E se a sua vida estiver sendo decidida pelo que você nem percebe?
Olá músico! Talvez você tenha muito menos controle sobre a sua vida do que imagina.
Não porque alguém esteja controlando você, mas porque uma parte enorme daquilo que pensamos, sentimos e fazemos é construída pelo ambiente em que vivemos, pelas pessoas que nos cercam, pelas informações que consumimos e pelos hábitos que repetimos.
A gente costuma imaginar que as grandes decisões da nossa vida acontecem em momentos muito claros. Escolher uma profissão, terminar um relacionamento, começar um projeto, mudar de cidade, estudar alguma coisa nova. São decisões que percebemos.
Mas existem outras decisões acontecendo o tempo inteiro sem que a gente sequer as reconheça como decisões.
Você pega o celular quando está entediado. Abre uma rede social porque tem alguns minutos livres. Assiste a um vídeo porque o algoritmo colocou aquilo na sua frente. Começa a acreditar que determinada coisa é normal porque todo mundo ao seu redor parece pensar da mesma maneira. Deixa de estudar porque está cansado. Convive diariamente com pessoas que reclamam de tudo e, aos poucos, começa a enxergar o mundo pelos mesmos olhos.
Nada disso parece capaz de mudar uma vida. Isoladamente, provavelmente não muda. O problema é a repetição.
Aristóteles já entendia algo muito próximo disso quando dizia que nos tornamos aquilo que fazemos repetidamente. A filosofia antiga percebia uma coisa que a psicologia e as ciências do comportamento passaram décadas estudando: o ser humano é profundamente moldado por aquilo que pratica e pelo ambiente ao qual se expõe.
É por isso que talvez seja tão perigoso acreditar que somos completamente livres apenas porque ninguém está nos obrigando a fazer alguma coisa.
Você pode escolher o que assistir, mas quem escolhe o que aparece diante dos seus olhos?
Você pode escolher o que pensar, mas quanto do que você pensa foi colocado na sua cabeça por outras pessoas?
Você pode escolher com quem conviver, mas já percebeu como, depois de algum tempo, começamos a incorporar o jeito de pensar, falar e agir daqueles que estão próximos de nós?
É aí que a questão fica interessante.
Talvez liberdade não seja simplesmente poder escolher. Talvez liberdade seja perceber aquilo que está influenciando nossas escolhas. Porque é muito difícil mudar uma influência que você nem percebe que existe.
Imagine uma pessoa que passa todos os dias consumindo conteúdos que despertam medo, indignação e comparação. Ela pode acreditar que está apenas “se informando”. Depois de alguns meses, começa a se sentir mais ansiosa, desconfiada e insatisfeita com a própria vida.
Ela não tomou uma grande decisão para se tornar assim. Foram pequenas exposições, repetidas milhares de vezes. Agora pense no contrário.
Uma pessoa que todos os dias lê algumas páginas de um bom livro, estuda um instrumento, conversa com pessoas que admira, pratica alguma atividade que exige concentração e reserva momentos do dia para simplesmente ficar em silêncio.
Também não existe uma grande transformação acontecendo. Existe repetição. E, depois de algum tempo, essa pessoa também muda.
É por isso que talvez devêssemos prestar mais atenção àquilo que parece pequeno. Porque pequenas coisas repetidas durante anos deixam de ser pequenas. Uma hora de estudo por dia parece pouco. Uma hora de distração por dia também.
Uma conversa parece pouco. Cem conversas com as mesmas pessoas começam a formar uma visão de mundo. Uma música parece pouco. Mil músicas que você escuta começam a construir referências, emoções e até a maneira como você percebe determinadas experiências.
Uma opinião parece pouco. Anos ouvindo as mesmas opiniões podem fazer você esquecer que existem outras formas de enxergar a realidade.
No fim, talvez a nossa vida seja menos resultado de alguns grandes momentos e mais resultado daquilo ao qual nos entregamos diariamente sem prestar muita atenção.
Por isso, talvez valha a pena fazer uma espécie de auditoria da própria vida.
O que você está colocando na sua cabeça todos os dias? Quem está influenciando você? Quais ambientes você frequenta? Que tipo de conversa você escuta? O que você faz quando está sozinho? O que você consome quando ninguém está olhando?
E, principalmente: se você continuar exatamente como está pelos próximos cinco anos, vai gostar da pessoa que estará se tornando?
Essa última pergunta é difícil porque ela tira a nossa atenção do resultado imediato e coloca o foco no processo. Você não precisa transformar a sua vida amanhã.
Talvez precise apenas começar a prestar atenção nas pequenas coisas que estão construindo a sua vida hoje. Porque talvez a pergunta mais importante não seja: “O que eu quero para a minha vida?” Talvez seja: “O que está escolhendo por mim enquanto eu acho que estou escolhendo?”
Reflexões da Dani
Tem como objetivo retratar o cotidiano do músico de forma verdadeira e leve, compartilhando experiências e inquietações que surgem entre ensaios, palcos, estudos e silêncios…

Dani Oliveira
Graduada em Gestão Financeira, especialista em Tráfego Pago, apaixonada por Marketing e COO da Musixe. Ela trabalha para aproximar alunos da música de forma acessível, humana e prática, valorizando tanto a técnica quanto a vivência artística.
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