A ilusão do controle e a arte do assentimento

A cultura contemporânea nos educou sob a promessa do controle absoluto. Planejamos nossas carreiras com precisão cirúrgica, monitoramos nossos passos por aplicativos e alimentamos a ilusão de que a vida ideal é aquela na qual nenhuma variável escapa ao nosso domínio. No entanto, quando o imprevisível irrompe — uma perda repentina, um diagnóstico inesperado ou a simples frustração de um plano bem traçado —, a estrutura psicológica baseada no controle desmorona, dando lugar à ansiedade e ao desespero.

A verdadeira maturidade pessoal não nasce da capacidade de dominar as circunstâncias externas, mas da postura interior que adotamos diante daquilo que não escolhemos. Viktor Frankl nos ensina que a última das liberdades humanas é a capacidade de escolher a própria atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias. Quando não estamos mais em condições de alterar um fato, somos desafiados a transformar a nós mesmos.

O assentimento à realidade não é resignação passiva, tampouco derrota. É um ato de inteligência e soberania interior. Significa olhar para a vida como ela se apresenta, sem o filtro do ressentimento ou do “como deveria ter sido”, e perguntar: “Diante desta situação concreta, qual é o dever que se apresenta a mim agora?”. O sentido da existência não está no controle fantasioso do futuro, mas na resposta concreta e responsável que damos ao presente que nos cabe.

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