Obras de R$ 40 mi tentam conter enchentes históricas
As obras antienchentes em Franca (SP) avançam em três frentes de trabalho para reduzir os riscos de alagamentos e melhorar o escoamento das águas. Contratadas por aproximadamente R$ 40 milhões, as intervenções nos córregos dos Bagres e Cubatão e no canal do Jardim Palmeiras têm entregas previstas entre outubro de 2026 e agosto de 2027.
Com a chegada da temporada de chuvas, a execução dos projetos ganha importância para a segurança da população, especialmente em regiões historicamente afetadas por enchentes.
Embora os trabalhos estejam em andamento, os valores registrados no Portal da Transparência mostram que os pagamentos às empresas ainda representam uma parcela dos contratos. Até o momento considerado no levantamento, pouco mais de R$ 1 milhão havia sido pago pelas três intervenções. O cenário exige atenção, mas não permite concluir, isoladamente, que as obras estejam atrasadas, já que a execução financeira não corresponde necessariamente ao percentual físico dos serviços realizados.

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O alerta também envolve a necessidade de manter o escoamento da água durante as intervenções. Escavações, desvios provisórios, demolições e materiais utilizados nos canteiros podem interferir temporariamente na circulação da água. Por isso, o acompanhamento técnico e a adoção de medidas de segurança são fundamentais para evitar que as próprias obras agravem problemas durante episódios de chuva intensa.
Obras de drenagem em Franca exigem atenção na temporada de chuvas
O histórico de alagamentos em Franca reforça a importância das intervenções. Em janeiro de 2026, uma tempestade acumulou mais de 80 milímetros de chuva em aproximadamente duas horas, provocando transtornos e comprometendo o trânsito em grandes avenidas. Episódios dessa intensidade evidenciam os desafios enfrentados pelo sistema de drenagem urbana diante de grandes volumes de água concentrados em pouco tempo.
Segundo Willian Karan Junior, coordenador executivo do Observatório Social do Brasil (OSB) em Franca, alguns trechos já executados podem apresentar benefícios localizados, especialmente onde houve ampliação da seção dos canais ou melhoria das estruturas de drenagem. No entanto, ele ressalta que os resultados esperados dependem da conclusão e da integração das diferentes etapas.
“Enquanto o conjunto não estiver concluído e integrado, não é possível afirmar que as obras oferecerão toda a capacidade de proteção prevista no projeto”, afirma Karan, em entrevista ao G1.

O coordenador também chama a atenção para a necessidade de monitoramento permanente dos locais em obras. Desvios provisórios, escavações e materiais depositados precisam ser acompanhados para que não comprometam o escoamento da água durante as chuvas.
“Uma obra incompleta não deve ser considerada, por si só, uma proteção integral contra enchentes”, acrescenta.
Córrego dos Bagres concentra o maior investimento
A intervenção no Córrego dos Bagres representa a maior parcela dos investimentos previstos. O projeto contempla o alargamento do canal ao longo da Avenida Doutor Antônio Barbosa Filho, no trecho entre a Rua Simão Caleiro e a Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso. Também está prevista a demolição de uma antiga ponte e a construção de uma nova travessia no encontro com o Córrego Cubatão, com o objetivo de eliminar o represamento da água.
A licitação estimou o custo da obra em R$ 24.789.222,77. Em 10 de fevereiro de 2026, o contrato foi firmado com a Tessalia Construtora e Incorporadora pelo valor de R$ 22.750.000,00. A conclusão está prevista para 19 de agosto de 2027.
Conforme os registros financeiros consultados, foram pagos R$ 299.940,31 à empresa, o equivalente a aproximadamente 1,32% do valor contratado.
No canteiro, as equipes concluíram a perfuração do solo para a instalação dos tubulões, estruturas de fundação que sustentam a construção. Também foram montadas formas de concreto para as vigas de encabeçamento, responsáveis por unir as estacas na parte superior. A demolição das antigas paredes de concreto do córrego entrou na fase final, enquanto a instalação de grandes placas metálicas começou em um dos lados da intervenção para ajudar a conter o solo.
As próximas etapas incluem a construção de uma ensecadeira, estrutura provisória que permitirá desviar a água e manter uma área de trabalho mais seca e segura. Depois, as equipes deverão preparar e nivelar o fundo do canal para a instalação de grandes peças de concreto pré-moldadas.
Os trabalhos ocorrem nos dois lados da avenida, com redução da área disponível para o trânsito. Motoristas e pedestres devem respeitar a sinalização e as interdições existentes.
Karan esclarece que o baixo percentual de pagamentos não representa, necessariamente, o estágio real da obra. “O percentual pago não deve ser automaticamente tratado como percentual físico da obra, pois o pagamento ocorre após medição e liquidação financeira”, explica.
O Observatório Social informou ainda que vistorias de campo identificaram barras de aço compatíveis com o projeto. A entidade, entretanto, aguardava documentos solicitados por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC), entre eles o cronograma físico-financeiro e os relatórios de medição, para avaliar com maior precisão a evolução dos serviços.
Córrego Cubatão tem conclusão prevista para 2027
A segunda frente de trabalho está localizada no Córrego Cubatão, sob o viaduto das avenidas Major Nicácio e Doutor Ismael Alonso y Alonso, nas proximidades do Viaduto Dona Quita e do campus do Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-Facef).
O projeto prevê o aprofundamento e o alargamento do leito do córrego para ampliar a capacidade de passagem da água sob a estrutura viária. A medida busca melhorar o escoamento em um ponto importante da infraestrutura urbana.
A obra foi orçada inicialmente em R$ 10.968.259,63 e contratada em 4 de maio de 2026 com a Planex Engenharia, por R$ 10.264.900,00. O término está previsto para maio de 2027.
As equipes já realizaram escavações para aprofundar e alargar o canal e instalaram tapumes de madeira para delimitar a área de trabalho e proteger quem circula nas proximidades.
Atualmente, uma das etapas envolve a aplicação da técnica conhecida como jet grouting. O procedimento consiste na injeção de cimento sob alta pressão no solo, formando uma estrutura mais resistente em terrenos que apresentam menor estabilidade. O serviço é realizado nas proximidades do prédio do Uni-Facef, na direção do Sesc e da Avenida Major Nicácio.
Assim como ocorre em outras frentes, há bloqueios de faixas e alterações na circulação de veículos e pedestres. A atenção à sinalização é necessária durante a execução dos trabalhos.
Até o momento considerado no levantamento, não havia pagamentos registrados para a empresa no Portal da Transparência. Para Karan, entretanto, a ausência de desembolsos registrados não deve ser interpretada automaticamente como paralisação.
“A ausência momentânea de pagamento registrado não significa ausência de execução, pois pode haver serviços realizados em processo de conferência”, afirma.
A avaliação da evolução da obra depende, portanto, da análise conjunta dos serviços realizados, das medições e dos registros financeiros.
Canal do Jardim Palmeiras tem entrega prevista para outubro

