Você sabe por que mulheres não são ordenadas “padres” e bispas?
As últimas declarações do presidente Lula (PT) sobre a Igreja Católica não só causaram muita polêmica, como trouxeram de volta uma questão: por que as mulheres não são ordenadas “padres” e “bispas”?
Em que pese não existir o termo “padres” para mulheres, segundo a norma culta da Lingua Portuguesa, uma vez que somente homens podem ser ordenados como tal, a reportagem manterá a expressão apenas porque foi utilizada pelo presidente Lula.
Para explicarmos o embroglio, o Pulsar Notícias recorrerá ao CDC (Código de Direito Canônico). No cânon 1024, diz que somente homens podem ser ordenados padres, bispos e diáconos porque Jesus Cristo, na última ceia, elegeu 12 homens, os instituiu como apóstolos para que propagassem sua mensagem aos outros.
“A Igreja não é uma democracia, ela é uma hierarquia. Cristo é a cabeça da Igreja e instituiu na última ceia para os 12 apóstolos o Sacramento da Ordem. Na ocasião, disse: ‘Fazei isto em memória de mim’. Ou seja, ele não fez um pedido, ele ordenou: ‘Fazei isso’, explica o estudioso sobre o tema, Raphael Tonon.

Portanto, do ponto de vista da Igreja, não se trata de uma decisão que um papa, bispo ou sacerdote individualmente possa simplesmente modificar. Sendo assim, quando Lula diz que as mulheres devem ser ordenadas, ele está apenas expressando sua total e irrestrita ignorância sobre os dogmas do catolicismo.
“E não se trata aqui de machismo por parte da Igreja. Se formos pensar em termos de dignidade das mulheres, a mais digna delas que já existiu, existe e depois dela nunca mais existirá outra é Virgem Maria. Nossa Senhora era uma leiga, dona de casa, que gerou o próprio Cristo e mais tarde ficou viúva”, concluiu.
O rito de ordenação
A ordenação presibiterial de Padre Fernando Antônio da Costa, o Fernandinho da Comunidade Cenáculo, ocorreu em 10 de Janeiro de 2025 na Diocese de Franca. Na ocasião, estiveram presentes os bispos, Dom Frei Caetano Ferrari (2ª bispo de Franca), Dom Pedro Luiz Stringhini (3ª bispo de Franca), Dom Ângelo Pignoli, além do atual, Dom Paulo Roberto Beloto.
O rito
O rito acontece durante uma solene celebração eucarística (a Missa), logo após a Liturgia da Palavra e o Evangelho.
Eleição do candidato: O diácono que vai ser ordenado é chamado pelo nome e se apresenta ao bispo. O reitor do seminário atesta que ele está preparado, e a assembleia manifesta sua aprovação com aplausos.
Homilia do bispo: O bispo explica ao candidato e aos fiéis o significado profundo do ministério sacerdotal e as responsabilidades que o novo padre vai assumir.
Propósito do eleito: O candidato responde às perguntas do bispo, declarando publicamente que quer cumprir seus deveres com fidelidade, pregar o Evangelho, celebrar os sacramentos e obedecer ao bispo e aos seus sucessores

Ladainha de Todos os Santos: O candidato se prostra (deita-se completamente no chão) diante do altar em sinal de entrega total a Deus. Enquanto isso, a comunidade canta a ladainha, pedindo a intercessão dos santos pelo ordenando.
Imposição das mãos e prece de ordenação: Este é o momento central do sacramento. Em silêncio, o bispo impõe as mãos sobre a cabeça do candidato, gesto que também é feito por todos os outros padres presentes. Em seguida, o bispo profere a oração consecratória, invocando o Espírito Santo.
Vestição dos paramentos: O novo sacerdote é ajudado a vestir a estola sacerdotal (colocada de outro modo) e a casula, que são as vestes próprias para a missa.
Unção das mãos: O bispo unge as palmas das mãos do novo padre com o óleo do Santo Crisma, consagrando-as para abençoar, consagrar o pão e o vinho e celebrar os sacramentos.
Entrega da patena e do cálice: O bispo entrega o pão (na patena) e o vinho (no cálice) ao novo sacerdote, simbolizando a sua autoridade e dever de presidir a Eucaristia e alimentar o povo de Deus.
Abraço da paz: O bispo e os padres presentes dão o abraço da paz ao recém-ordenado, acolhendo-o oficialmente no clero e no presbitério.

A celebração da Missa prossegue normalmente a partir da Liturgia Eucarística, sendo que o novo padre concelebra a Eucaristia ao lado do bispo.
Vale ressaltar que o cânon 1037 determina que o candidato ao presbiterado deve assumir publicamente, diante de Deus e da Igreja, a obrigação do celibato antes de ser admitido à ordenação diaconal que antecede o sacerdócio, salvo a situação prevista para aqueles que professaram votos perpétuos em instituto religioso.
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