Novo pároco das “Graças” tomará posse dia 17

Tomará posse no sábado (17), às 19 horas, Frei Welton Cavallini, como o novo pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças. A solene celebração litúrrgica será presidida pelo Bispo Diocesano, dom Paulo Roberto Beloto. O então pároco, frei Edmilson Vidal foi transferido para Castelo (ES). O anúncio ocorreu no último dia 25 de agosto.

Cavallini tem 38 anos, foi ordenado há quase dois meses e chega na paróquia como o responsável por sua administração por, pelo menos, os próximos quatro anos. No último sábado (26), ele presidiu a missa na comunidade. (Leia mais sobre a biografia dele abaixo)

Os agostinianos estão na Paróquia Nossa Senhora das Graças desde a década de 1950. A mudança ocorre após o capítulo, uma reunião dos frades de uma província ou região específica e inclui momentos de escuta, votações e definição de diretrizes pastorais para os próximos anos.

A decisão foi tomada por Frei Simón Puertas Pérez, novo Prior da Província Santo Tomás Vilanova da OAR (Ordem Agostiniana Recoleta). A Província cobre comunidades e obras no Brasil, Argentina, Venezuela, Peru e Espanha. Como Prior Provincial, Frei Simón exercerá a autoridade máxima regional da ordem por um mandato fixo, sendo responsável pela gestão de obras e nomeação de priores locais, exatamente o que ocorreu “nas Graças” em Franca (SP).

Uma das mais tradicionais

Paróquia conta com 90 missas mensais e é uma das mais tradicionais de Franca – Fotos: Reproduções/Redes Sociais

A Paróquia Nossa Senhora das Graças é uma das mais tradicionais da Diocese de Franca. Lá, 90 missas são celebradas todos os meses. Possui seis funcionários e dezenas de pastorais e movimentos – entre eles, o ECC (Encontro de Casais com Cristo), Cursilho, RCC (Renovação Carismática Católica), Batismo, Catequese, Crisma, Matrimônio e Liturgia.

O novo pároco

Frei Welton Cavallini foi atuante em grupos de jovens e como catequista. Em 2013 participou da JMJ (Jornada Mundial da Juventude), no Rio de Janeiro (RJ) e, a partir de então, permitu-se a pensar sobre ser ordenado padre. Três anos depois, ingressou no Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Franca (SP). Ao terminar a graduação em Filosofia, foi para a Espanha em 2019 para fazer o noviciado e cursar Teologia. Frei Welton integrou a comunidade do Novo Leblon, na Barra Da Tijuca, no Rio (RJ). Foi ordenado há quase dois meses e assume sua primeira paróquia em outubro.

A posse de um pároco é muito mais do que a apresentação pública de um novo sacerdote à comunidade. Na Igreja Católica Apostólica Romana, trata-se de um ato jurídico, pastoral e litúrgico pelo qual um padre passa oficialmente a se responsabilizar por aquela Igreja local.

De acordo com o Código de Direito Canônico, o pároco só começa a exercer juridicamente a cura pastoral da comunidade a partir da tomada de posse, dada pelo bispo diocesano ou por um sacerdote por ele delegado.

A presença do bispo tem um significado especial

A participação do bispo na posse não é apenas protocolar. Na organização da Igreja Católica, o bispo é o responsável pela Diocese e, portanto, pela organização pastoral das paróquias que fazem parte dela. É o bispo quem, observadas as normas canônicas, confere o ofício de pároco. Na Diocese de Franca, atualmente esse serviço é exercido por Dom Paulo Roberto Beloto. Assim, quando o bispo participa da posse de um novo pároco, ele manifesta também a comunhão entre aquela comunidade, o sacerdote que a receberá e a Diocese. Diocese de Franca

Na prática, a celebração de posse costuma ocorrer durante uma Missa solene; formalização litúrgica e canônica de uma nova missão pastoral.

O que acontece durante a celebração?

A forma concreta da posse pode variar conforme as normas particulares da Diocese e os costumes locais, mas a celebração normalmente é integrada à Missa. O novo pároco é apresentado à comunidade, e o bispo ou seu delegado realiza os atos próprios da tomada de posse. Pode haver a leitura do documento de nomeação, a apresentação formal do sacerdote e outros momentos simbólicos que expressem a missão que ele está recebendo.

