Morre, aos 60 anos, o cantor Netinho

Morreu nesta terça (13) vítima de câncer o cantor Netinho, famoso pelo hit “Milla”. Ele estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador (BA). Ele enfrentava, desde março de 2025, um tipo raro de câncer que afeta o sistema linfático.

Em 2026, após um período de remissão, seu quadro voltou a se agravar, exigindo um novo ciclo de quimioterapia. Segundo comunicado da equipe do artista, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. A nota que anunciou a morte informou também que o velório e a cremação serão reservados, conforme o desejo do cantor.

“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje.

Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível. Sua voz, sua energia e sua forma tão particular de se conectar com o público deixam um legado que permanecerá para sempre na memória e no coração de seus fãs, amigos e de todos que tiveram o privilégio de acompanhá-lo.

Netinho partiu tranquilo. Durante os últimos meses de tratamento, costumava dizer:

“Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”

Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.

Neste momento de profunda dor e despedida, pedimos respeito à privacidade da família e dos amigos, para que possam vivenciar esse momento com a serenidade e o recolhimento necessários.

Agradecemos, de coração, todas as manifestações de amor, carinho e solidariedade recebidas. O afeto de todos é também parte da história que Netinho construiu e do legado que deixa.

Contamos com a compreensão e o respeito de todos.

Assessoria de Netinho”

Conhecido por sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca”, “Estrela Primeira” e “A Vida é Festa”, Netinho construiu uma carreira marcada por grandes apresentações no Carnaval de Salvador e pela popularização do axé music em todo o Brasil.

Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho construiu uma carreira que começou com apresentações em bares de Salvador e ganhou projeção nacional a partir do final dos anos 1980. À frente da Banda Beijo, tornou-se uma das vozes associadas à expansão da música baiana para além do Carnaval. Mais tarde, em carreira solo, consolidou sua popularidade com canções que passaram a integrar o repertório de festas, micaretas e apresentações musicais em diferentes regiões brasileiras.

Cantor Netinho começou na música ainda jovem

A aproximação de Netinho com a música aconteceu na adolescência, depois que ele se mudou com a família para Salvador. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe e começou a desenvolver sua relação com o instrumento de forma autodidata. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), conciliando os estudos com apresentações musicais.

O que inicialmente poderia ser uma atividade paralela transformou-se em profissão. Netinho começou a cantar em bares da capital baiana, com repertório de Música Popular Brasileira (MPB) e bossa nova. As apresentações ajudaram a desenvolver sua experiência diante do público e abriram caminho para sua entrada no cenário musical profissional.

O Carnaval de Salvador teve papel decisivo nessa trajetória. Em 1988, Netinho estreou como vocalista da Banda Beijo no circuito carnavalesco da cidade. No mesmo ano, a gravação de “Beijo na Boca” alcançou projeção nacional e colocou o cantor entre os nomes que ajudaram a ampliar o alcance da música baiana.

A canção tornou-se um dos primeiros grandes sucessos de sua carreira. O ritmo, a energia das apresentações e a associação com o Carnaval contribuíram para aproximar a produção musical de Salvador de públicos de outras partes do Brasil.

Banda Beijo projetou artista nacionalmente

A passagem pela Banda Beijo foi fundamental para a consolidação de Netinho como artista popular. No período em que esteve à frente do grupo, o cantor participou de uma fase de expansão da axé music, que passou a ocupar espaço crescente nas rádios, nos programas de televisão e nos eventos musicais realizados fora da Bahia.

Em 1989, a banda participou do programa “Domingão do Faustão”, da TV Globo, ampliando sua exposição nacional. A presença na televisão ajudou a aproximar o trabalho do grupo de espectadores que ainda não tinham contato direto com o Carnaval de Salvador.

Em 1990, Netinho e a Banda Beijo também participaram de uma iniciativa que levou um trio elétrico brasileiro à Itália durante a Copa do Mundo daquele ano. A experiência contribuiu para projetar internacionalmente uma das expressões mais características da música carnavalesca baiana.

O repertório do período incluiu outras canções que permaneceram associadas ao nome do cantor. Entre elas estão “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”, música que integrou a trilha sonora da novela “Mulheres de Areia”, exibida pela TV Globo em 1993.

As gravações e apresentações da Banda Beijo ajudaram a estabelecer as bases para a etapa seguinte da carreira de Netinho. Depois de alcançar reconhecimento nacional com o grupo, ele passou a investir em projetos próprios.

Carreira solo consolidou sucesso

Em 1993, Netinho lançou o primeiro álbum solo, “Um Beijo pra Você”. O trabalho trouxe canções como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”, que ampliaram sua presença nas rádios e no mercado fonográfico. A música “Menina” também integrou a trilha sonora da novela “Tropicaliente”, exibida naquele ano.

A carreira solo permitiu ao cantor desenvolver uma identidade artística própria, sem abandonar a energia das apresentações associadas à música baiana. Ao longo da década de 1990, ele lançou discos e realizou shows em diferentes estados, acompanhando a expansão das micaretas e dos eventos inspirados no Carnaval de Salvador.

O momento de maior projeção comercial chegou em 1996, com o álbum “Netinho ao Vivo!”. Gravado em Aracaju, o disco reuniu sucessos e apresentou ao público uma interpretação de “Milla”, canção que se transformaria em uma das marcas de sua carreira.

A música alcançou grande popularidade no Brasil e ultrapassou fronteiras, sendo regravada em diferentes idiomas. O álbum teve vendas expressivas e consolidou Netinho entre os artistas de maior alcance comercial associados à axé music durante os anos 1990.

“Milla” permaneceu presente no repertório de festas e apresentações ao longo dos anos seguintes. A canção tornou-se uma referência da carreira do artista e continuou a ser associada à memória musical de uma geração que acompanhou a popularização do gênero.

Problemas de saúde marcaram últimos anos

Nos últimos anos, Netinho também enfrentou problemas de saúde que afetaram sua rotina e a continuidade das apresentações. Em 2013, sofreu episódios de acidente vascular cerebral (AVC) e passou por períodos prolongados de internação e reabilitação.

Em março de 2025, foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que afeta o sistema linfático. O tratamento incluiu internações e sessões de quimioterapia. Apesar das dificuldades, o cantor chegou a retomar atividades profissionais após uma fase de recuperação, antes da recorrência da doença.

Em 2026, seu estado de saúde voltou a exigir tratamento, e a agenda artística foi afetada. A morte foi noticiada nesta terça-feira, aos 60 anos, em decorrência das complicações associadas à doença.

Netinho deixa uma filha. A despedida do artista será reservada a familiares e pessoas próximas.

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