O silêncio como espaço para a autotranscendência

O excesso de estímulos da vida moderna fragmenta a atenção e hipertrofia a preocupação consigo mesmo. Quando estamos constantemente imersos em ruídos, notificações e opiniões alheias, perdemos a capacidade de escutar os apelos sutis que a realidade nos faz. Voltados excessivamente para os próprios humores, desejos e frustrações, caímos no drama da autorreferencialidade.

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Para romper essa espiral, o primeiro passo é o cultivo do silêncio interior. Não um silêncio vazio, mas um espaço de quietude intencional no qual a mente se desacalma para poder perceber a verdade das coisas.

É na pausa do ruído que recuperamos a clareza sobre o que realmente importa e nos disponibilizamos para o movimento fundamental da existência humana: a autotranscendência.

A essência do ser humano aponta sempre para além de si mesmo — para uma causa a servir, uma obra a realizar ou uma pessoa a amar. Quando o indivíduo se esquece de si em prol do bem de outro ou da fidelidade a uma missão, encontra a resposta mais profunda para o vazio existencial.

O silêncio nos retira da centralidade do ego e nos abre para a descoberta de que o sentido da vida não é encontrado no umbigo, mas no abraço generoso com a realidade.

Bússola do Sentido

É onde a busca por propósito deixa de ser um ideal abstrato e se torna orientação para o cotidiano. Diante do caos, das crises e das variáveis que não controlamos, o sentido da vida não é algo que se inventa na teoria, mas que se descobre na prática.

Esta coluna calibra o olhar para as respostas reais que a realidade nos exige, investigando o amadurecimento, a responsabilidade e a nossa capacidade de superar as dificuldades, porque encontrar um norte não é uma questão de otimismo ingênuo, mas de coragem para governar a si mesmo. Publicada todos os sábados.

Lucas-Cartaxo-2-Divulgacao-682x1024 Dignidade nas ruínas e a força humana

Lucas Cartaxo é Psicoterapeuta e Comunicador. Possui pós-graduação em Gestão de Pessoas. É especialista em Logoterapia e Análise Existencial, inspiradas na obra de Viktor Frankl.

Seu trabalho concentra-se no desenvolvimento humano, no autoconhecimento e na busca de sentido para a vida, realizando atendimentos psicoterapêuticos on-line e produzindo conteúdos sobre propósito, responsabilidade e amadurecimento pessoal.

Conheça mais sobre o trabalho dele. Clique aqui.

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1 comentário

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Henrique Palacio

O seu artigo exibe uma linguagem expressada de uma forma bem didática e compreensível mesmo ao entendimento de leigos como eu.

A ideia do silêncio buscado e encontrado na quietude dos pensamentos num momento de solitude, é o maior desafio do homem moderno. Os estímulos constantes e ininterruptos não nos deixam muito espaço para a contemplação do tempo em si, sem a construção de novos conceitos e percepções , tão pouco sem a busca por respostas àquelas dúvidas intermináveis.

Associo este approach do silêncio interior ao conceito trazido pelo pensador e filóso Deepak Chopra quando ele diz que:
“Deus fala conosco no vácuo entre os nossos pensamentos”.
Isso define bem o momento de quietude da alma que o autor Eckhart Tolle descreve no seu livro “Stillness Speaks” (A Quietude Fala).
Fascinante esse conceito. Ele permeia o campo das ideias pra nos deixar mais próximos de nós mesmos e na essência existencial da condição humana. O “Supernatural” entra sorrateiramente na mente nesses momentos de interiorização, e como água fluindo entre as rochas, vai abrindo o seu caminho até a realização profunda do auto conhecimento.

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