Padre vota? Saiba o que orienta a Igreja

Com a aproximação das Eleições Gerais de 2026, uma dúvida volta a aparecer: padre vota? Sim! Sacerdotes que estejam com a situação eleitoral regular podem votar. No entanto, a Igreja Católica Apostólica Romana estabelece limites para a participação político-partidária do clero.

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro e o segundo turno em 25 de outubro. Os brasileiros escolherão presidente, governador, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais ou distritais..

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Padre vota, mas não pode ser candidato. O Código de Direito Canônico – documento que estabelece as regras da Igreja Católica – veda que os sacerdotes tenham atividades político-partidárias. A exceção é se houver autorização pela própria Igreja.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) orienta também que os diáconos – que são auxiliares dos padres – também não sejam candidatos.

O cano 285 diz que “os clérigos evitem aquilo que, mesmo não sendo indecoroso, é alheio ao estado clerical” e enfatiza que “os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil”.

O Direito Canônico não prevê punição para o(a) religioso(a) que for contra a normativa. Mas são os bispos locais que devem tomar as medidas que julgarem mais coerentes.

Nas Eleições de 2014, por exemplo, o arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto – que faleceu em 2020 – suspendeu o exercício da ordem de todos os padres ligados a ele que naquela época estávam envolvidos na política partidária.

Com a medida, foram suspensos na ocasião Luiz Couto (PT), Padre Júnior (PT), Frei Anastácio (PT), Padre Cristiano Melo (PSOL) e Padre Gescione (PCdoB) ficaram impedidos de celebrar os sacramentos.
Todos eles ligados a partidos de esquerda.

Para as Eleições de 2026, dez candidatos utilizam na urna o termo “padre” e um o termo “frei”.

Voto oficial da Igreja

De acordo com a CNBB, não existe um “voto oficial da Igreja” que determine qual candidato o sacerdote ou o leigo deve escolher.

Em mensagem divulgada em junho, os bispos afirmaram que a política, quando orientada pela ética, pode ser uma forma elevada de serviço à sociedade. A orientação da Igreja é oferecer critérios para que os cidadãos façam seu próprio discernimento, e não substituir a consciência do eleitor.

Uma das principais preocupações da Igreja durante períodos eleitorais é impedir que espaços religiosos sejam transformados em ambientes de propaganda partidária.

A CNBB afirma que as celebrações e os ambientes eclesiais não devem ser transformados em “palanques eleitorais”. Ao mesmo tempo, a Igreja considera legítima a criação de espaços de formação e reflexão sobre política, desde que o objetivo seja ajudar os fiéis a desenvolver uma consciência política responsável.

Candidato padre

Nas Eleições Gerais de 2022, padre Kelmon surgiu como candidato à Presidência da República pelo PRTB após a Roberto Jefferson ter sua candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por envolvimento no escândalo do mensalão.

Vestindo batina e crucifixo, ganhou forte repercussão nacional ao participar do debate promovido pela Rede Globo. Na ocasião, a candidata à presidência Soraya Thronicke não pronunciou o nome do oponente de forma correta e o deu o apelido de “candidato padre”.

Depois do episódio bizarro, Kelmon e Soraya se reencontraram, conforme publicou Malu Gaspar de ‘O Globo’. “Não há ressentimentos”, disse padre Kelmon, segundo a colunista.

Kelmon Luís da Silva Souza disse pertencer a Igreja Ortodoxa, que imediatamente repudiou e negou o vínculo durante e após as eleições de 2022

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