O valor do dever ordinário no cotidiano

Vivemos uma época obcecada pelo extraordinário. As telas nos expõem continuamente a momentos de ápice, grandes conquistas e narrativas grandiosas, gerando uma discreta, mas profunda, sensação de insignificância em relação às obrigações do dia a dia.

Despreza-se a rotina como se ela fosse o túmulo da liberdade, quando, na verdade, é o único solo firme no qual a personalidade se edifica.

A grandeza do ser humano não se mede pela frequência com que vive momentos excepcionais, mas pela fidelidade e retidão com que cumpre os seus deveres ordinários. Arrumar a própria mesa, responder a um e-mail com atenção, cumprir o horário de trabalho, escutar com paciência um familiar — são essas pequenas ações, repetidas diariamente com intenção e amor, que moldam o caráter e ordenam a vontade.

Quando esvaziamos o cotidiano de intenção, passamos a viver em uma perpétua sala de espera, aguardando que a “verdadeira vida” comece em algum momento futuro. Contudo, a vida real não nos aguarda em um palco distante; ela se realiza na aceitação consciente do trabalho presente. O ordinário bem vivido é a matéria-prima do sentido, pois transforma o dever diário em um ato diário de doação e maturidade.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática. Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas-Cartaxo-2-Divulgacao-682x1024 Dignidade nas ruínas e a força humana

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

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