A escuta atenta como gesto de alteridade

O individualismo contemporâneo converteu a convivência humana em uma disputa ruidosa de monólogos paralelos.

Frequentemente, a presença física do outro é reduzida a um espelho no qual buscamos apenas a validação das nossas próprias opiniões e necessidades emocionais. Esquecemo-nos de que a pessoa humana só atinge sua plenitude na abertura sincera ao outro, em uma relação de mútua doação e acolhimento da realidade.

A escuta genuína é um ato de autotranscendência e coragem existencial. Ela exige suspender momentaneamente o fluxo autorreferencial das próprias ideias para acolher o mistério de quem está diante de nós.

Como destaca a tradição tomista, a justiça interpessoal começa pelo reconhecimento do valor ontológico do próximo como um sujeito, e não como um objeto instrumental. Allport reforça que uma das marcas constitutivas da maturidade é a capacidade de relacionamento afetuoso e caloroso com os demais, isento de poses defensivas ou manipulações egocêntricas.

Ouvir verdadeiramente alguém é oferecer-lhe um espaço de dignidade e sentido. Quando nos colocamos à disposição para acolher a palavra alheia com atenção e retidão de intenção, rompemos as amarras do isolamento interior.

A alteridade bem vivida na escuta diária edifica a comunidade e revela que o significado da vida humana sempre se manifesta no encontro leal entre pessoas.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática.

Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas-Cartaxo-2-Divulgacao-682x1024 Dignidade nas ruínas e a força humana

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

Conheça mais sobre o trabalho dele. Clique aqui.

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