Olá músico! “Eu queria muito estudar música, mas não tenho tempo.” Essa talvez seja uma das frases que mais ouvimos de quem gostaria de aprender um instrumento. E, na maioria das vezes, ela é verdadeira. A rotina está cheia, o trabalho ocupa boa parte do dia, existem responsabilidades em casa, família, compromissos e uma lista interminável de coisas para resolver.
Mas existe uma pergunta um pouco mais incômoda que podemos fazer: será que estamos realmente sem tempo ou estamos sem desejo?
Parece a mesma coisa, mas não é.
Se você observar a sua rotina com atenção, provavelmente vai perceber que existem atividades para as quais você sempre encontra alguns minutos. Às vezes, mesmo em um dia cansativo, conseguimos passar meia hora no celular, assistir a uma série, conversar com alguém ou simplesmente ficar navegando sem um objetivo muito claro.
Então por que, quando pensamos em estudar música, parece que precisamos encontrar o momento perfeito, aquela hora livre em que estaremos descansados, concentrados e sem nenhuma outra preocupação?
Talvez porque nem sempre seja uma questão de tempo.
Às vezes, é uma questão de desejo.
Na psicanálise, Freud mostrou que o nosso comportamento não é tão simples quanto imaginamos. Nem sempre fazemos aquilo que conscientemente dizemos querer, porque existem desejos, conflitos e resistências que também influenciam nossas escolhas.
Isso ajuda a entender por que podemos dizer “eu quero muito aprender violão” e, ao mesmo tempo, passar semanas sem pegar no instrumento.
Não necessariamente porque somos preguiçosos ou indisciplinados.
Pode ser porque, naquele momento, existe alguma coisa que está competindo com esse desejo.
Talvez você queira aprender, mas também tenha medo de não conseguir.
Talvez queira tocar bem, mas não queira passar pela parte frustrante de tocar mal enquanto está aprendendo.
Talvez tenha transformado a música em mais uma obrigação e, depois de um dia inteiro cumprindo tarefas, a última coisa que deseja é assumir outra.
Ou talvez simplesmente tenha descoberto que o desejo que existia há alguns anos já não é exatamente o mesmo hoje.
E tudo bem. A questão não é se culpar por isso, mas tentar entender o que está acontecendo.
Porque procrastinar nem sempre significa falta de vontade. Às vezes, a procrastinação é uma forma de evitar alguma coisa que não queremos sentir: frustração, insegurança, medo de falhar ou até a sensação de que estamos começando tarde demais.
Por isso, talvez valha a pena experimentar uma pequena mudança.
Em vez de pensar: “Eu preciso encontrar uma hora para estudar música”, pergunte a si mesmo: “O quanto eu realmente quero que a música faça parte da minha vida?”
A resposta pode ser reveladora.
Se a música realmente importa para você, talvez não seja necessário esperar por duas horas livres para começar. Você pode tocar por quinze minutos, estudar um único exercício, aprender alguns acordes ou simplesmente pegar o instrumento e tocar uma música que gosta.
Porque, muitas vezes, não precisamos de mais tempo.
Precisamos dar mais importância àquilo que dizemos que queremos.
E existe uma diferença enorme entre ter tempo para alguma coisa e fazer espaço para ela na nossa vida.
No final, talvez a pergunta não seja “por que eu nunca tenho tempo para estudar música?”.
Talvez seja:
“Se isso realmente é importante para mim, que espaço estou disposto a criar para isso?”
A resposta não precisa ser perfeita. Pode começar com quinze minutos.
Mas talvez esses quinze minutos digam muito mais sobre o seu desejo do que uma hora inteira que você passa esperando aparecer.
Reflexões da Dani
Tem como objetivo retratar o cotidiano do músico de forma verdadeira e leve, compartilhando experiências e inquietações que surgem entre ensaios, palcos, estudos e silêncios…

Dani Oliveira
Graduada em Gestão Financeira, especialista em Tráfego Pago, apaixonada por Marketing e COO da Musixe. Ela trabalha para aproximar alunos da música de forma acessível, humana e prática, valorizando tanto a técnica quanto a vivência artística.
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