O meu dia é exatamente como está o meu humor

Olá músico! Porque, muitas vezes, acreditamos que o nosso humor é consequência do nosso dia. Se tudo está dando certo, ficamos bem. Se alguma coisa sai do lugar, ficamos irritados. Se alguém nos trata mal, carregamos aquilo pelo resto do dia.

Mas talvez a relação também funcione no sentido contrário.

O estado em que estamos muda a maneira como enxergamos o que acontece ao nosso redor. Um mesmo problema pode parecer insuportável quando estamos cansados, estressados ou de mau humor e perfeitamente administrável quando estamos tranquilos.

Isso não significa ignorar problemas ou fingir que está tudo bem. Significa perceber que nem tudo o que acontece merece ocupar o nosso estado emocional.

O mau humor dos outros não precisa ser nosso. Essa talvez seja uma das coisas mais difíceis de aprender. Alguém acordou mal. Alguém respondeu de forma grosseira. Alguém está impaciente. Alguém está descontando em você um problema que é dele. E, sem perceber, nós absorvemos aquilo.

A pessoa fica irritada e nós ficamos irritados também. Ela fala de maneira desagradável e passamos o restante do dia remoendo aquilo.

É quase como se entregássemos a outra pessoa o controle sobre o nosso humor. E talvez uma das formas mais importantes de maturidade emocional seja justamente aprender a fazer essa separação: o que é do outro pertence ao outro.

Nem todo mau humor precisa de uma resposta. Nem toda provocação precisa de uma reação. Nem toda situação desagradável precisa ser carregada para dentro de nós.

Sorrir também é uma escolha. Existe algo muito simples que frequentemente subestimamos: sorrir. Não estou falando de colocar um sorriso no rosto para esconder problemas ou fingir felicidade.

Estou falando de permitir que pequenos momentos de leveza existam mesmo quando o dia não está perfeito.

Um sorriso para alguém. Uma conversa agradável. Uma música que gostamos. Uma brincadeira. Um café tomado com calma. São pequenas coisas, mas elas interrompem aquela tendência de passar o dia inteiro reagindo aos problemas.

E existe também uma dimensão fisiológica nisso. O sorriso e as expressões faciais participam da nossa comunicação emocional e podem influenciar a forma como interagimos com as pessoas e como percebemos determinadas situações.

Por isso, às vezes, vale a pena sorrir simplesmente porque não precisamos transformar todo incômodo em um acontecimento maior do que ele realmente é.

Nem todo estresse merece entrar em casa. Vivemos cercados de estímulos. Mensagens, cobranças, trânsito, trabalho, notícias, problemas, opiniões e pessoas com diferentes estados emocionais.

Se não prestarmos atenção, passamos o dia inteiro reagindo. Alguém reclama e reclamamos também. Alguém se irrita e ficamos irritados.

Algo dá errado e imediatamente pensamos que o dia inteiro deu errado. Mas um acontecimento ruim não precisa contaminar todas as horas que ainda temos pela frente.

Talvez seja interessante começar a perguntar: “Isso realmente precisa estragar o meu dia?”

Às vezes, a resposta será sim. Existem problemas que realmente nos afetam e precisam ser enfrentados. Mas muitas vezes a resposta será não. E perceber isso é libertador.

Porque não conseguimos controlar o humor de todas as pessoas que encontramos. Não conseguimos impedir que alguém seja grosseiro, que um imprevisto aconteça ou que alguma coisa saia diferente do planejado.

Mas podemos escolher não transformar cada uma dessas coisas em parte permanente do nosso estado emocional.

No fim, talvez o nosso dia não seja exatamente como tudo o que acontece nele.

Talvez o nosso dia seja muito mais parecido com a maneira como escolhemos atravessar tudo aquilo que acontece. E eu tenho tentado me lembrar disso. Nem todo problema merece a minha paz. Nem todo mau humor merece a minha companhia. Nem toda situação merece uma reação.

Às vezes, respirar, sorrir e seguir em frente é uma decisão muito mais poderosa do que responder. Porque o nosso dia passa.

E eu prefiro que ele passe com um sorriso do que carregando o peso de coisas que, no fundo, nem eram minhas. Que a gente aprenda a proteger a nossa paz sem precisar se afastar do mundo.

Reflexões da Dani

Tem como objetivo retratar o cotidiano do músico de forma verdadeira e leve, compartilhando experiências e inquietações que surgem entre ensaios, palcos, estudos e silêncios…

image-1 Quando o trabalho não preenche o coração

Dani Oliveira
Graduada em Gestão Financeira, especialista em Tráfego Pago, apaixonada por Marketing e COO da Musixe. Ela trabalha para aproximar alunos da música de forma acessível, humana e prática, valorizando tanto a técnica quanto a vivência artística.

Leia outros textos dela clicando aqui. Você quer continuar essa conversa? Entre no grupo no WhatsApp das “Reflexões da Dani”.

As opiniões defendidas pelos colunistas colaboradores e publicadas no Portal Pulsar Notícias não, necessariamente, refletem às opiniões do portal.

1 comentário

Publicar comentário