No Jardim Palmeiras, a intervenção contempla a drenagem, o aprofundamento e o alargamento do canal afluente do Córrego Engenho Queimado. O objetivo é reduzir a erosão das margens e proteger as moradias localizadas nas proximidades.
Com orçamento licitado de R$ 3.332.270,60, o contrato foi firmado em 19 de fevereiro de 2026 com o Consórcio Excoima Infraestrutura e Pavimentações pelo valor de R$ 2.900.000,00. O prazo de conclusão está previsto para 31 de outubro de 2026.
Os registros consultados apontavam pagamentos de R$ 753.911,27, correspondentes a aproximadamente 26% do contrato. Entre as atividades concluídas estão a limpeza dos gabiões, estruturas formadas por gaiolas metálicas preenchidas com pedras que ajudam a conter a terra, e a construção de uma caixa de passagem de concreto próxima ao dissipador, dispositivo destinado a reduzir a força da água.
A próxima etapa prevista é a construção de uma nova travessia na Rua Anésio Basílio dos Santos. A estrutura deverá permitir a passagem de veículos e pedestres sobre o canal.
Entre as três intervenções, o Jardim Palmeiras apresenta o maior percentual de pagamentos registrados em relação ao valor contratado. Ainda assim, esse indicador não determina, por si só, o percentual de conclusão física dos serviços.
“Os registros indicam avanço relevante no Jardim Palmeiras, mas o percentual financeiro não deve ser automaticamente convertido em percentual físico, já que etapas diferentes têm pesos financeiros distintos e todo o sistema precisa estar integrado”, avalia Karan.
Conclusão das obras será decisiva para avaliar os resultados
As três intervenções têm objetivos complementares, mas atuam em pontos diferentes da infraestrutura de drenagem de Franca. Enquanto os trabalhos nos córregos dos Bagres e Cubatão têm prazos que avançam até 2027, a obra do Jardim Palmeiras tem conclusão prevista para outubro de 2026.
A efetividade dos investimentos dependerá da execução adequada dos projetos, da conclusão das estruturas previstas e do funcionamento integrado dos sistemas de escoamento. Até lá, os benefícios podem ocorrer de maneira localizada, sem que isso represente a eliminação dos riscos de alagamento.
A proximidade do período de chuvas torna ainda mais importante acompanhar o andamento das intervenções, as condições dos canteiros e eventuais mudanças no trânsito. Também é necessário observar os cronogramas, as medições dos serviços e os pagamentos realizados, de modo que a população possa acompanhar a aplicação dos recursos públicos.
Os valores registrados no Portal da Transparência oferecem uma referência sobre a execução financeira, mas não substituem a avaliação técnica do avanço físico. A divulgação dos documentos solicitados pelo Observatório Social pode contribuir para ampliar a transparência e permitir uma análise mais precisa do cumprimento dos contratos.
Para os moradores de Franca, a expectativa é que as obras ampliem a capacidade de escoamento das águas e reduzam os transtornos provocados por chuvas intensas. O resultado, porém, dependerá não apenas da entrega de cada estrutura, mas também de sua integração ao sistema de drenagem urbana e da manutenção necessária ao longo do tempo.
Até a conclusão dos projetos, a orientação é manter a atenção em áreas sujeitas a alagamentos e respeitar as sinalizações nos trechos em obras. A execução das intervenções representa uma etapa importante, mas a proteção esperada só poderá ser avaliada de maneira mais abrangente após a conclusão dos serviços e a verificação de seu desempenho em situações reais de chuva.
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