Setembro Amarelo: veja canções que ajudam a valorizar a vida

O Setembro Amarelo começa neste mês com uma mensagem central: falar sobre sofrimento emocional, fortalecer redes de apoio e buscar ajuda na valorização da vida. A campanha tem como marco o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, e também abre espaço para diferentes formas de comunicação, entre elas a música.

Mais do que entretenimento, canções podem funcionar como uma forma de expressão e identificação emocional. Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram que a música influencia emoções e pode fazer parte de processos de cuidado, embora ouvir música, por si só, não seja o mesmo que fazer musicoterapia.

Setembro Amarelo reforça importância da escuta

Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que pode atingir pessoas de diferentes idades e contextos. O órgão destaca que a prevenção é possível e orienta atenção a mudanças de comportamento, manifestações de desesperança, isolamento e falas relacionadas à morte ou à falta de perspectiva.

O Ministério também recomenda que, diante de uma pessoa em sofrimento, familiares e amigos procurem conversar em um ambiente tranquilo, escutem sem julgamentos e incentivem a busca por atendimento profissional. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar serviços de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

É nesse contexto que a música pode ganhar uma função importante: ajudar a expressar sentimentos, criar identificação e favorecer conversas que muitas vezes são difíceis de iniciar.

Setembro Amarelo e o papel da música

Musicoterapia tem papel fundamental no processo de abordagem de valorização da vida – Foto: Freepik

De acordo com o neurologista Ricardo Afonso Teixeira, doutor em Neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília, “a música está entre as manifestações artísticas que mais influenciam as emoções”. Ele também destacou evidências sobre sua utilização em diferentes contextos terapêuticos.

Além disso, toda pessoa gosta de ouvir a sua música preferida e, inevitavelmente, um ambiente ruim é transformado por ela, ainda que momentaneamente.

Uma música pode despertar lembranças, identificação ou sensação de acolhimento, mas não substitui psicólogo, psiquiatra, médico, CAPS ou outros serviços de saúde.

Canções que falam sobre esperança

Algumas músicas brasileiras se tornaram conhecidas justamente por apresentarem mensagens relacionadas à superação, esperança, passagem do tempo e valorização da vida.

Uma delas é “Enquanto Houver Sol”, dos Titãs. A composição de Sérgio Britto apresenta uma mensagem direta de esperança: “Nenhuma ideia vale uma vida”.

A canção também trabalha com a ideia de que momentos de falta de perspectiva não necessariamente representam o fim das possibilidades. Para uma campanha como o Setembro Amarelo, essa abordagem permite conversar sobre esperança sem romantizar o sofrimento.

Outra música que ganhou forte associação com superação é “Tocando em Frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira. O trecho “É preciso paz pra poder sorrir” sintetiza uma mensagem de cuidado e continuidade.

A composição também fala sobre aprender com as experiências e continuar a caminhada. A música foi gravada por diferentes artistas e se tornou uma das obras mais conhecidas do repertório brasileiro.

“Dias Melhores”, do Jota Quest, apresenta uma mensagem construída em torno da expectativa de um futuro diferente. O refrão repete a expressão “Vivemos esperando dias melhores”, transformando a esperança em elemento central da canção.

Outro clássico que pode integrar uma playlist temática é “É Preciso Saber Viver”, composição de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, conhecida também na interpretação dos Titãs. Ela aborda obstáculos, escolhas e a necessidade de lidar com as dificuldades, como na vida em si.

Música gospel também ajuda a evitar suicídio

Dentro da diversidade musical brasileira, a música cristã por si só fala de esperança e valorização da vida. Em momentos de sofrimento emocional, canções religiosas podem funcionar como uma forma de expressão, oração e identificação, especialmente para pessoas que encontram na espiritualidade uma fonte de significado.

Entre os artistas católicos, o repertório do Padre Fábio de Melo reúne canções que abordam dor, recomeço, esperança e a capacidade humana de seguir adiante. Em “Vida”, por exemplo, a composição apresenta a percepção de que, mesmo diante de uma realidade marcada pela solidão, existe a possibilidade de um novo dia. A música traz a expressão “há sempre um novo dia”, sintetizando uma mensagem de renovação.

Padre Fábio de Melo e Celina Borges durante apresentação na Comunidade Canção Nova – Foto: Canção Nova

A regravação do clássico de Celina Borges, “Nas Asas do Senhor”, manifesta a esperança em dias melhor, especialmente no trecho “sei que os que confiam no Senhor revigoram suas forças, suas forças se renovam. Posso até cair ou vacilar, mas consigo levantar pois recebo asas.E como águia me preparo para voar. Eu posso ir, muito além de onde estou, vou nas asas do Senhor, o teu amor é o que me conduz”.

Na trajetória de Adriana Arydes, músicas como “Humano Amor de Deus” também podem ser relacionadas ao acolhimento de quem atravessa momentos de fragilidade. A composição fala sobre alguém que encontra compreensão, direção e companhia quando já não consegue enxergar caminhos. Em um dos trechos, a mensagem é direta: “Que Deus me ama, que não estou só”.

Música não substitui atendimento profissional

A utilização de músicas em campanhas de valorização da vida exige cuidado. Uma playlist pode proporcionar companhia, identificação ou conforto, mas não deve ser apresentada como tratamento para depressão, ansiedade ou comportamento suicida.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem ajuda e aponta como possibilidades os CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPAs, SAMU 192, prontos-socorros e hospitais. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, com sigilo e anonimato.

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