uma ampla operação foi mobilizada. Profissionais da produção, artistas, escritores, educadores, técnicos, livreiros, monitores, prestadores de serviços e equipes de infraestrutura atuaram desde a preparação até a desmontagem. Cerca de 500 pessoas estiveram diretamente envolvidas na edição. 

A acessibilidade contou com uma equipe própria: 21 intérpretes de Libras fizeram a cobertura integral das atividades, com o apoio de dois consultores surdos e um profissional de receptivo em Libras.

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Priscilla Altran, vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, ressalta que a realização da FIL depende da articulação entre diferentes setores.

“A organização da Feira é um projeto em rede”, resume. Prefeitura, Sesc, Senac, universidades e instituições literárias estão entre os parceiros que contribuíram para viabilizar a edição e que, segundo a curadora, também compartilham seus resultados.

Entre essas parcerias está a do Sesc e do Senac com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Para Mauro Cesar Jensen, gerente do Sesc Ribeirão Preto, a cooperação reafirma o compromisso das instituições com a formação de leitores, o diálogo entre gerações e a democratização do acesso à cultura.

“Celebrar os 25 anos da FIL é reconhecer a história e o valor dessa iniciativa que, ao longo desse período, consolidou Ribeirão Preto como um espaço de promoção da literatura e que valoriza a arte em sua amplitude”. 

A presença da FIL também alcançou a cadeia produtiva do livro. A Feira reuniu 25 livreiros e editoras e registrou uma movimentação estimada em cerca de R$ 2 milhões, considerando as compras realizadas diretamente pelo público e os valores utilizados por meio dos vales-livros. Os recursos chegaram a livrarias, editoras, distribuidores e demais profissionais do mercado editorial. Os vales, por sua vez, ampliaram o acesso às obras e permitiram que estudantes escolhessem os próprios títulos para levar para casa.  

Dentro desse movimento editorial, a Tenda Sesc-Senac apresentou um perfil próprio. Voltada principalmente ao público adulto, o espaço alcançou cerca de 30 mil pessoas ao longo dos sete dias da Feira e resultou na comercialização de aproximadamente 4 mil itens.

Com o encerramento da edição comemorativa, o centro de Ribeirão Preto retoma gradualmente sua rotina.

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