Em uma posse solene, também podem aparecer gestos que explicam visualmente as responsabilidades do pároco. Conforme o rito e os costumes adotados, o novo sacerdote pode ser conduzido a lugares significativos da igreja, como a pia batismal, o confessionário, o altar, a capela do Santíssimo Sacramento ou a sede presidencial. Eles ajudam a comunidade a compreender que sua missão envolve anunciar a Palavra, celebrar os sacramentos, cuidar das pessoas e conduzir a vida litúrgica da paróquia.

A pia batismal, por exemplo, recorda a responsabilidade do pároco com a iniciação cristã e o acompanhamento daqueles que entram na vida da Igreja. O confessionário remete ao Sacramento da Penitência e à reconciliação. O altar representa o centro da celebração eucarística, enquanto a presença diante do Santíssimo Sacramento expressa a centralidade da Eucaristia na vida paroquial. Esses símbolos tornam compreensível, inclusive para quem não é católico, que a posse apresenta o sacerdote não apenas como administrador, mas como responsável por diferentes dimensões da vida religiosa da comunidade.

A profissão de fé também pode fazer parte do processo

Antes de exercer determinadas funções eclesiásticas, o sacerdote deve observar as exigências previstas pelo Direito Canônico, entre elas a profissão de fé quando aplicável. O Código também estabelece que o pároco deve possuir as condições necessárias para exercer o ministério e que a autoridade competente deve verificar sua idoneidade.

Depois desses momentos introdutórios, prossegue a Missa, com Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. O novo pároco participa da celebração já como aquele que recebeu a missão de cuidar pastoralmente daquela comunidade.

O que um pároco faz?

O trabalho do pároco é muito mais amplo do que celebrar missas – Foto: Freepik

O Código de Direito Canônico determina que ele deve cuidar para que o Evangelho seja anunciado, promover a formação dos fiéis, acompanhar a catequese, favorecer a participação na liturgia e fazer da Eucaristia o centro da vida paroquial.

O pároco também deve cuidar dos livros e arquivos paroquiais e colaborar com os organismos pastorais e administrativos da comunidade.

Isso significa que o pároco exerce simultaneamente uma função espiritual, pastoral, comunitária e administrativa. Ele não precisa realizar pessoalmente todas as atividades da paróquia. Ao contrário, a própria Igreja prevê a colaboração dos leigos, diáconos, religiosos, religiosas, ministros e agentes de pastoral. O sacerdote é responsável por coordenar e acompanhar essa ação, sempre dentro da autoridade do bispo diocesano.

O cânon 522 determina que o pároco deve possuir estabilidade e, como regra geral, seja nomeado por tempo indeterminado. Entretanto, a legislação da Conferência Episcopal pode permitir nomeações por período determinado, conforme as normas aplicáveis.

E quando a paróquia é administrada por uma ordem religiosa?

Isso não significa que a paróquia deixe de pertencer à Diocese. Ela continua sendo uma paróquia diocesana – e é subordinada ao bispo da região – no entanto há uma colaboração com a Ordem religiosa. O Direito Canônico prevê expressamente que uma Diocese pode confiar uma paróquia a um instituto religioso clerical, mediante acordo escrito entre o bispo diocesano e o superior competente do instituto. Mesmo nesse caso, deve haver um sacerdote exercendo a função de pároco.

Essa distinção é importante porque pároco e prior não são necessariamente a mesma coisa. O prior é o religioso responsável por uma comunidade de frades; o pároco é o sacerdote responsável pastoralmente pela paróquia. Um mesmo religioso pode eventualmente exercer as duas funções, mas elas possuem naturezas diferentes.

Agostinianos Recoletos em Franca

Capelinha é um dos “berços” dos agostinianos em Franca – Foto: Reprodução

A presença dos Agostinianos Recoletos em Franca tem uma história bastante antiga. A Diocese registra a chegada da Ordem à cidade em 2 de fevereiro de 1918. Ao longo das décadas, os religiosos participaram intensamente da vida religiosa e social de Franca e de municípios da região, assumindo paróquias, formando religiosos e desenvolvendo diferentes atividades pastorais.

A história da Ordem na região também passa pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Capelinha. Os Agostinianos Recoletos consolidaram sua presença naquele local ainda na primeira metade do século XX, e a igreja da Capelinha foi construída pelos religiosos. A própria Diocese de Franca mantém atualmente a paróquia sob atendimento dos Agostinianos Recoletos.

Além da Capelinha, os agostinianos da Prior da Província Santo Tomás Vilanova estão presentes em Franca na Paróquia Nossa Senhora das Graças, além de missões na Argentina, Venezuela, Peru e Espanha.

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