Para atrair votos de evangélicos, Lula critica Igreja Católica
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou a Igreja Católica durante encontro com lideranças evangélicas, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Ao comparar a estrutura católica com a de igrejas evangélicas, Lula citou o celibato sacerdotal e a impossibilidade de mulheres serem ordenadas “padres” e “bispas”. Para Lula, isso dificulta o crescimento do catolicismo no Brasil.
Durante a reunião, o presidente afirmou já ter abordado o tema com o então Papa Francisco (morto em 21 de abril de 2025, aos 88 anos). Ele também afirmou que as igrejas evangélicas teriam uma vantagem por oferecerem às mulheres maior espaço em posições de liderança. A “estratégia” do candidato à reeleição foi atacar o “oponente” para ressaltar quem ele deseja atrair votos: dos evangélicos. Sem dar detalhes, Lula ainda fez um aceno ao eleitorado ao mencionar que precisará muito das Igrejas em 2027.
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O que Lula disse sobre a Igreja Católica

O encontro reuniu integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e representantes religiosos dos Estados Unidos e de Cuba. A primeira-dama Janja Lula da Silva e o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, também participaram da reunião.
Ao abordar a diferença entre as denominações cristãs, Lula afirmou que a Igreja Católica precisaria rever o celibato e a participação das mulheres no sacerdócio para evitar dificuldades futuras.
“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, a gente vai ver a Igreja Católica passando dificuldade”, disse o presidente. Na sequência, ele afirmou que considera a possibilidade de as mulheres ocuparem posições de liderança uma vantagem das igrejas evangélicas e declarou que, nesses espaços, “as mulheres são tratadas em igualdade de condições”.
A fala, portanto, apresentou uma interpretação de Lula sobre as razões para a expansão das igrejas evangélicas e a redução proporcional dos católicos no Brasil. Essa relação, entretanto, não é estabelecida como causa pelos dados oficiais do Censo. De acordo com o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país conta com 100,2 milhões de católicos, o equivalente a 56,7% da população brasileira com 10 anos ou mais. Já evangélicos representam 26,9%.

Para lideranças católicas, muito mais do que qual expressão religiosa tem mais ou menos fiéis, é necessário que haja uma avaliação constante sobre como o Evangelho é pregado, e de que maneira tais pessoas o vivem diariamente. “O cristianismo não pode ser reduzido a uma identidade ou a uma prática exterior. A Igreja é missionária quando vive aquilo que anuncia”, disse Papa Bento XVI no documento Sacramentum Caritatis.
Em Catechesi Tradendae, João Paulo II faz uma observação particularmente próxima da frase que você apresentou. Ao falar da catequese, ele destaca que não basta memorizar ou transmitir textos e ensinamentos: eles precisam ser “interiorizados” para se tornarem fonte de vida cristã pessoal e comunitária.
“Não basta saber ou professar o Evangelho; é necessário que ele se manifeste na maneira como a pessoa vive”, afirmou Papa João Paulo II.
O vermelho do PT é em alusão ao Sangue de Cristo

Não bastasse a fala, no mínimo, polêmica sobre a Igreja Católica, o presidente Lula também disse, em encontro com evangélicos, que considera a religião algo sagrado e relatou que, ao longo de sua trajetória política, precisou explicar diversas vezes as referências religiosas que utilizava ao falar sobre símbolos do PT (Partido dos Trabalhadores).
Entre os exemplos citados por ele estiveram o vermelho da bandeira do PT, associado ao “sangue de Cristo” e a estrela do partido, associada a barba de Jesus.
Celibato
O celibato sacerdotal não deve ser entendido simplesmente como uma proibição de casar, mas como uma entrega total do sacerdote a Cristo e à Igreja. Ele abre mão do matrimônio como parte de uma entrega integral a Deus e ao serviço da Igreja. Em sua explicação, o celibato está relacionado à própria compreensão do sacerdote como alguém que se oferece a Cristo e à comunidade. Ele também sustenta que a prática não seria uma invenção medieval, argumentando que existem testemunhos históricos de uma disciplina de continência dos ministros ordenados desde os primeiros séculos do cristianismo.
Para padre Paulo Ricardo, um dos teólogos mais respeitados do país, sacerdócio não é apenas uma profissão de fé ou uma função administrativa dentro da Igreja. O sacerdote recebe o sacramento da Ordem, pelo qual participa de maneira específica da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. Ele destaca que o sacramento possui três graus — diaconato, presbiterado e episcopado — e que o sacerdote exerce um serviço particular ao povo de Deus.
No início do cristianismo e durante os primeiros séculos da Igreja,os padres podiam se casar. Vários apóstolos, incluindo São Pedro, eram casados. O celibato passou a ser recomendado progressivamente, mas foi oficializado como regra para a Igreja Católica Ocidental no Primeiro Concílio de Latrão, em 1123, em explicação de professor Felipe Aquino.
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