Curso de Libras capacita servidores para atendimento
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) vem ganhando espaço nas discussões sobre inclusão e acessibilidade em Franca. Em outubro de 2026, a Prefeitura informou que mais de 40 servidores municipais participavam de uma capacitação voltada ao atendimento da população surda. A iniciativa busca melhorar a comunicação nos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e atendimento direto aos cidadãos.
A formação é promovida pela Secretaria de Administração e Recursos Humanos, por meio do Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CEFAP). Os participantes estão distribuídos em quatro turmas, com aulas em diferentes dias e horários e previsão de conclusão até dezembro

As aulas acontecem no CEFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional), próximo à Prefeitura, às segundas, terças, quartas e sextas-feiras, nos períodos da manhã e da tarde, com duração de uma hora e meia. As atuais turmas seguem com as atividades até novembro.
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O curso contempla diferentes níveis de conhecimento, desde o básico até o intermediário. A formação é conduzida pela professora de Libras, Letícia de Souza Lima Veloso, graduada em Letras, com habilitação em Espanhol, Literatura e Libras, e em Pedagogia, e pós-graduada em Libras, Deficiência Auditiva e Educação Especial.

Libras em Franca: capacitação de servidores municipais
O curso municipal procura preparar os profissionais para situações em que a comunicação com uma pessoa surda exige o conhecimento de sinais e expressões próprias da Libras. A proposta inclui atividades práticas e simulações de situações comuns em repartições públicas e unidades de atendimento.
Segundo a Prefeitura, as secretarias de Ação Social e Saúde estão entre as áreas com maior participação na formação. O objetivo é reduzir dificuldades de comunicação que podem comprometer o acesso a informações, orientações e serviços essenciais.
Além do conteúdo teórico, os servidores estão participando de exercícios práticos e simulações de situações de atendimento. As atividades permitem que os participantes pratiquem os sinais e compreendam sua utilização em situações que podem ocorrer em balcões de repartições, recepções de unidades de saúde, salas de aula e outros espaços públicos.
A iniciativa dá continuidade a ações anteriores. Em dezembro de 2025, o município informou que 48 servidores haviam concluído uma edição do curso. Na ocasião, profissionais da saúde relataram que os conhecimentos adquiridos ajudavam no contato cotidiano com usuários surdos.
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O secretário de Administração e Recursos Humanos, Petersson Faciroli, destacou que a capacitação contribui tanto para a qualificação dos servidores quanto para a melhoria do atendimento à população.
“A proposta é ampliar o preparo das equipes para diferentes situações e tornar a comunicação mais acessível e humanizada nos serviços municipais”, disse.
O que é Libras e por que ela é importante?
Libras é a Língua Brasileira de Sinais, reconhecida oficialmente pela Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Ela possui estrutura gramatical própria e utiliza movimentos das mãos, expressões faciais e corporais para construir significados. Portanto, não se trata apenas de gestos usados para representar palavras do português.
Assim como ocorre com outras línguas, a Libras tem características linguísticas próprias. Sua compreensão envolve configuração e movimento das mãos, localização dos sinais, orientação e expressões não manuais. A expressão facial e corporal pode modificar o sentido de uma mensagem, por isso aprender somente alguns sinais isolados não equivale a dominar a língua.
O conhecimento básico pode facilitar interações cotidianas, como cumprimentos, identificação de necessidades e orientações simples. Já atendimentos complexos, especialmente em consultas médicas, procedimentos administrativos ou situações jurídicas, podem exigir intérpretes qualificados para assegurar uma comunicação adequada.
Também é importante compreender que nem todas as pessoas surdas se comunicam da mesma maneira. Algumas utilizam Libras como língua principal; outras recorrem à leitura labial, à língua portuguesa escrita, a aparelhos auditivos ou a diferentes recursos de comunicação. O atendimento deve respeitar as preferências e as necessidades de cada pessoa.
APADA é referência local para a comunidade surda
Em Franca, a Associação de Pais e Amigos do Deficiente Auditivo (APADA) aparece em registros públicos como uma entidade dedicada ao apoio e à defesa dos direitos das pessoas surdas e com deficiência auditiva. Documentos apresentados à Câmara Municipal descrevem atividades de formação em Libras, incluindo cursos básicos e capacitação voltada a profissionais, empresas, instituições e ao público em geral.
Interessados podem buscar informações diretamente com a associação para confirmar disponibilidade de cursos, valores, horários, duração e certificação. Um dos contatos registrados em documento público é o telefone (16) 99184-3482, e o e-mail informado é apadafranca@gmail.com. É recomendável confirmar os dados e o endereço antes de se deslocar.
Acessibilidade é um direito, não apenas uma iniciativa
O reconhecimento da Libras pela legislação brasileira faz parte de um conjunto mais amplo de medidas voltadas à inclusão. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, nº 13.146/2015, estabelece direitos relacionados à acessibilidade, à educação, à saúde, ao trabalho e à participação social.
Na prática, garantir acessibilidade significa mais do que disponibilizar informações sobre um serviço. Uma pessoa surda precisa conseguir compreender orientações, expressar suas necessidades e participar das decisões que dizem respeito à própria vida.
Nos serviços de saúde, por exemplo, dificuldades de comunicação podem prejudicar a compreensão de sintomas, diagnósticos, tratamentos e orientações médicas. Na educação, a acessibilidade linguística contribui para a participação dos estudantes. Em repartições públicas, pode facilitar o acesso a documentos, benefícios e procedimentos administrativos.
O aprendizado de Libras por servidores, professores e profissionais de atendimento é uma contribuição importante, mas não substitui a necessidade de recursos adequados para situações complexas. A oferta de intérpretes qualificados, materiais acessíveis e canais de atendimento adaptados também integra o esforço de inclusão.
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